Eles São os Únicos em Seus Estados, mas Atuantes, Criativos e Antenados

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Year: 2010
Associação Brasileira de Rolfing

Rolfing Brasil – 08/2010

Volume: 10

Sabemos que, ao abraçar a profissão de rolfista, fizemos uma opção ambiciosa, por conta da seriedadeda qualidade inerente ao nosso trabalhotambém desafiadora, em razão de seu pioneirismo. Se isto acontece em São Paulo, que abriga a escola de formação de Rolfing no Brasilonde convive a maior parte dos profissionais brasileiros, imagine como será o desafio de trabalhar sozinho no Espírito Santo, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Maceió, Rio Grande do Sul ou Amazonas?

Foi pensando nisso que abrimos espaço, nesta edição do Rolfing Brasil, para alguns heroicos rolfistas que desempenham essa atividade quase solitários, porque afastados do núcleo da ABR, por questões geográficas. Ainda bem que estamos na era da internet, quando um clic reúne pessoasresolve encurtar qualquer distancia. E foi por essa ferramenta que contatamos alguns desses colegas.

Pode se cogitar que a única vantagemnão ter concorrência. Mas, isolado, esse profissional tem de ser mais energizado, criativobem informado. Alem disso, também tem de ser marqueteiro, porque se Rolfingpouco conhecido aqui em São Paulo, da para supor como será nas cidades mais distantes do País. E o fato de o Rolfing ser pouco conhecido, quem sabe ate por falta de uma divulgação mais efetiva da marcado trabalho terapêutico, que encontra unanimidade entre esses colegas distantes.

“Falta um link com reportagens nacionais, o Rolfing aindapouco divulgado nacionalmenteisso da muito trabalho para se ter cliente”, aponta Katia Denise Schardong, que mora em Campo Grande, MS. Ela ainda conta que depois de participar de alguns programas de TV, radio,de divulgação em jornais, distribuição de folhetos,feito algumas palestras, o método passou a ser razoavelmente conhecido.

“Poucos ouviram falar de Rolfing aqui na região, a maioria soube através de minha divulgação em entrevista de radio. Também obtive um bom retorno com outdoor, já utilizei umas três vezes em quatro anos,o boca a boca, principalmente”, escreve Igor Simões Andrade, de Manaus, AM, nosso conhecido colega da Bototerapia que já esteve ate no Fausto Silva, na Rede Globo.

“Sinceramente não ha cultura suficiente para nada…aqui. Estamos ha décadas atrás de São Paulo,ha poucas pessoas abertas a um trabalho como o Rolfing. Elas comparam o Rolfing a outras técnicas divulgadascomo a mídia não fala do Rolfing, não”pop” fazer. A onda agora, depois do RPG,Pilates, há 7 estúdios por aqui!”, desabafa Florence Germaine Tibis Lainscek, que mora em Gurupi, há 7 anos, a 3a cidade do Estado de Tocantins, com cerca de 75 mil habitantes, economicamente baseada na pecuáriaagricultura. Florence é professora de Fisioterapia na Universidade Federalconta que até lá tem resistência quanto ao Rolfing. “A visãobem mecanicista. Alguns alunos se interessam, mas aquimuito longe de tudoo retorno financeiro não compensa investir na formação de Rolfing.” Ela também afirma que fez algumas palestras no começo, mas hoje o que funcionao boca a bocaquem a procura já passou por uma serie de tratamentos diferentes para dor.

“Com a continuidade do trabalho, os clientes iniciais auxiliaram muito na divulgação boca a boca”, acrescenta Waldir Correia Prata, de Vitoria, ES. “Logo que voltei do curso de formação, em 1997, investi em outdoors em lugares estratégicos da cidade. Também sai em algumas matérias em jornaisTV local, o que deu um bom impulso inicial.”

Essa divulgação de primeira num programa de TV também impulsionou o trabalho de Thamara Barbosa, de Alagoas, Maceió. “Sou pioneira no Estado,sei da responsabilidade disso”. Ela se formou em Fisioterapia junto com o Rolfing. “Tenho recebido apoio de alguns professores da faculdade para divulgar o Rolfing em palestras, tanto para conhecimento, como especialização”. Mas acrescenta que as indicações boca a boca trazem clientes e, em sua maioria, surpreende-se ela, para o Rolfing.

MAIS CONTATOS

“Sinto falta, às vezes, de receber sessão de um colega. E também faz falta conversar com amigoscolegas de profissão em uma linguagem próxima’, conta Igor Simões. Como vantagens dessa distância, ele destaca: “Tenho de estimular em mim mesmo o crescimento do trabalho com segurançainovação”.

