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Vôo da Águia

Kevin Frank é Rolfista Estrutural Avançado e de Movimento. Tem ministrado workshops no Rolf Institute® e escrito extensivamente sobre movimento e Função Tônica, o modelo de Integração Estrutural proposto por Hubert Godard. É co-fundador com Caryn McHose do Resources in Movement (www.resourcesinmovement.com) que oferece workshops e classes em abordagens perceptivas para integração e conscientização.
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Kevin Frank é Rolfista Estrutural Avançado e de Movimento. Tem ministrado workshops no Rolf Institute® e escrito extensivamente sobre movimento e Função Tônica, o modelo de Integração Estrutural proposto por Hubert Godard. É co-fundador com Caryn McHose do Resources in Movement (www.resourcesinmovement.com) que oferece workshops e classes em abordagens perceptivas para integração e conscientização.

O Exercício no Contexto da Prática da Integração Estrutural

A Integração Estrutural (IE), desenvolvida por Ida Rolf, ajuda as pessoas em suas variadas questões músculo-esqueléticas. Elas incluem (mas não estão limitadas a) estabilidade das costas, contra- lateralidade no caminharalívio de problemas nas cinturas escapularpélvica. A IE atua principalmente liberando fixações na fásciana percepção. Cada profissional traz para seu trabalho sua própria combinação de outros métodos. Também recomendam com freqüência que seus clientes participem de atividades de cuidados pessoais tais como Continuum, Yoga, Pilates, Tai-Chi, Psicoterapia, SE,assim por diante. Exercícios de cuidados pessoais podem reforçar os benefícios das sessões de Integração Estrutural. No entanto, alguns tipos de exercícios podem ser contraproducentes. Como poderíamos clarificar o que constitui um exercício construtivo?

Os profissionais de IE têm se utilizado de descobertas recentes de reabilitação de dores nas costas para melhorar o programa de cuidados pessoais de seus clientes. O campo da IE tem se beneficiado da pesquisa sobre dor nas costas feita por Gracovestsky, Richardson, Leeoutrosi. Godard integrou esta pesquisa em suas aulasFrankNewtonii escreveram sobre como esta pesquisa pode ser adaptada na prática da IE. Esta informação torna possível identificarcorrigir falhas na estabilização,assim os clientes de IE podem reconquistar seu funcionamento saudável de forma mais plena. O modelo da função Tônica de Godard incorpora este ponto de vistaiii. Além disso, Godard identificou as habilidades perceptivas para ajudar os clientes de IE a recuperarem sua função estabilizadora.

Este artigo descreverá um exercício-solução para clientes, no qual estão reunidas a sabedoria da IEa abordagem da função tônica. Esta abordagem ensina os clientes a ativarem seus sistemas de estabilização usando habilidades perceptivas. Assim eles podem descobrir que a coordenação melhora através do uso estratégico das impressões sensoriaisda orientação.

Pacote de Benefícios da I.E.

A Integração Estrutural é feita tipicamente através de uma série de dez ou mais sessões. A série de dez propicia a liberação estratégica da estrutura física (fáscia). Também traz informações perceptivas: o toque prolongadolento comunica-se com o mapa corporal do cliente. Na medida em que o cliente é capaz de sentir uma anatomia mais diferenciada, ele é capaz de exibir um movimento diferenciado. Por exemplo, sentir os ossos ajuda a melhorar o mapa corporal porque os ossos têm peso, articulam-seocupam espaço. Os ossos podem definir percepções de direção. A coordenação do movimento melhora com a atenção ao peso, articulação, espaçodirecionalidade.

Para alguns clientes isto é o suficiente. Uma série completa de dez sessões associada ao movimento oferece bem-estar de maneira duradoura para muitos. Para outros, no entanto, dores nas costas, nos quadrisconstrições nos ombros podem persistir, mesmo que o cliente seja saudávelesteja motivado. Exercícios como os citados acima podem ser um recurso essencial para estes clientes.

No entanto, a questão permanece: se alguém fosse capaz de inventar um exercício para reabilitar a estabilidade do coreresolver dores crônicas das costas/ quadris/ombros, que exercício seria este? Que qualidades gostaríamos de ganhar através deste exercício?

