Conceitos básicos na teoria de Hubert Godard•

Acostumamo-nos a descrever nossa experiência em nosso trabalho como rolfistas usando um vocabulário específico (core, movimento intrínseco, alcance, linha, pernas em X ou O, internos e externos). Ainda que para um grupo de pessoas que interagem entre si seja natural desenvolver um jargão que vai ao encontro das necessidades do grupo, isso também pode esconder áreas de confusão, nossas abstrações subterrâneas: mesmo entre nós, não concordamos claramente sobre os termos que utilizamos.
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Pages: 1-20
Year: 1995
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Acostumamo-nos a descrever nossa experiência em nosso trabalho como rolfistas usando um vocabulário específico (core, movimento intrínseco, alcance, linha, pernas em X ou O, internos e externos). Ainda que para um grupo de pessoas que interagem entre si seja natural desenvolver um jargão que vai ao encontro das necessidades do grupo, isso também pode esconder áreas de confusão, nossas abstrações subterrâneas: mesmo entre nós, não concordamos claramente sobre os termos que utilizamos.

Conceitos básicos na teoria de Hubert Godard·

Texto: Aline C. Newton

Tradução: Fábio Sayão

  1. Introdução

Acostumamo-nos a descrever nossa experiência em nosso trabalho como rolfistas usando um vocabulário específico (core, movimento intrínseco, alcance, linha, pernas em X ou O, internosexternos). Ainda que para um grupo de pessoas que interagem entre si seja natural desenvolver um jargão que vai ao encontro das necessidades do grupo, isso também pode esconder áreas de confusão, nossas abstrações subterrâneas: mesmo entre nós, não concordamos claramente sobre os termos que utilizamos.

 

Nossa atitude justifica-se, em parte, pela inadequação do vocabulário comumente disponível para descrever o que é importante em nossa visão. Isso vale especialmente para o aspecto do movimento no trabalho. Apesar de não capturar inteiramente o paradigma (w)holístico, a abordagem osteopática da mecânica espinhal nos ajudou a expressar aspectos da perspectiva estrutural. No entanto os modelos convencionais não expressam realmente a essência do movimento humano. A abordagem biomecânica enxerga o corpo apenas como uma máquina sofisticada. O modelo parte do pressuposto de que o movimento pode ser completamente entendido de um ponto de vista mecânico. Nega-se qualquer importância à experiência subjetiva. Parte-se do princípio de que os músculos têm uma função predeterminada, que será comum à maioria das pessoas. É dado como certo que o estudo dos músculos individuais ou dos grupos musculares gera um entendimento do todo. O ambiente de laboratório é aceito sem questionamento, sem se considerar de que modo ele poderia influenciar os resultados da pesquisa. Essa visão não faz jus à nossa experiência de trabalho de movimento com nossos clientes, por isso nós a temos evitado.

 

Como rolfistas, trabalhamos no campo do corpo na gravidade. Ao mesmo tempo, enxergamos nossos clientes como seres completos com uma história emocional, psicológicafísica que se revela em cada gesto. Caso isso não seja considerado na prática clínica, nosso trabalho de movimento não terá resultados. A experiência nos mostra que liberar restrições estruturais não resulta necessariamente em mudança no padrão de movimento. Tampouco a educação de movimento é simplesmente uma maneira de mostrar ao cliente um jeito melhor, ou de fazer com que o cliente repita mecanicamente um novo sequenciamento motor. Na prática clínica nós descobrimos que os padrões de movimento podem ser modificados pelas mudanças na percepçãona consciência sensorial. Também na prática clínica, é uma experiência comum que nosso trabalho leve a mudanças psicológicas e

 

  • O texto original, “Basic concepts in the theory of Hubert Godard”, foi publicado na revista Rolf Lines, edição de março de 1995, p. 32-43. Pode ser encontrado online no site da autora em: http://alinenewton.com/pdf- articles/basic-concepts.pdf [N. ]

 

comportamentais. Tudo isso acontece enquanto priorizamos a melhora da relação do corpo com a gravidade.

 

Se não quisermos adotar os modelos convencionais para estudar movimento, precisaremos ser capazes de oferecer uma alternativa bem articulada. Precisamos ser capazes de descrever nossa perspectiva em palavras que façam uma ponte com o mundo convencional, ao mesmo tempo preservando a sutilezaoriginalidade de nossa experiência. Necessitamos uma teoria articulada para validar nossa experiência, para avaliar nossas teoriaspara ensinar novos alunos.

 

A teoria deve ser fundamentada na fisiologiase apoiar na pesquisa, mas sem partirmos dos pressupostos que formam uma visão de mundo com a qual não concordamos. Como

I.P.R. dizia, “você não pode chegar lá a partir daqui”. Para que uma teoria de movimento descreva o que observamos, será necessário incluir a biomecânica, mas também abranger os aspectos subjetivo, simbólico, perceptual, o significado do movimento no mundo do movente, assim como a influência do contexto ou do ambiente.

 

Hubert Godard, dançarino, rolfistapesquisador, apresenta esta teoria nos workshops de movimento dos quais participei ao longo dos últimos cinco anos. Godard articula a teoriaa prática do trabalho de movimento de um jeito que confere sentido às nossas experiênciasem uma linguagem que nos permite compartilhar o trabalho com o resto do mundo. Sua perspectiva é uma síntese de várias correntes de pensamento: ele a elabora a partir da filosofia, da neurofisiologia, da psicanálise, assim como do trabalho em reabilitaçãoda fisioterapia. Insights da biomecânica, da fisiologiada fenomenologia se juntam para criar um desenho clarocriativo das muitas dimensões do trabalho de educação do movimento. Sua teoria explica o que “a relação com a gravidade” significa em termos que vão além do alinhamento estrutural. Ela explica por quêcomo a experiência subjetiva não pode ser ignorada se quisermos que a educação de movimento seja efetiva.

 

Este paper é uma visão geral da teoria de movimento que Hubert Godard apresenta em seus workshops. Pretende ser uma mera introduçãovisão geral de um sistema ricocomplexo. Para realmente fazer jus à abordagem de Hubert, seria necessário muito mais desenvoltura do que estas poucas páginas podem oferecer. Espero, entretanto, que apresentar esta estrutura básica inspire questões que levem a uma série continuada de artigos.

