Rupert Sheldrake e os Campos Morfogenéticos

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Pages: 3-5
Year: 2011
Associação Brasileira de Rolfing

Rolfing Brasil – 02/2011

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Rupert Sheldrake certamente figura entre os cientistas mais controversos da atualidade. Doutor em Bioquímica pela Universidade de Cambridge, Sheldrake trabalha há alguns anos com a hipótese da existência dos campos morfogenéticos. Seu primeiro livro, A New Science of Life – 1981 (Uma Nova Ciência da Vida), foi recebido de maneira diametralmente oposta pelas duas principais revistas científicas da Inglaterra. Enquanto a New Scientist destacava a importância de sua pesquisa, a Nature condenava suas idéias heterodoxas.
A corrente majoritária da biologia trabalha com uma visão mecanicista da vida. Todos os fenômenos são explicados pela interação físico-química entre as moléculaso DNA é tido como resposta para todos os mistérios da vida. Mas como explicar que aglomerados de células absolutamente iguaiscom o mesmo patrimônio genético, originem organismos com órgãos tão especializadosdiferentes? Para esta concepção reducionista da biologia, o código genético do DNA coordena a síntese das proteínas,determina a seqüência exata destes aminoácidos na construção das moléculas. Os genes ditam esta estrutura primáriapronto!
Sheldrake afirma que <i>”a maneira como as proteínas se distribuem dentro das células, as células nos tecidos, os tecidos nos órgãosos órgãos nos organismos não está programada no código genético. Dados os genes corretos,consequentemente as proteínas adequadas, supõe-se que o organismo, de alguma maneira, se monte automaticamente”.</i> Assim, a modelagem dos sistemas biológicos como células, tecidos, órgãosorganismos, seria ditada por campos morfogenéticos. Um campo morfogenético é uma estrutura espaço-temporal, semelhante ao campo eletro-magnético na física, que direciona a diferenciação celular, fornecendo um roteiro para a ativação ou inativação dos genes.
Além da diferenciação celular, a regeneração de organismos simples também corrobora a hipótese dos campos morfogenéticos. Por exemplo: se cortarmos em partes uma espécie como o platelminto, cada parte se transformará num organismo completo. É como se este organismo estivesse ligado a uma matriz invisível, um campo, que permite que ele regenere sua forma original, mesmo que algumas partes importantes tenham sido removidas.
O cientista vem desenvolvendo experiências com o propósito de provar que o corpo interage com um campo mórfico,que quando se perde uma parte deste corpo, o campo correspondente permanece. Indivíduos que tiveram os membros amputados relatam que continuam a ter sensações de tatoaté mesmo dor, como se o membro ainda estivesse ali.
Os campos morfogenéticos existiriam dentrofora dos organismos vivos, tal qual o campo eletromagnético existe em torno dos imãs. Cada grupo de seres vivos estaria cercado por um campo invisível que contêm uma memória,cada animal ou planta, usaria a memória de todos os seres de sua espécie. Isto faz com que formashábitos sejam transmitidos de geração para geração. <i>”Cada espécie tem seu próprio campoem cada organismo existem campos contidos em campos. Cada um de nós está associado a um campo morfológico que preside a vida do corpo em sua totalidadeque abriga sub-campos; campos para braçospernas, campos para fígadorins, campos relacionados às células, às moléculasassim por diante…Tais campos possuem uma memória em construção que advém de formas passadas, das experiênciastipos ancestrais semelhantes”.</i> O cientista chamou de ressonância mórfica, os processos responsáveis por esta coletivização de informações, o modo como estas informações são transmitidas dentro destes campos mórficos.
Sheldrake atribui igualmente a esses campos a sensação ou sentido, que a maioria das pessoas tem quando está sendo observada por alguém fora do seu campo visual. Realizou uma extensa pesquisa com detetives, vigilantes da polícia, seguranças, etc,todos tem consciência deste fenômeno. Há relatos de seguranças de shopping que disseram que quando olham intensamente pela tela de tv para alguma pessoa que esteja furtando algo, faz muitas vezes com que a pessoa fique tão inseguradevolva o objeto roubado antes de sair da loja.