Um exercício ideal não só melhoraria a habilidade para realizar tarefas desafiadoras, mas também integraria o trabalho da I.E. nas atividades comuns do dia-a-dia, como por exemplo, caminhar. O exercício deveria poder ser praticado em qualquer lugar, sem equipamento especial. Deveria ser um exercício que o cliente pudesse ser capaz de fazer com sucessogostasse de praticá-lo. O exercício deveria oferecer uma sensação nova, uma sensação de ganho de força com menos esforço. O exercício também deveria funcionar globalmente, no corpo todo.

Que tipos de exercício queremos evitar? Exercícios que reforcem hábitos de esforçoentravamento não são úteis. Por exemplo, se a pessoa é instruída a ‘estabilizar’ com seu abdômen, esta linguagem reforça a orientação para o esforço. Isto leva ao recrutamento inapropriado do reto abdominal, do aspecto posterior do assoalho pélvicotambém ao recrutamento muscular que diminui a saúdea estabilidade das costas. Um exercício útil irá, por contraste, orientar o cliente para o espaço, para a sensação de pesopara impressões sensoriais nas extremidades. Resumindo, um exercício útil irá focar no fortalecimento da percepção mais do que na força física no sentido convencional.

Há mais ou menos quatro anos, fui apresentado a uma seqüência de movimentos que provou ser de grande ajuda. No início, não compreendi totalmente seu valor. Minhas primeiras experiências com esta seqüência não foram nada inspiradoras. Quando a ensinava, os alunos não demonstravam entusiasmo. Apesar disso, persisti em praticá-loensiná-lo. O que me levou a isto foi ouvir minha companheira dizer que sentia prazer fazendo a seqüência. Eu pensava que se ela gostava muito de fazer a seqüência, eu estava provavelmente perdendo algo. Nos últimos tempos, o processo de ensinar este exercício aos clientes de I.E. trouxe resultados positivos, o que me ajudou a perceber o valor de aprender melhor este movimento.

Vôo da Águia

Hubert Godard usou a seqüência da yoga, comumente chamada de ‘saudação ao sol’ em suas primeiras aulas nos EUA. Mais do que uma série de poses, ele enfatizava a permissão do fluxo do movimento. A saudação ao sol ajudava no aprendizado da orientação espacial, da distribuição do pesoda relação das mãosdos pés com a coluna.

Mais tarde, Godard parou de ensinar a saudação ao sol, porque sentiu que sua execução era difícil para muitos alunos. Introduziu uma seqüência de movimentos que chamou de ‘Vôo da Águia” e, desde então, tem ensinado esta seqüência em muitas classes. O Vôo da Águia era mais fácil de se fazer do que a saudação ao sol – não exigia uma variedade tão grande de amplitude de movimento ou tanta flexibilidade. Além disso, o Vôo da Águia ajuda as pessoas na Integração Estrutural por trabalhar com algumas questões de percepçãoestabilização importantes para o protocolo das dez sessões.

Aprendendo o Vôo da Águia

Você precisa de um banco ou uma mesa baixa para colocar suas mãos(1) . A borda de uma banheira também serve. Parapeitos, grades baixas ou paredes em aeroportosshoppings também funcionam. Uma árvore caída ou uma rocha também funcionam.

Você começa ficando de quatro. Seus pés no chão estão separados um do outro na mesma distância de um ombrooutro. Suas mãos estão sobre o banco, ou equivalente. Seus pés estão abaixo de suas nádegasalinhados com elas. Suas pernas estão esticadas. Seus braços estão esticados, de forma que suas mãos ficam aproximadamente a 30 cm de sua cabeça. Veja a figura 1.

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Foto por John Hession
Figura 1. As flechas duplas indicam que as mãosos pés estão tanto recebendo sensação como estão pressionando. As flechas simples indicam vetores de direção do espaço, que a pessoa está aprendendo a sentir.

Comece o movimento percebendo o background(2) do que você está preste a fazer.

Tome um tempo para se orientar pelo peso. Perceba aonde seu corpo pode carregarsentir peso. Perceba sua orientação para o espaço, os seus aspectos que sentem o espaço circundante. Cada vez que você inicia, este ‘pré-movimento’ aviva os canais sensoriais, o que ajuda a orquestrar um movimento eficiente.

Para começar o vôo da águia, encontrereceba as impressões sensoriais nos seus pésmãos. Permita que a textura, a massa, a temperatura, etc., daquilo que você está tocando seja recebido por suas mãospés. Ao deixar entrar a sensação, seu corpo começa a perceber o próprio contexto mais profundamente. O fluxo da sensação percebida orienta o corpo para fluir no movimento.