 

Começo o paper descrevendo as premissas sobre as quais o trabalho de movimento está baseado. Essas premissas moldam a lente através da qual olhamos para o movimentotrabalhamos com os clientes. Introduzo os conceitos-chave da função tônica, as duas direções, o papel da percepçãoo fundamento neurofisiológico do movimento. Aponto algumas implicações da teoria para a prática de educação de movimento. Esboço em termos amplos algumas das relações funcionais que podem ser usadas como modelo de trabalho com os clientes. Espero que este paper seja um passo no desenvolvimento de um vocabulário que nos permita comunicar sobre o trabalho de movimento entre nóscom o mundo fora da comunidade do Rolfing.

 

  1. Função tônica

Premissas básicas – a abordagem fenomenológica

Um dos insights-chave de Ida P. Rolf é o de que o relacionamento apropriado com a gravidade é essencial para nossa saúde como humanos. De um ponto de vista estrutural, esse relacionamento é comumente descrito em termos de alinhamento. De um ponto de vista funcionalbiomecânico, a abordagem convencional tem sido estudar o movimento de diversas articulaçõeso impacto das forças sobre elas. Ambas as perspectivas carregam um tipo de objetificação, uma negação (ou desconsideração) da experiência humana. Mesmo quando a dor traz nossa atenção para uma área ou músculo em particular, ainda assim não nos experienciamos como uma coleção de impulsos nervosos, contrações de fibras musculares, ou flexões lateraisrotações. O alinhamentoa mecânica deixam de lado o efeito do que acontece no corpo/mente de um indivíduo envolvido.

 

Não somos os primeiros a considerar que a experiência humana talvez não seja adequadamente descrita pela objetificação do corpo. Essa era a ideia por trás da abordagem filosófica conhecida como fenomenologia. Os fenomenólogos queriam estudar a experiência perceptual em seu aspecto puramente subjetivo. Eles não aceitavam a divisão tradicional entre sujeitoobjeto; ao invés disso, tentaram estudar o ser humano-no- mundo, como experienciado. Para um fenomenólogo, o corpo não existe em separado do corpo como vivido. Uma pessoa não existe separadamente de seu entorno, só existe se inserida nele.

 

O que os fenomenólogos têm dito sobre isso já há anos nos círculos da filosofia começa agora a ser aplicado na fisioterapiana pesquisa motora. Edward Reed1 levou a perspectiva fenomenológica para o estudo das respostas motoras. Reed observa que o estudo do movimento é feito tipicamente nos laboratórios, sob condições artificiais. Normalmente a abordagem é isolar movimentos específicos, ou mesmo tentar isolar a ação de um músculo em específico. Reed nota que, infelizmente, o movimento estudado fora do contexto em que ocorre origina pouca coisa aplicável ao problema da reabilitação.

 

Sistemas de ação

Como os fenomenólogos, Reed aponta que o movimento dos organismos sempre ocorre em contexto. Nunca ocorre em um vácuo, sendo sempre parte das interações complexas que permitem a vidaa sobrevivência do organismo. Reed enfatiza que os estudos em laboratório que tentam isolar os movimentos não nos dão muita informação útil. Ele sugere que, para que seja útil, o estudo do movimento deve ser considerado em termos de funções

– o que ele chama de sistemas de ação.2 A lista de Reed dos sistemas de ação humana inclui, entre outros, o sistema locomotor, que nos leva de um ponto a outro, o sistema expressivo, que nos permite verescutar,o sistema semântico, que nos permite falarrepresentar. O conceito de sistemas de ação permite que o movimento seja estudado em termos nos quais ele faz sentido: movimentos são atividades plenas de propósito3, que não podem ser reduzidas à somatória de unidades motoras individuais. Movimento é o fundamento através do qual os organismos estabelecem uma relação com o ambiente. Não

 

pode ser estudado em separado do ambiente no qual está inserido, nem separadamente de sua função naquele contexto. Desse ponto de vista (w)holístico, o estudo do movimento começa a contribuir para nosso entendimento do comportamento real, ao contrário das condições artificiais do laboratório.

 

Há muitos sistemas de ação, mas subjacente a todos, trata-se dos movimentos de deitar, sentar ou ficar em pé: são esses os movimentos fundamentais do sistema de orientação. Esses movimentos básicos nos possibilitam identificar a comidaoutros recursos que o ambiente fornece. Subjacente a esses movimentos básicos é a necessidade ainda mais fundamental de estabelecer um relacionamento viável dentro do campo gravitacional.4

 

Função tônica

Godard chama de “função tônica” a habilidade do corpo de se organizar na gravidade. A função tônica é fundamental, está na raiz de cada ação, ainda que nunca pensemos sobre ela.

 

Ela se dá a todo momento abaixo do nível da consciência. Se você estiver em pélevantar seu braço, qual é o primeiro músculo a se contrair? A maioria de nós imagina que seja um dos músculos do braço ou da cintura escapular, mas a resposta é o sóleo, um músculo- chave na manutenção da verticalidade na gravidade.5 Mesmo antes do movimento intencionado acontecer, a função da gravidade é garantida. Como o ar à nossa volta, nosso relacionamento com a gravidade é tão básico, tão fundamental, que nós raramente pensamos sobre ele. No entanto ele dá o fundamento – ajusta o tom – para cada uma de nossas açõescomportamentos. A função tônica, ou a organização tônica de um indivíduo, é aquilo com que nós trabalhamos como rolfistas, quando olhamos para o corpo em relação com a gravidade de um ponto de vista funcional.

 

Anatomicamente, a função tônica envolve as partes do corpo que funcionam para coordenar as negociações do corpo com a gravidade – cérebro, vias neurais, fáscia, fusos musculares, órgãos tendinosos de Golgimúsculos tônicos, o que poderíamos chamar de sistema tônico. O que quero demonstrar aqui é que a organização tônica particular de um indivíduo não pode ser descrita adequadamente caso não se considere muito mais que a anatomia;do ponto de vista do trabalho de movimento, a organização tônica de uma pessoa não será educada efetivamente sem uma visão muito mais ampliada.