Será isto o que chamamos de sexto sentido? Estes campos morfogenéticos estariam dentrofora de nós, presentes em nossos pensamentosatitudes. Podem estar por trás do Id, podem ser o inconsciente coletivo, o TAO, Bhramaaté… o Reino dos Céus.
A ressonância mórfica é um processo básico, difusonão intencional, que articula coletividades de qualquer tipo. Sheldrake apresenta um exemplo desconcertante desta propriedade. <i>”Quando uma nova substância química é sintetizada num laboratório, não existe precedente que determine a maneira como ela deverá se cristalizar,várias formas de cristalização são possíveis. Por acaso ou por fatores circunstanciais, a matéria segue um padrão determinado de cristalização. Quando isto ocorre, um novo campo mórfico passa a existir. A ressonância mórfica gerada por estes primeiros cristais faz com a ocorrência deste mesmo padrão de cristalização se torne mais provável em qualquer laboratório do mundo”.</i> Quanto mais vezes isto acontecer, maior será a possibilidade de acontecer novamente.
O progresso na velocidade de aprendizado em situações idênticas de estímulo, tem um exemplo entre os animais que causou considerável interesse. Durante os anos 50, era prática na Inglaterra a entrega de leite engarrafado a domicílio. Numa certa ocasião, as tampas de papelão das garrafas começaram a aparecer destroçadas,a nata que se formava sobre o leite havia desaparecido. Logo descobriram que um pequeno pássaro de cabeça azul, comum em toda a Grã-Bretanha era o responsável. Os bluetits rompiam as tampas com bicadas para conseguir consumir a nata. O fenômeno começou a acontecer em toda a Inglaterra. Se acontecia uma nova ocorrência do caso bluetits numa cidade, era só esperar que a prática se espalhava nas vizinhanças rapidamente. Acontece que os bluetits são muito apegados a seu habitat natural,a disseminação deste comportamento por uma área tão grande foi a manifestação de um novo hábito independente do contato entre os indivíduos da espécie. <i>”Este exemplo demonstra a difusão evolucionária de um hábito cujo novo hábito não se encaixa em determinantes genéticas, mas antes parece depender de um tipo de memória coletiva, constituída, ou alimentada por ressonância mórfica”.</i>
Fazendo um parâmetro com a psicologia, Sheldrake disse que é mais fácil aprender o que outras pessoas já aprenderam. Pesquisadores de uma universidade inglesa provaram que as palavras cruzadas de um jornal são mais fáceis de resolver no dia seguinte à publicação do jornal.
<i>”A ressonância mórfica tende a reforçar qualquer padrão repetitivo, seja ele bom ou mal. Por isso, cada um de nós é mais responsável do que imagina, porque nossas ações podem influenciar os outrosserem repetidas”,</i> afirmou Sheldrake.
Na medida em que os procedimentos a que submetemos nossos clientes atuam numa esfera que não está necessariamente circunscrita apenas ao corpo físico, percebemos que a hipótese dos campos morfogenéticos dialoga bem com o Rolfing. O bem estar no psiquismo de quem é submetido ao Rolfing, aponta claramente para uma interação matéria/energia ou soma/psique ou até corpo/alma, muito próxima à proposta dos campos morfogenéticos existentes em torno dos seres materiais proposta por Rupert Sheldrake. A afirmação da Dra Ida Rolf de que <i>”o homem é um campo que se estende no espaço”,</i> sublinha essa aproximação. Esse artigo pretende levar os leitores a uma reflexão aprofundada desse tangenciamento entre as duas propostas.

Links consultados:

<a href=’http://www.sheldrake.org/homepage.html’ target=’_blank’>http://www.sheldrake.org/homepage.html</a>

<a href=’http://ligiacabus.sites.uol.com.br/traducoes/sheldrake00.htm’ target=’_blank’>http://ligiacabus.sites.uol.com.br/traducoes/sheldrake00.htm</a>

<a href=’http://pt.wikipedia.org/wiki/Rupert_Sheldrake’ target=’_blank’>http://pt.wikipedia.org/wiki/Rupert_Sheldrake</a>

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