Repare como suas mãospés pressionam na direção do chão. Repare também nos ísquios se levantando em direção ao céu. Observe seus joelhos sentindo o espaço à frente deles. Permita que seus joelhos ampliem a sensação de direção para frente no espaço até que eles se movam nesta direção, mas ainda mantendo a direção dos pés, mãosísquios. Veja a figura 2.

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Foto por John Hession
Figura 2. Os joelhos direcionaram-se para frente. As flechas simples continuam a definir a sensação dos ísquios alcançando o espaço, enquanto os pés estão empurrando o chão. Da mesma forma, as flechas saindo da cabeçadas nádegas definem a sensação destas duas direções opostas.

Amplie sua percepção dos ísquios alcançando o céuos pés em direção ao chão, até que seus joelhos se estendam. Os joelhos continuam a sentir a direção à frente. Nenhum senso de direção precisa ser perdido enquanto você amplia os outros. Veja a figura 3.

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Foto por John Hession
Figura 3. Os ísquios alcançam o céu, enquanto os pésas mãos mantêm o contato com as superfícies (bancochão), os joelhos se estendemcontinuam a sentir a direção para frente, os olhos suavizam recebendo os estímulos visuais perifericamente. O corpo se sente ativadopresente.

Renove a percepção das mãospés nas suas áreas de contatodos ísquios em relação ao espaço, até que o corpo se sinta potenteativado, totalmente presente para o espaço que o circunda. Permita que seus olhos se suavizemrecebam os estímulos visuais perifericamente. Figura 3.

Modifique ligeiramente seu contato com o solo, indo do calcanhar para frente dos pés,permita um pouco mais de pressão das mãos no banco.

Os ísquios ainda têm a sensação de alcançar o céu. A cabeça, viva no espaço, percebe todas as direções. O corpo se ergueé sustentado pelos dedos dos péspelas mãos. Veja as figuras 45.

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Foto por John Hession
Figura 4. O direcionamento dos ísquios para cimaa pressão dos dedos dos pés são suficientes para que os calcanhares se levantem,para que o tronco se ergase movimente na direção das mãos.

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Foto por John Hession
Figura 5. As mãosos dedos dos pés sentempressionam suas superfícies de contato,a coluna é sustentadaavança em direção ao céu.

Continue erguendo-setransferindo o peso para frente, dos pés para as mãos. Agora seu peso está principalmente em suas mãos. Apesar disso, talvez você sinta seu tronco erguido por alguma ?outra? força, que não a sua.

Renove a sensação de suas mãos no bancodepois o empurre, obtendo o máximo contato da pele de seus dedospalmas das mãos com a superfície. O pressionar das mãos deveria pressionar a coluna para trás, soltando os segmentos da coluna para emergirem atrás de você. Veja figura 6.

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Foto por John Hession
Figura 6. As mãosdedos dos pés estão sentindopressionando, dando suporte para que a coluna possa alongar-se para frente.

Pressionar suas mãos também irá permitir que você amplie a pressão dos pés nos chão. Pressionar as mãosos pés ao mesmo tempo, permite a coluna parecer-se como uma mola curvada, na medida em que ela é forçada para fora na sua face convexa. Figura (6).

Sinta a sua coluna como uma mola arqueada. Sinta as mãosos péso contato deles com o bancoo chão. Perceba um amplo senso de espaço ao seu redor.

Na medida em que você pressiona um pouco mais suas mãos, você irá devolver peso para seus pésaterrissar de volta em toda a extensãoamplitude de seus pés. Veja a figura (7).

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Foto por John Hession
Figura 7. As mãos pressionam mais o banco devolvendo peso para seus pés.

Repita o processo de restabelecer o contato das mãosdos pés com as superfícies,também a direção dos joelhosísquios no espaço. Levante seu peso sobre seus artelhos ampliando o direcionamento de seus ísquios para o alto.

Quando você tiver se erguido para cimapara frente, sobre suas mãos, deixe que seus joelhos desçam em direção ao chão, mas sem tocá-lo. Você vai ficar como a figura (8).

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Foto por John Hession
Figura 8. Você está apoiado em suas mãospés, mas seu corpo fica pendurado, como uma rede frouxamente convexa em sua parte anterior. Veja a figura 9.