 

Verticalidade

Para os seres humanos, estar em relacionamento com a gravidade se expressa pelo modo como ficamos eretos, ou orientados. Este é um dos aspectos essenciais de nossa singularidade como seres humanos. Nós somos fisicamente formados para ficar em pé,isso nos diferencia de todos os outros animais. De um ponto de vista fenomenológico, nossa verticalidade é fundamental para a nossa humanidade. Como Erwin Straus diz em seu maravilhoso artigo “Upright Posture”:

 

Homensratos não compartilham o mesmo ambiente, inclusive se eles compartilharem o mesmo local. O ambiente não é um palco com um cenário definido como o únicoo mesmo para todos os atores fazerem suas entradas. Cada espécie tem seu próprio ambiente. Há uma interdependência mútua entre as espécieso ambiente. O mundo à volta é determinado pela organização das espécies em um processo de seleção do que é relevante para o ciclo funcional de açãoreação. A postura em pé preestabelece uma atitude definitiva perante o mundo; é um modo específico de estar-no-mundo.6

 

Como humanos, nosso relacionamento com a gravidade é fundamentalmolda de maneira únicasignificativa nosso relacionamento com o ambiente. Straus aponta que estar ereto é mais que um simples problema mecânico. Para os seres humanos:

 

Obviamente, a postura ereta não está confinada aos problemas técnicos da locomoção. Ela contém um elemento psicológico. Ela está prenhe de um significado não exaurido pelas tarefas fisiológicas de encontrar as forças da gravidadede manutenção do equilíbrio. (p. 137).

 

Para os humanos, estar ereto é um problema com importânciasignificado; há uma dimensão simbólica. Nossa linguagem reflete isso em palavras que conectam a verticalidade com a moralidade: estar eretoem pé significa ser bom. Ainda mais fundamentalmente, a verticalidade é uma condição para nossa sobrevivência:

 

Porque a postura ereta é o leitmotiv na formação do organismo humano, um indivíduo que perdeu ou que é privado da capacidade de levantar-semanter-se em pé, depende, para sua sobrevivência, da ajuda de outros. Sem a ajuda deles, ele está fadado a morrer. Uma psicologia orientada biologicamente não deve esquecer que a postura ereta é uma condição indispensável da autopreservação do homem. (p.

139).

 

Quando trabalhamos no movimento com o sistema de orientação de uma pessoasua relação com a gravidade, estamos endereçando um dos aspectos mais fundamentais do que significa ser um ser humano. Estamos tocando no relacionamento instintivoprimordial que é tão profundo quanto quase invisível.

 

Função tônicadesenvolvimento do indivíduo

Isso é verdade tanto no nível da espécie quanto no nível individual. Straus diz:

 

A postura ereta caracteriza a espécie humana. No entanto cada indivíduo tem de lutar para fazê-la realmente sua. O homem deve tornar-se o que é… Enquanto o coração continua a bater desde seu início fetal até a morte sem nossa intervenção direta,enquanto a respiração não demanda tampouco tolera nossa interferência voluntária para além de limites estreitos, a postura ereta permanece uma tarefa ao longo de nossas vidas. Antes da reflexão ou autorreflexão iniciar, mas como se fossem um prelúdio a isso, o trabalho faz sua aparição dentro do âmbito das funções

 

biológicas elementares do homem. Ao levantar-se, ao alcançar a postura ereta, o homem deve opor-se às forças da gravidade. Parece ser sua natureza opor-se à natureza em seus aspectos fundamentaisimpessoais com recursos naturais.

Entretanto a gravidade nunca é inteiramente vencida; a postura ereta sempre mantém seu caráter de contra-ação. Ela chama por nossa atividadeatenção. (p.141).

 

Cada indivíduo deve chegar a um acordo com a gravidadea verticalidade. Fisiologicamente isso se dá pelo desenvolvimento da habilidade de controlar o movimento. Os nervosos músculos que constituem o sistema tônico – que registramrespondem ao nosso relacionamento sempre cambiante com a gravidade – esses são as mesmas vias que irão cumprir essa função básica do desenvolvimento. Esta teoria nasceu da pesquisa de Judith Kestenberg, uma psicanalista que também teve treinamento no movimento Laban. Ela descreve os padrões de movimento que se desenvolvem ao longo da infância7:

 

A explanação mais simples para as mudanças na tensão muscular é a interação entre grupos musculares agonistasantagonistas. Um fluxo livre de tensão ocorre quando os agonistas não são enfrentados com a contra-ação dos antagonistas. A constrição no movimento, chamada de fluxo vinculado de tensão, ocorre quando os antagonistas contraem juntamente com os músculos agonistas.

 

Os artelhos da criança recém-nascida se enrijecem periodicamente no fluxo vinculado. Suas pernas se atirampedalam em impulsos de fluxo livre. Um influxo de fluxo livre emergenterepentino poderá trazer seu punho para perto de sua boca,seu fluxo vinculado subsequente poderá permitir-lhe manter seu punho ali por um breve momento. (p. 196).

 

Esses movimentos formam o fundamento de interação com o meio:

 

A forma do corpo muda durante o movimento. Ele cresceencolhe, assim como faz a configuração simples da ameba quando ela estenderetrai seus pseudopodia (Laban, 1960). Nós mudamos nossa forma alternadamente crescendoencolhendo enquanto inspiramosexalamos. Nós crescemos quando ingerimosencolhemos quando expelimos o resíduo. Crescemos em direção aos estímulos prazerososencolhemos para longe dos nocivos… O crescero encolher da forma corporal são os elementos básicos do fluxo de forma. Eles alternam periodicamente… Essa alternância rítmica entre o crescero encolherseus atributos dimensionais são uma outra autorregulação altamente diferenciada. Ela proporciona uma estrutura para a interação do organismo com o meio. (p. 196).

 

O fluxo de tensãoo fluxo de forma são os fundamentos para os padrões de movimento. Godard sugere que esses padrões de movimento relacionam-se com o sistema tônico. Para um bebê, aprender a se movera andar requer o desenvolvimento do sistema tônico. Pelo aprendizado da alternância entre o fluxo vinculadoo fluxo livre na infância, o bebê desenvolve o controle sobre os movimentos que eventualmente vão levar à habilidade para ficar em pé. Mas como Kestenberg mostra, o ritmo alternante entre o fluxo vinculadoo

 

fluxo livre também serve a outro propósito, tão significativo quanto a locomoção: trata-se do primeiro sistema de comunicação.