Disso compartilha Waldir Prata, quetambém professor de tai chi chuan: “a dificuldade faz desenvolver habilidades inerentes ao processo de adaptaçãofortalece. Ao longo do trabalho percebi que para manter o trabalho num bom nível eu precisava manter a criatividade a flor da peleousar, não só seguir o script. Para isso, precisava manter-me num nível satisfatório de energiavitalidade.” Mas acrescenta: “às vezes sinto falta de trocar sessões com algum colega, o que me auxiliaria muito pessoalmenteprofissionalmente.”

Florence também sente essa lacuna. “O que mais sinto faltapoder conversartrocar ideias, falar a mesma linguagem, issomuito frustranteme entristece. Costumo ler o Rolfing Brasil, na realidade aguardo ansiosamente.” Katia tambémapreciadora dessa leitura. “Acho bem-feito”, diz ela, que lembra que quando atuou em Brasília havia mais colegaspor isso acha que o Rolfing era mais conhecidodivulgado.

COMO SE MANTER

“Atualmente meus recursos São corridas, alongamentos, tai chi chuanchi kun, meditaçãomuito contato com a natureza”, conta Waldir Prata. “Vitoriauma cidade linda com praias maravilhosasmontanhas. Estou livre do estresse diário do transito, por ter um espaço anexo a minha casa”, diz. Ele conta ainda que se atualiza nos workshops de educação continuada. Às vezes também solicita algum material audiovisual a ABR.

Thamara esta atribulada com as novas atividadessem tempo para dar mais atenção as suas atividades corporais. Mas esta atenta a reciclagensesteve recentemente em São Paulo, no workshop “Biomecânica com Atitude”, de Monica Caspari. “Minha metamanter este contato no mínimo duas vezes por ano. Sinto falta de grupos de estudos, apesar de os professores da ABR,os colegas me ajudarem quando necessário. O e-mailuma ferramenta importante para quem esta longe.”

Florence alega que perdeu os contatos por e-mail. Costuma ir para a academia. “Capricho nos alongamentos, já fiz sessões de RPG, mas sinto muita falta do trabalho de Rolfing em mim. Às vezes troco com colegas que fazem massagem relaxante!” Fora lecionar, atende pacientes de dor crônica, posturauroginecologia. Mescla muitas vezes seu trabalho com sua experiência em neurologiaas dezenas de técnicas existentes na Fisioterapia. “No Rolfing, sigo os mesmos protocolos de sempre: fotos, anotações. Quando há dúvidas vou estudar!”, diz.

Mesmo procedimento segue Thamara, que anota evolução, resultadosas sensações dos clientes. Katia também escreve todos os casos,conversa com outros profissionais de Rolfing ou fisioterapeutas, médicos ortopedistas, quando necessário.

Igor Simões, que também é fisioterapeuta, leva o seu dia atendendo crianças no Projeto de Bototerapia. Também costuma aplicar o que conhece em outros pacientes, muitos com dor,anotar os casos, fotografarler o Rolfing Brasil. Acabou de fundar uma ONG, o Instituto Anahata de terapia assistida para animais. “Já tenho alvarátudo mais.”, diz ele, feliz. Naturezao que não falta por lá. Igor Simões diz que para se autorregular, medita, corre, vai a cachoeiras, nada com os botos, fica só, cria muitos movimentos variados com a capoeira angolaexperimentação com eixos.

Katia recorre a massagens semanalmente, acupuntura, reike ou alguma outra técnica energética. “Pratico chi kun, musculaçãoioga. Faço caminhadas, alongamentos ou exercícios energéticos em casa, como os ritos tibetanos, ou tensigridade (passes mágicos). Costumo utilizar outra técnica que estou desenvolvendo de massagem com os pés, o Rossiter System. E, desde o ano passado, trabalho também como Coach.”

Alguns não conseguiram mandar o seu depoimento a tempo, como o Paulo Tremea de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, que reclama de seu isolamento. “Cursos só em São Paulo, professores estrangeiros ficam por aí. Aqui, não tem com quem se trocar sessões, estudar, enfim não há intercâmbio, outro profissional para as pessoas poderem ter opção. Assim, se perde em qualidade, estímulomesmo em divulgação”, desabafa o gaúcho, que tem um vizinho distante no mesmo Estado, Hermann N. A. Ulrich, em Gramado, que também não conseguiu participar desta vez.

Mas, mesmo distante, Paulo Tremea já organizou em Porto Alegre, junto com a ABR, dois cursos completos de Liberação Miofascial, para profissionais das áreas de Educação FísicaFisioterapia, o que viabiliza, para breve, a organização de uma classe de Rolfing naquela cidade.

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