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Figura 9. Foto por John Hession

Agora, ative novamente a impressão sensorial em suas mãos novamente. Você irá renovar sua impressão sensorial muitas vezes,este é o momento de sentir o poder que isso tem.

Com a impressão das mãos sentindo o banco, pressione-o bem forte, de forma que toda a área da superfície das mãos fique ativadafaça contato com o banco. Enfatize a pressão na ponta dos seus dedosdepois continue a enfatizá-la ao longo dos dedos. Veja se é possível conectar a sensação dos dedos às vértebras cervicais ao começar a seqüência através da coluna. Veja a figura (10).

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Foto por John Hession.
Figura 10. Este é o começo do movimento de pressionar os dedos para erguer as vértebras cervicais para cima. Os dedos dos pés também estão sentindoempurrando.

Pressione seus dedos dos pés no chãopermita que sua coluna articule as vértebras iniciando com o Atlasem seguida, vértebra por vértebra, indo do topo para a base. Veja a figura (11).

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Foto por John Hession
Figura 11. Continuando a usar a pressão dos dedosda mão para articularerguer os segmentos da coluna.

Permita que cada segmento da coluna percebaregistre sua própria sensação, de ‘para o alto’se erga em direção ao céu enquanto as mãosos pés dão o chão. Veja figura 12.

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Foto por John Hession
Figura 12. Aqui, você continua a relacionar as mãosdedos dos pés com a elevação da coluna.

Permita que suas mãos devolvam a coluna diferenciada para os pés, que agora autorizam o retorno da carga para os calcanhares. Você conseguiu esboçar as formas básicas do Vôo da Águia. A forma fornece o contexto para você aprender sobre o sistema de estabilização do corpo.

Contrastando os Estilos de Movimento ConcêntricoExcêntrico

Tente fazer este exercício de duas maneiras. Para sentir a ‘versão concêntrica’, faça o movimento com o abdômen intencionalmente contraídopensando conscientemente sobre ‘ficar forteestável’. Este é um estilo mais concêntrico porque o corpo parece contrair-se. Os músculos centrais são recrutados conscientemente tornando-se rígidos na apresentação do movimento. Descanse um poucocaminhe um pouco. Depois torne a fazer o movimento da primeira maneira descrita, com as mãospés fazendo contato com o chão, com os ísquiosos joelhos encontrando um sentido de direçãoo corpo todo se sentindo vivo para o espaço. A percepção da sensação possibilita que o corpo se alongue em movimento. O movimento que enfatiza o alongamento pode ser chamado de excêntrico, uma vez que o corpo parece se alongar desde o seu centro.

Alterne os dois estilos. Repita o suficiente para sentir o contraste. Se você sentir as respostas contrastantes em seu corpo, você poderá ganhar um insight sobre o mecanismo da estabilização do core. Pensar sobre estabilização propicia uma forma de estabilidade, mas com rigidezencurtamento – uma perda de capacidade de adaptação. Engajar a percepção da sensação das mãospéssentir o pesoa orientação espacial evoca uma estabilidade que é econômicaadaptativa. O corpo se sente forte e, muitas vezes, milagrosamente livre de esforço.

O Vôo da Águia, Capacidade Adaptativa do Tronco

O Vôo da Águia nos ensina que a coluna pode fletirestender, dobrar-se para frentepara trás, ao mesmo tempo em que permanece flexívelforte. Nossa coluna muda da forma lordótica para uma forma mais cifótica, sem a contração do abdômen no sentido convencional. O abdômen pode erguer-se ou contrair, a curva das costas pode mudar de côncava para convexa – e, no entanto, não estamos pensando em fazer nada com a parede do abdômen. A protuberância reveladora do músculo reto abdominal não aparece. O arco costal não é puxado para baixo. A camada profunda da parede do abdômen – o músculo transverso abdominal – é ativada para contrair-se porque o corpo sente uma solicitação para a estabilização. Como resultado, as mãosos pés estão dizendo: ‘Tronco, dê-me suporte para que eu possa empurrar o chãoo banco com grande vigor e, ao fazer isso, eleve o corpo no espaço’.

A lordose normaliza-se naturalmente através do contato ativo com o mundo. Porém, a estabilização da coluna é interrompida depois de machucaduras nas costas. A capacidade natural do corpo de estabilizar a si mesmo deve, portanto, ser restaurada. O Vôo da Águia é uma maneira de reavivar a capacidade natural de estabilização.