 

Função tônicacomunicação

Kestenberg faz a mesma conexão que Straus ao reconhecer o significado dos movimentos:

 

Nós descobrimos pelos estudos do movimento que não há apenas uma correspondência entre impulsos específicosobjetos específicos, mas há também uma correspondência entre certos tons de sentimentomodos de expressão. Por exemplo, o aborrecimento é expressado apropriadamente pelo estreitamento da sobrancelha ao se fazer cara feia, enquanto o prazer do reconhecimento alarga a face no sorriso. (p. 196).

 

Os padrões básicos de movimentoexpressão permitem uma interdependência crescente que forma os fundamentos para a habilidade de comunicar. A pesquisa de Kestenberg examina o relacionamento dos padrões de fluxo-de-tensão do infante com os padrões de movimento da mãe através de cada fase do desenvolvimento. Logo cedo,

 

A nova mãe aprende de seu infantepermite-lhe aprender dela. Quando ele cresce em direção a ela, ela cresce em direção a ele, utilizando o fluxo livreajustando o grau da soltura de tensão em uma maneira finamente modulada. Quando ele encolhe um pouco, distanciando-se, ela encolhe para longe dele, utilizando o fluxo vinculado equilibradamente para assegurar que ele não perca o contato do mamilo… Mãefilho se relacionamse ajustam através de sentimentos de similaridade ou diferença, mas eles ainda não são capazes de se comunicar. (p. 199).

 

Os padrões de fluxo de tensão evoluem para os meios da comunicação:

 

O estabelecimento de um sistema primário de comunicação é a tarefa de desenvolvimento da fase oral… Pelo ganho de controle sobre os ritmos orais do fluxo-de-tensãomudanças correspondentes no fluxo-de-forma, o infante se torna parcialmente independente de sua mãepode erigir a primeira edição de sua imagem corporal… A atençãoexploração do espaço internoexterno se tornam os fundamentos para o estágio inicial da constância de objeto. Apenas quando a individualidade (self)o objeto puderem ser reconhecidosseparados poderá haver comunicação, em vez de comunhão. (p. 200).

 

Na fase oral, o bebê sugamorde, se une à mãe ou a um objeto,depois se separa.

 

À medida que o bebê se desenvolve, ele aprende a dirigir sua atenção ou a deixa vagar; ele aprende sobre o objeto, sobre o espaço, sobre o que há perto dele,sobre o que ele pode buscar.

 

A constância do objeto no espaço conota que a catexia do objeto é controlada pelas imagens de localizaçãodistância internalizadas ao ego. Localizar a mãe reflete

 

internamente a capacidade da criança para vencer a distânciafazer do espaço externo um meio de comunicação com sua mãe. (p. 203).

 

Comunicaçãorelacionamento com a mãe, o desenvolvimento de uma imagem corporalo senso de individualidade (self) separada também estão interligados ao uso de tensão muscular.

 

[o infante] começa gradualmente a reconhecer-se a si pela similaridade de seus padrões de movimento, que são similares mas não idênticos àqueles de sua mãe. Em momentos de completa sincronizaçãosintonia com os ritmos maternos, ele perde o sentimento florescente de separação. Para recuperar seus limites perdidos, ele se enrijece na periferia de seu corpopor sua própria vontade interrompe a fusão simbiótica. Nas palavras de Mahler (1968), ele “eclode”. Para fazer isso, ele cria sua própria casca dura a partir da tensão muscular periférica. (p. 203).

 

Aprender a controlar o movimentoeventualmente a andar também é tornar-se independente, desenvolver autonomia. Portanto os processos psicológicos que acontecem entre o infante em desenvolvimentoa mãe, o relacionamento entre a mãea criança, moldarãoserão refletidos nos padrões de função do sistema tônico. Como a mãe segura o bebê, como a mãe se move com seu infante,os próprios ritmos de movimento da mãe influenciam o desenvolvimento. Kestenberg publicou histórias de casos que mostram essas influências no desenvolvimento psicológico do bebê. O modo como nós somos segurados ou nos seguramos se desenvolvem em direção a padrões psicológicos pessoais profundamente enraizados.8

 

O curso do desenvolvimento motoro curso do desenvolvimento psicológico correm em um só caminho: o caminho de assumir o comando, aprender a se mover com o sistema tônico. A evolução psicológica do bebê vem daquela primeira expressão, a contraçãoa soltura da função tônica. O controle da gravidade, os padrões de movimento fundamentais de tensãosoltura, o desenvolvimento da psiquea expressão básica de sentimentos são fios tecidos juntos no primeiro diálogo entre a mãea criança, um diálogo tônico.

 

A pesquisa de Kestenberg é uma outra âncora para o entendimento do movimento, da postura,do relacionamento com a gravidade, que são imbuídos de muitos significados que vão além da mecânica. Para cada um de nós, a história de nossa própria chegada à verticalidade está inevitavelmente conectada com o relacionamento com o meio ao nosso redor, incluindo as pessoas que são parte dele – os nossos pais;tudo isso está escrito em nossas posturas básicasposicionamento na gravidade.

 

Coordenação, expressãoinibição

Seguindo Kestenberg, Godard vê os primeiros movimentos como os fundamentos da expressão, os blocos para a construção da comunicação com a mãe e, por fim, da comunicação em geral. Ele diz:

 

No corpo não há diferença entre o sistema de gravidadeo sistema de expressão. Eles são inseparáveis. Sempre que trabalharmos na função tônica, inevitavelmente trabalharemos na expressão.9

 

Um pouco de anatomia básica do sistema tônico ajuda a explicar essa afirmação:

 

Músculos tônicos são músculos posturais. Eles são músculos que são envolvidos principalmente na manutenção da postura ereta do corpo. Os músculos tônicos se diferenciam dos músculos fásicos, aqueles que utilizamos para os movimentos motores largos,para atividade intensabreve. Fisiologicamente, há várias maneiras diferentes de diferenciar os músculos tônicos dos músculos fásicos: os músculos tônicos têm mais fibras vermelhas, os músculos fásicos, mais fibras brancas; os músculos tônicos usam mais oxigênio do que açúcar como combustível, enquanto os fásicos fazem o oposto; os músculos tônicos contêm maior quantidade de fusos muscularesmaior proporção de fáscia. Por estas definições, alguns exemplos de músculos considerados tônicos são os sóleos10, os eretores da espinhaos isquiossurais.

 

A grande quantidade de fusos presentes nos músculos tônicos faz deles uma importante ferramenta sensorial. Os fusos enviam informação sensorial de volta para o sistema nervoso central. O cérebro utiliza essa informação para regular o tônus dos outros músculos.

 

Para os músculos fásicos funcionarem, os músculos posturais devem se soltar; deste modo eles controlammoldam o movimento. Os músculos tônicos são como que as rédeas dirigindo os músculos fásicos. A ordem na qual os músculos tônicos se soltam orquestra as ações dos outros músculos. Na caminhada, é a soltura inicial dos músculos tônicos das costas que permite o movimento para frente; a soltura dos isquiossurais permite aos quadríceps trabalharemcoordena o movimento dos músculos da outra perna.

 

A sutileza dos músculos tônicos, a extensão de sua habilidade para contraírem-sesoltarem-se apropriadamente,a ordem dessa interação cria a coordenação que Godard, na bem estabelecida tradição de movimento, chama de melodia cinética, “a sinergia em espaçotempo de todos os músculos do corpo.”. A coordenação, o modo como tudo funciona junto, é condição fundamental para o movimento. Talvez isso ajude a explicar por que o processo do Rolfing, que trabalha principalmente com a função tônica do corpo, tem tantos efeitos potentes na performance de atletasno aumento de eficiência de movimento em geral.

 

Por seu papel na coordenação, o sistema tônico será envolvido também na expressão da inibição: Se alguma parte de mim quiser algo, mas se eu também estiver bloqueado psicologicamente, o bloqueio será exprimido por uma falta de sutileza ou resposta flexível nos músculos tônicos. O sistema tônico controla o movimento por sua alternância entre tensãosoltura. A inibição interfere no timing do sistema tônico e, portanto, na expressão desejada. Para modificar um padrão de movimento talvez seja necessário lidar com a inibição. Se estudarmos o movimento apenas do ponto de vista corrente de economiaeficiência, é possível que negligenciemos as limitações na expressão, que pode ser a questão real a impedir o movimento mais econômicocoordenado.

 

Os músculos tônicos têm importante papel na coordenação. Isso também tem tanto um aspecto mecânico como um simbólico. O sistema tônico está conectado à história do desenvolvimento físicopsicológico, assim como à expressividade de uma pessoa no presente. Não é nenhuma surpresa que trabalhar com o sistema tônico pode provocar mudanças psicológicas profundas como “efeito colateral”.

 

Psicológico versus emocional

De acordo com o que diz Godard, o trabalho de movimento é inevitavelmente um trabalho psicológico. Mas há uma distinção importante a se fazer entre o emocionalo psicológico. No modelo de MacLean do cérebro trino·, a função tônica está no nível do cérebro mais antigo, o reptiliano, enquanto que as associações emocionais acontecem no nível límbico, um desenvolvimento mais recente. As mudanças mais significativas vêm do nível mais profundo. Godard depreende que é por isso que tanto a I.P.R. quanto o Alexander expressaram alguma resistência em trabalhar em um nível emocional. A teoria é de que, ao nos endereçarmos à função tônica, podemos afetar os sensos básicos de suporteorientação sem precisar falar sobre as associações envolvidas. Podemos ajudar a construir o senso básico de suporte no corpo (em vez de quebrar a couraça, como num modelo reichiano). Na experiência de Godard, esse trabalho muitas vezes acelera o processo psicoterapêutico ou analítico, mas é distinto deles. Nós podemos trabalhar efetivamente na função tônica, nos padrões de movimento que irão criar uma mudança profunda, sem ignorar o significado psicológico,sem extravasar para dentro da história emocionaláreas que nosso treinamento como rolfistas não endereça.

 

  • Função tônicaduas direções

Anteriormente descrevi o experimento de Reed que mostrou que o primeiro músculo a se contrair quando um sujeito levantou seu braço foi o sóleo. O comando conscientevoluntário é “levante o braço”. O experimento revela o que iremos chamar de pré- movimento, o movimento do sistema tônico, que neste exemplo envolve o sóleooutros músculos da perna. O pré-movimento não ocorre sob controle consciente. Ele não pode ser acessado diretamente pelo córtex motor, por comandos voluntários. Mas ele pode ser influenciado pelo que Godard chama de senso de pesosenso de orientação, a organização perceptual da experiência da gravidade por um indivíduo.

 

No espaço, a raiz do pé-de-feijão cresce em todas as direções, mas quando se aproxima da Terra, as raízes crescem para baixo. A planta obedece à lei da gravidade, mas também obedece à lei do Sol. Atraída pelo Sol, a planta cresce para cima. Poderíamos dizer que há o gravitropismoo heliotropismo, as duas direções.11

 

 

  • A expressão cunhada por MacLean, triune brain, é traduzida no Brasil por “cérebro trino”, “cérebro triúno” ou “cérebro triúnico”. [N. ]

 

Para mover-se, o corpo como um todo ou um músculo deve ter um ponto de suporte. Sem recair numa tipologia, as pessoas parecem mostrar uma preferência por se organizar na gravidade mais em termos de uma ou outra direção: ou usando a Terra, a direção para baixo como seu suporte primário, ou usando o céu, a direção para cima.

Essas duas direções podem também ser pensadas em termos de senso do espaço interno do corpo, ou mais como um senso do espaço externo ou entorno. O senso das duas direções é, nos termos de Godard, uma das vias primárias para se trabalhar com a função tônica.

 

As duas direções são o símbolo da gravidade na experiência, a puxada para baixoa resistência à puxada, ou uma levantada. Podemos descrever o senso das duas direções em termos anatômicos, desde uma observação externa: as duas direções envolvem um senso de alongamento para cimapara baixo, por exemplo, da espinha – a levantada da articulação AO (organização dos músculos suboccipitais)a sensação interna do peso do sacro, ou o peso do corpo distribuído nas solas dos pés. No nível do músculo individual, isso diz respeito à habilidade de acessar tanto a inserção proximal como a distal de um dado músculo. O conceito das duas direções não é intencionado a implicar apenas o alongamento: de baixo para cima, ou de cima para baixo, as duas direções permitem uma concentração, um acúmulo de pressão, bem como uma expansão, uma soltura.