O Vôo da Águia também nos ensina que o tronco é estabilizado pelos estabilizadores dos ombros – o músculo serrátil anterior, que é parte do sistema estabilizador do corpo. A escápula move-se anteriormente sobre a caixa torácica através da ação de encurtamento do serrátilalongamento do rombóide. No exercício do Vôo da Águia, o serrátil é essencial por empurrar o tronco (e a coluna) para o espaçoapanhá-lo novamente quando ele baixa em direção ao solo. A percepção da sensação nas mãos estimula o recrutamento do serrátil. Quando ativamos o serrátil, facilitamos a ativação de outros estabilizadores, tais como, o transversoos multifídeos. ‘Ligar’ os estabilizadores intrínsecos do ombroda parte superior do tronco torna mais fácil a ativação de outras partes do sistema de estabilização.

A Experiência do Cliente

Vários clientes meus têm aprendido o Vôo da Águia. Estou impressionado com os resultados. O relatório de um deles é suficiente para mostrar como um exercício baseado na percepção desempenha um papel no processo da IE.

Vou chamar meu cliente de Bob. Ele procurou ajuda por causa de um episódio de dor aguda nas costasalgumas limitações.

No início, o trabalho típico da IE (com fásciamovimento) ajudou, mas não foi suficiente para devolvê-lo às atividades normais. Eu havia trabalhado com Bob em várias ocasiões no decorrer dos últimos 15 anos. Ele gostava do trabalho de IEachava que as dicas sobre função tônica eram especialmente proveitosas. Por exemplo, ele relatou que andar de bicicleta apenas sentindo duas direções em sua coluna aumentava seu ritmo, sem qualquer esforço adicional. As duas primeiras sessões com Bob trataram de estabelecer suporte nos membrosde relacionar o movimento da coluna com as extremidades. Eu uso uma parede no final da minha mesa, de forma que sempre existe uma oportunidade para o movimento começar a partir dos pés.

Eu também ensinei Bob a ativar o recrutamento do transverso, em supino, em pronoem pé, a partir do pressionar os pésas pernas na mesa. Depois que ele aprendeu a estabilização básica a partir dos membros, eu ensinei o Vôo da Águia. Na primeira tentativa do exercício, ele se surpreendeu com a vivacidade que sentiu nas mãoso conforto nos seus ombros. Ele fez os seguintes comentários depois de praticar o Vôo da Águia por várias semanas:

-Com um pouco de Vôo eu pude me inclinar (para frente) pela cintura (sem dificuldade)3. É bom alongar os isquiotibiais sem ter que focar neles. Algumas vezes você não sabe onde colocar seus ombros, onde colocar seu corpo. Esse exercício cuida disto. Parece um ‘guia’ para sua colunavocê sente que ela está conectada às suas pernas. Você se sente jovem novamente. Tudo está em seu devido lugar, diferente daquela coisa de homem idoso (ele imita a postura de alguém curvado por conta de uma dor nas costas ou da idade). Quando a coluna vai para frentepara trás parece que estamos ‘limpando’ a coluna. É como um fole, com a frente da coluna inflandoesvaziando,depois, a sua parte de trás, inflandoesvaziando. Tudo fica limpo. Apoiar ao mesmo tempo nos pésnas mãos permite que eu transfira meu peso com confiança. Tem-se uma sensação do quanto é fácil ir para esta posição.

A atividade estabilizadora é uma dinâmica do sistema. Precisamos saber como ‘ligar” este sistemasentir qual a sensação ao fazê-lo. Ligar o sistema é uma conseqüência natural do compromisso sensorial com o meio ambiente, com a terrao céu, com trincosgalhos de árvores, com animais, pessoas, plantaságua. O engajamento sensoriala orientação para o mundo que nos cerca estimulam o sistema de estabilização do corpo. Este é um aspecto da herança do Rolf que está articulado no modelo da função tônica.

O Vôo da Águia (Parte II)

Depois de ganhar certa confiança com a primeira seqüência, seguem-se alguns passos adicionais.

Comece com a postura básica: pés no chão, mãos no banco. Leve um pé para frente, perto do bancoo outro para trás, de forma que a perna se estenda completamente, tendo os dedos do pé fixos no chãoo calcanhar no ar. Veja figura 13.