 

Essas duas direções são uma sensação; parte do que Straus chamaria de esquema corporal:

 

O esquema corporal é menos um conceito ou imagem que uma pessoa tem de seu próprio corpo,mais um conjunto de direçõesdemarcações – direções em que alcançamos para o mundodemarcações que encontramos no contato com o mundo (Shilder, 1935). O esquema corporal também é experimentado, portanto, como uma relação do eu com o mundo. Correspondendo à nossa conotação (inclinação, impulso, desejo), o espaço perde seu caráter estático, abre-se infinitamente diante de nós,nos expande ou nos reprime. (p. 154).

 

A ideia do esquema corporal sugere que o espaço do corpo não termina em nossa pele. Mais propriamente, os seres humanos projetam sua consciência sensória para o mundo, para incluir o espaço ao seu redor. Essa percepção ou relação com o espaço à volta também irá moldar nossa organização tônica. Se tivermos noção do suporte físico por meio da sensação das duas direções no espaço para além de nosso corpo, nosso sistema já não precisará contrair tantos músculos para a estabilização,nossos movimentos serão mais livresmais fortes.

 

A ação da percepção

Godard demonstra isso numa versão modernatecnológica de um experimento tradicional do Aikido conhecido como o braço indobrável. Com o braço estendidoa mão pousada sobre o ombro de outra pessoa, pede-se que a pessoa impeça que seu braço dobre, primeiramente com a intenção de resistir à força externa de alguém que se apoia sobre o braço,subsequentemente utilizando uma imagem de energia fluindo para fora de seus dedos. Inevitavelmente ao utilizar a imagem, a pessoa com o braço estendido fica muito mais forte, capaz de impedir que seu braço dobre facilmente, enquanto que ao resistir

 

contra seu oponente, era o oponente que ficava mais forte. A eletromiografia mostra que, neste exemplo, quando o sujeito resiste para manter a articulação do cotovelo esticada sem qualquer sensação na mão, ele está contraindo os bíceps assim como os tríceps – desta maneira ele está na verdade trabalhando contra si mesmo, ajudando aquele que o ataca a dobrar seu braço. Quando se pede ao sujeito que imagine os dedos alcançarem a parede à frente, os bíceps mantêm-se soltos, livresquietos; apenas os tríceps contraem-se. O resultado: um braço indobrável.12

 

Fisiológicamecanicamente, posso explicar esse fenômeno em termos de músculos estabilizadores, ação de agonistasantagonistas. Mas o que é ainda mais significativo é que é a percepção dessas direções que afeta o movimento. As duas direções são um evento perceptual que afeta profundamente o padrão motor de um dado indivíduo. Esse exemplo demonstra, entre outras coisas, um fenômeno que intuímos: que a percepção é uma ação. Percepção é uma forma de intencionalidade, um movimento em uma direção.

 

Para dizer de outra maneira, nosso estado perceptual afeta nossos padrões motores. Aumentar a consciência sensorial de uma pessoa em seus dedos invoca o senso das duas direções. O simples ato de sentir os dedos muda o padrão de ativação dos músculos. O senso das duas direções permite ao antagonista não se envolver no movimento. Há consequências fisiológicasfuncionais bem específicas em uma mudança na consciência sensória acessada pelo colocar-se a atenção em uma imagem particular.13

 

Na educação de movimento, teremos de levar isso em consideração. Um problema no movimento poderá não ser o resultado de uma função motora deficitária, mas de uma percepção deficitária. Para mudar um padrão de movimento, para afetar o relacionamento da pessoa com a gravidade, teremos de trabalhar com a percepção. Isso irá incluir a consciência sensória do corpo,também a consciência sensória do espaço em que ela se move. Nós poderemos trabalhar para mudar o hábito perceptual da pessoa, isto é, seu hábito de interpretação da sensação.

 

Não é realmente importante saber por que uma pessoa percebe o chão mais do que o céu ou vice-versa – talvez seja em parte uma predisposição genética,em parte a situação no desenvolvimento, psicológica ou física –, mas é fundamental reconhecer que ela tem uma preferênciaque afetar sua percepção particular será crucial no desenvolvimento de mais opções de movimento.

 

  1. Fisiologia subjacente

Tanto a função tônica quanto o fenômeno sensório de trabalhar com as duas direções podem ser descritos de um ponto de vista fisiológico. Aqui irei recobrir brevemente os aspectos fisiológicos. Para uma descrição mais pormenorizada o leitor poderá referir-se ao artigo de Kevin Frank na última edição da revista Rolf Lines·.

 

  • Frank, K. 1995. Tonic function: a gravity response model for Rolfing Structural and Movement

Rolf Lines, março de 1995. p. 12-20. [N. T.]

 

O modelo de MacLean, o cérebro trino, divide o cérebro em três níveis em termos de função: o nível mais básicoprimitivo é o reptiliano. O próximo nível, em que a hesitação, inibiçãoemoção são introduzidas é o límbico;o terceiro nível é o cortical.14 Esta é uma classificação baseada na etologia,não na anatomia neurológica.

 

A teoria de Godard é a de que o movimento será mais eficiente quando, tanto quanto possível, fizermos uso do nível reptiliano: i.e., permitir que os reflexos de estiramentoque o loop do neurônio motor gama medeiem a iniciação do movimento em vez de apenas utilizar os neurônios motores alfao controle cortical. Essa é a implicação fisiológica da qualidade do movimento que estamos acostumados a chamar de “intrínseco”. (Aos olhos isso poderia parecer o movimento em que não há atalho obviamente desnecessário; que o que chamamos de linha central ou core está livre durante o movimento).

 

Apesar de o nível reptiliano ser responsável pelo movimento, a formação reticular também é importante no que diz respeito ao tônus geral do corpo. Uma rede de células dispersas pela medula, a formação reticular é afetada pelo input dos sentidospelas memóriasemoções do sistema límbico; portanto a camada reptiliana é influenciada pela superior.

 

Na prática clínica, utilizar o que Godard chama de impressão, i.e., a consciência sensorial, a mudança na percepção, permite um efeito profundo na organização tônica. Uma vez que a formação reticular tem forte influência no tônus geral do corpo,as impressões têm efeito poderoso na formação reticular, uma mudança na consciência sensória se transforma em uma mudança na organização tônica. A percepção das duas direções acessa a resposta do cérebro basal que resulta numa melhora da coordenação, em mais força,numa resposta mais adaptativa às exigências de movimento em uma dada situação.

 

No trabalho de movimento, não perguntar “como posso fazer esse movimento”, mas sim “o que me impede?”, ou utilizar-se do senso das duas direções, permite-nos acessar os efeitos fisiológicos que levam à função tônica apropriada. Querer fazer um movimento conscientemente engatilha a via do neurônio motor alfa, que vai diretamente do córtex, via neurônio motor alfa, para o músculo. Nós queremos permitir ao loop gama, que é governado por um senso de objetivo espacial (portanto sensório), mediar a ativação alfa. O loop gama é uma função mais reptiliana – do cérebro mais antigo. Perguntar “o que me impede”, em vez de ativar os neurônios motores alfa corticais, permite ao córtex atuar num papel mais útil no movimento. Ativamente, o córtex pode apenas desacelerar o nível de ativação da resposta do fuso. Você não pode inibir um reflexo, mas você o pode modular.

Dessa maneira, em vez de atrapalhar o movimento que queremos, ele funciona construtivamente, inibindo a inibição (inibindo o antagonista).

 

Evocar as duas direções pode diminuir a sensibilidade do reflexo de estiramento para permitir mais liberdade de movimento. Em uma demonstração simples, Godard pede para alguém em pé levantar sua perna – geralmente, os isquiossurais restringem o movimento a 90 graus de flexão do quadril (a perna fica aproximadamente paralela ao chão). Em seguida ele dá um suporte à pessoa na cintura – dando um senso de direção para cima –lhe pede para sentir o peso do sacro, assim eliciando a direção para baixo: o grau de flexão no quadril aumenta dramaticamente, até que a perna fique quase perpendicular ao chão!15 Eliciar o senso das duas direções na espinha permite uma mudança no reflexo de estiramento (uma

 

redução em sua sensibilidade) nos isquiossurais: a perna vai muito mais longe antes que o reflexo seja ativado.

 

Na caminhada, o senso das duas direções na espinha permite aos pequenos músculos em torno da espinhaaos eretores da espinha, todos músculos tônicos, soltarem-se. Esses músculos,especialmente os músculos suboccipitais, também afetam a formação reticular.16 A soltura na espinhaa mudança na lordose contralateral criam um alongamento do psoas que automaticamente ativa a resposta de um reflexo de estiramento.17 Desse modo a soltura da espinha inicia o movimento básico da locomoção. À medida que o psoas flete o joelho para continuar a caminhada, os músculos do péda perna devem estar livres para permitir que o movimento ocorra: os músculos fásicos, músculos de ação, não devem ser muito envolvidos em nos segurar em pé.

 

A função tônica apropriada envolverá às vezes um aquietamento ou soltura de músculos- chave para que o movimento não seja interferido por eles,às vezes a ativação de reflexos tônicos, como o reflexo de estiramento, para que possamos ficar mais fortes.

 

O trabalho de movimento pode ser entendido como o trabalho de organizar a função tônica básicapelo uso do senso das duas direções, do envolvimento do loop gamado reflexo de estiramento. Quando isso acontece, a locomoção pode ser apoiada pelo sistema da gravidade. Caminhar se torna uma atividade coordenadafácil.

 

Essa teoria começa a definir o que temos chamado de movimento “intrínseco” ou “core” em termos fisiológicos comumente usados. Este é um passo essencial para a pesquisa futura. Eu tentei resumir brevemente esses aspectos fisiológicos essenciais. É importante sermos capazes de descrever o que nós, como rolfistas, estamos tentando fazer em termos fisiológicos: ao propor uma teoria, nós temos algo que podemos colocar sob o escrutínio da pesquisa avaliativa. Podemos começar a experimentar a ver se nossa teoria se sustenta. É possível fazer o trabalho de movimento sem saber necessariamente os mecanismos subjacentes, mas quanto mais claramente os entendermos, ficaremos menos amarrados ao mitoà técnica,poderemos ser mais criativos.

 

  1. Implicações para o trabalho com movimento

Não precisamos de maneira alguma perder o aspecto simbólico do trabalho com o corpoa gravidade quando nos tornamos precisos em termos fisiológicos. Na realidade, um entendimento com profundidade da fisiologiaa pesquisa com experimentos simples dão o suporte à necessidade de se incluir o corpo-como-experienciado no trabalho com movimento.

 

Saber que a percepção é uma ação irá influir diretamente em nossas técnicas. Ao entender que uma mudança na percepção – na consciência sensória – evoca uma mudança na resposta tônica fundamental, nós iremos trabalhar com a seguinte dimensão: eliciar a sensação, “imprimir”. Nós iremos trabalhar com a metáfora das duas direções em termos de um equilíbrio entre a percepção tanto do milieu interno, quanto a percepção da periferia, ou do mundo externo. Nós descobrimos com frequência que a chave para evocar um

 

movimento intrínseco não é focar a atenção do cliente para dentro nas sensações do corpo, mas no exterior – o chão abaixo de seus pés, a sensação do vento em sua pele, os sonsvistas do espaço circundante.

 

Trabalhar na periferia, evocando sensação em qualquer parte da pele, nas palmas das mãos ou solas dos pés (a pele é o invólucro do cérebro – ver o livro Job’s Body) é uma conexão direta com o loop gama – com o movimento menos controlado pelo córtex.

 

Movimento em situação

Entender o movimento como inseparável da situação tem várias implicações para o trabalho com movimento. Isso implica que não podemos ensinar uma forma ou posição ideal.

Movimento apropriado significa apropriado a um tempolugar específicos, a uma situação particular. Não pode haver uma posição correta (como uma pelve horizontal); o que podemos ensinar a nossos clientes é a adaptabilidade; a sensibilidade para responder ao momento em questão, a liberdade para mover que irá permitir essa resposta. (Tentar imitar uma forma ativa um movimento que vem de um nível cortical ao invés da atividade sensória de encontrar uma via para se mover que envolve o loop gama).