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Figura 13. Foto por John Hession

Com a mão do mesmo lado da perna estendida (para trás) alcance o espaço à sua frentepara cima. Alcance o espaço atrás de você com o calcanhar enquanto sua mão se dirigealcança o espaço à sua frentepara cima, mantendo, durante todo o tempo, seu pesosua estabilidade com a outra mãoo outro pé, que estão no bancono chão, respectivamente. Desta forma, um lado do seu corpo é fortemente alongado ao colocar toda frente alcançando o espaço em duas direções. Veja figura 14:

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Foto por John Hession
Figura 14. Mãopé definem as direções opostas do alcançar através do espaço. A outra mãoo outro pé dão suportecontato.

Transfira o peso para a mãoo pé de apoios. A perna que está estendida para trás permanece esticadase eleva no ar. A sua mãobraço estendidos estão alinhados com a perna estendida para trás. Você está num momento contralateral(4). Você está sendo sustentado por sua mão no bancopor seu pé no chão. Também está sendo sustentado pela perna que está estendida, pelo calcanhar que alcança para trássua mão estendida, que se dirige para o espaço. Sua cabeça é outro membro que alcança o espaço. Seu corpo é sustentado por um conjunto de vetores direcionados para o espaçopara o chão. O suporte significa que a coordenação do corpo está eficiente, mas com pouco ou nenhum senso de esforço. O suporte é resultado do perceberdo sentir sustentados, das orientações para o espaçode manter o peso apoiado na mãono pé que tocam o chão.

Gire externamente sua cabeça, seu tronco,a pernao braço que estão estendidos, de forma que eles se voltem para o mesmo lado. Você estará como na ilustração da figura (15).

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Foto por John Hession
Figura 15. O corpo é sustentado pelo contato com o chãopelos vetores em todas as direções no espaço.

Então, transfira o apoio para a mão opostagire o tronco, a cabeçaa perna para virar-se para a direção oposta. Veja figura (16). Seu corpo está em posição homolateral(5).

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Foto por John Hession
Figura 16. O corpo é sustentado pelo contatopela orientação para o espaço, com rotação do quadrilmão para o lado oposto.

Ficar de pé sobre uma perna pode tornar-se mais simplesfácil se você mantiver as duas mãos no banco enquanto girar o quadril de um lado para o outro. Apesar da menor demanda física, o desafio de manter a percepção é semelhante,a forma é igualmente eficaz. (Veja as figuras 1718).

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Foto por John Hession
Figura 17. Você mantém as duas mãos no bancogira o quadril, primeiro para um lado, mantendo a percepção de todas as direções.

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Foto por John Hession
Figura 18.Bob relatou posteriormente: ?É surpreendente como o corpo se acalma quando você sente a suspensão do “homem aranha’ no espaço, em diferentes direções, em todo o seu derredor. E todas as vezes que você se move, você realmente tem que começar com os lugares que estão tocando o chão. Mover-se desta maneira ‘energiza’ você.

Este homem está perto dos 50 anostem tido dores nas costas desde os sete anos de idade, apesar de ser bem ativo. Sua vida girou em torno dos esportes. Na universidade ele competiu no lançamento de dardo. Durante os últimos 15 ou 20 anos, ele trabalhou como construtorpedreiro. Também tem sido um praticante sério do ciclismo. Ele é um homem grande. A fáscia de Bob parece ser apenas gradualmente responsiva à manipulação. Usando o Vôo da Águia, junto com algumas instruções preliminares sobre estabilização, ele estava recuperando suas costas de uma nova maneira. Mais tarde, ele relatou que nunca tinha sentido suas costas tão fortes. E foi mais além:

-Eu precisava dobrar os joelhos quando me curvava para frente para alcançar os meus pésagora, não preciso mais. Eu sinto relaxamento. Sinto a sensação de que existe ar nas costas, uma sensação agradável, como se tivesse um tipo de produto mentolado na minha lombar.

As minhas observações sobre Bob incluem o seguinte: o Vôo da Águia mudou sua maneira de caminhar. Conforme ele andava, a parte superior do seu troncoombros apresentava uma contra rotação natural com a parte inferior do tronco, com uma amplitude maior de movimentotambém mais solta na musculatura superficial. O empurrar dos dedoso aterrissar dos pés estavam mais articulados, a aterrissagem exibindo um retardamento momentâneo combinado com uma extensão maior do joelho. A extensão dos quadris aumentou. Estes sinais de qualidade podem ser produtos de uma variedade de intervenções fasciaisde percepção. No caso de Bob, a intervenção foi fazer o Vôo da Águia. A melhora foi maior do que com outras intervenções de IE. Além disso, em minha opinião, as descobertas sobre si mesmoo apoderar-se de si mesmo foram fatores chave para o Bob se beneficiar com esta abordagem.

Objetivos da Integração Estrutural

Ida Rolf afirmou que a integração estrutural é mais um objetivo do que uma técnica. Este objetivo pode ser atingido de diferentes maneiras, desde que falem ao potencial de auto-organização dos seres humanos. Apesar de existir uma variedade de protocolos de dez sessões para realizar a integração estrutural, estes protocolos não definem os seus objetivos.

Qual é o objetivo da IE, em termos de mudança funcionalexperiência do cliente? Que tipo de linguagem captura a essência da visão de Ida Rolf? Jeff Maitlandiv cunhou o termo ‘palintônico’, ‘unidade de opostos’, para descrever o alcance dinâmico que a IE tenta evocar. A idéia de palintonus nos faz lembrar que a biologia humanao movimento estão programados para responder automaticamente,algumas vezes de forma surpreendente, à gravidade.

A teoria da função tônica articula a ligação entre movimentoresposta gravitacional. É um modelo funcional para a IE que começa por considerar a orientação gravitacional. O movimento integrado começa com a otimização da orientação para o pesopara o espaço. A orientação otimizada auxilia na regulação da lordose, na estabilidade do corena melhora da caminhada contralateral. A orientação otimizada também resulta em forçaeficácia no dia-a-dia, com uma sensação diminuída de esforço. O Vôo da Águia é um exercício que sustenta estes objetivospode enriquecer um programa de IE.

1. Acho que colocar um tapetinho de borracha no chão sob os pésum tapetinho adesivo no banco, ajuda o cliente a sentir os pésa sentirver a impressão de suas mãos.
2. Background significa: 1) As condições que formam o setting dentro do qual alguma coisa é vivenciada; 2) As condições ou circunstâncias que antecedem um evento. 3) ‘Pano de fundo’. Nota da tradução
3. Esta frase é uma fala literal do cliente. Provavelmente, ele quis dizer que se inclinava com facilidade para frente pela coxo-femural. Nota da tradução.
4. Contralateral porque, como no caminhar normal, o braço vai para frente no mesmo lado em que a perna vai para trás.
5. Homolateral, porque, diferentemente do caminhar normal, o braço vai para frente quando a perna do mesmo lado também vai para frente.

Referências:

A maior parte das referências citadas pode ser acessada ou descarregada ao se visitar o website do Resources in Movement: www.resourcesinmovement.com

Gracovetsky, S. The Spinal Engine. New York: Springer-Verlag, 1988.

Gracovetsky, S. ‘Analysis and Interpretation of Gait in Relation to Lumbo-pelvic Function” 4th Interdisciplinary World Congress on Low Back Pain and Pelvic Pain, Montreal, Nov. 2001.

Lee, D. ‘An Integrated Model of Joint Function and Its Clinical Application’. 4th Interdisciplinary World Congress on Low Back Pain and Pelvic Pain, Montreal, Nov. 2001.

Richardson, C., Jull G., Hodges, P., and Hides, J. Therapeutic Exercise for Spinal Segmental Stabilization in Low back Pain. New York: Churchill and Livingstone, 1999.

Frank, K. ‘The Relationship of Contralateral Gait and the Tonic Function Model of Structural Integration: Working with Coordinative Structure’. Structural Integration: Journal of the Rolf Institute®, Rolf Institute®, Boulder, CO. Dec. 2003.

Newton, A. Core Stabilization, Core Coordination. Structural Integration: Journal of the Rolf Institute®, Rolf Institute®, Boulder, CO. Dec. 2003.

Frank, K. “Tonic Function Gravity Orientation as the Basis for Structural Integration”. Hellerwork Newsletter, April 2004

Frank, K. “Tonic Function: A Gravity Response Model for Rolfing Structural and Movement Integration”. Rolf Lines, Rolf Institute®, Boulder, CO. March, 1995.

Maitland, J. “The Palintonic Lines of Rolfing”. Rolf Lines. Rolf Institute®. Boulder, CO, Jan./Beb. 1991.

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