 

Ao dar um contexto para o movimento ao invés de isolar os padrões de movimento, trabalharemos com funções completas – “movimentos fundacionais”. Essas são as sub- rotinas aprendidas que formam o fundamento das ações. Elas também têm forte importância simbólica: lançar, empurrar, cortar, mostrar (apontar), receber – para nomear algumas – são movimentos básicos que também se relacionam com as habilidades psicológicas de fazer contatode separar.

 

Por exemplo, se eu pedir a uma cliente para me empurrar, posso ver se uma direção se perdeu durante a ação, se ela está empurrando a si (contraindo-se ou encolhendo-se) ao invés de realmente me empurrar (movendo-se para longe de mim ao invés de me mover para longe dela), ou se ela perde seu próprio centro durante a empurrada, vindo junto comigo na empurrada, não se separando realmente. O movimento de empurrar é simbólico de dizer não. Em vez de discutir os méritos da autoafirmação, ou as razões ou história por trás da dificuldade de alguém, nós podemos trabalhar com o empurrar. Acessaremos a questão completa a partir da dimensão do movimento. Ao aprender a manter um senso das duas direções enquanto empurra, os outros comportamentos poderão ser afetados (e frequentemente o são).

 

Assim como não podemos estudar movimento como um experimento de laboratório separado da vida, também não podemos trabalhar com movimento sem admitir que o universo simbólico da pessoa afeta profundamente o trabalho. Ao entendermos a dimensão simbólica do movimento,que o movimento acontece no relacionamento com o mundo externo, não trabalharemos apenas com clientes de olhos fechados focados em si ou nas sensações internas. Trabalharemos com eles em relacionamento: com uma outra pessoa ou talvez primeiro com um objeto (transicional). Assim podemos recapitular o desenvolvimento. No trabalho com a habilidade de sentir o objeto (o bastão na minha mão), nós desenvolvemos a sensação na pele, a relação com o outro sem perder-se a si.

 

Isso também tem implicações sobre o papel do praticante – nosso toque, nossa linguagem,nossa presença também serão partes inseparáveis da situação. Nosso próprio movimento afeta o movimento que tentamos evocar [no cliente].

 

Movimento em relacionamento

Psicologicamente, um de nossos atos cruciais de equilíbrio fica na corda bamba entre autonomiarelacionamento. Isso é lindamente expressado pela metáfora física da relação com o chãoo céu, o ficarmos em pé sozinhos (a vertical),o relacionamento com o outro, a horizontal. Se perdermos uma das direções da vertical, nós começamos a usar a horizontal como suporte; nós não temos mais autonomia; nosso toque se torna um ato de fundir-se.

Isso não é um hábito eficiente se vivemos de tocar outras pessoas. A frase “toque gama” foi cunhada por um médico para descrever a sensibilidade necessária para se mover um bebê in utero a partir de fora. Godard adotou o termo para descrever uma maneira de tocar em que aquele que toca mantém o senso das duas direções em suas próprias mãos: sentir o dorso de nossa própria mão ao mesmo tempo em que sentimos a pessoa que estamos tocando.

 

O que descobrimos é que esse toque evoca o sistema gama, ou movimento intrínseco. Se perdermos uma direção enquanto tocamos, é muito mais difícil, senão impossível, educar o cliente no movimento que buscamos. Para ajudar uma pessoa sentir seu próprio sistema nós precisamos não o estar utilizando, através de nosso toque, como meio de suporte para nós mesmos. A fisiologia do sistema tônicoo toque gama dão um significado mais fundamentado às abstrações de limites frequentemente utilizadas.

 

  1. Áreas fundamentais para se olhar

Na prática clínica, as pessoas parecem exibir uma preferência para utilizar uma direção ou a outra como seu suporte principal. Entretanto, ao olhar para nossos clientes, a ideia das duas direções não é a de criar uma nova tipologia. É útil para nós, para o praticante, olhar para os padrões para desenvolver nossas habilidades de leitura corporal. Não se trata de criar categorias de “pessoas com a direção para cima ou para baixo”. As duas direções são interdependentes: para o movimento coordenado, as duas são necessárias.

 

  1. Três lordoses

 

Não iremos olhar para o alinhamento em termos de massas corporais – pelve, tronco, cabeça –, mas em termos de lordoses corporais: cervical, lombar,em termos funcionais, os joelhos. Godard assim descreve-as:

 

Onde você pode enxergar função tônica? Na coordenação das três lordoses. Isto é muito importante: não é uma pedra pélvica: você pode fazer isso com os músculos da perna. Quando você controla os blocos do corpo, é o começo do fim do movimento. Você estará perfeitamente alinhadoperfeitamente morto em termos

 

de movimento. É muito importante olhar para a locomoçãonão para horizontalizar os blocos. O bloco é apenas o resultado de sua expressão, que significa a tensão dos diafragmasa organização tônica.

 

Anatomicamente, em frente à C3, L3o joelho, você tem um osso: o hioide, o umbigo (não é um osso, mas é um interfuncionamento de tecido quase como um osso),a patela. Todos os três têm a mesma organização: retosoblíquos. A lei do movimento das três lordoses é: duas direções.18

 

Os pontos-chave para a lordose espinhal serão os ápices das curvas: C3L3. Eliciar movimento nesses pontos, ou nas duas articulações finais da espinha, a atlantooccipitala lombossacral, permite as duas direções na espinha. Trabalhar com a área ao redor de L3 poderia ser considerado uma rearticulação da ideia de Ida Rolf da cintura para trás. Mas aqui o que é importante não é a posição final,sim a habilidade para se mover. E não se trata de qualquer movimento, mas do que poderia ser descrito como um movimento de deixar acontecer. É a mudança, a soltura da área que resulta em movimentopermite a coordenação. Funcionalmente, o joelho age como uma terceira lordose,será afetado pelas mesmas questões que as lordoses espinhais.

 

  1. A importância do tronco, braçosG’

 

Tradicionalmente, numa abordagem biomecânica, o foco da ordem estrutural tem sido do chão para cima, com a pelve atuando em um papel central (centro de gravidade). A importância da cintura escapulardo G’, o centro de gravidade do segmento superior (cabeça, braços, tórax), precisa ser considerada para completar a imagem. Filosoficamente isso é interessante pois faz uma ponte entre o desenvolvimento, a psicologiaa estrutura.

 

As cinturas pélvicaescapular compartilham a palavra cintura, mas funcionalmente elas são bem diferentes. Na cintura escapular, o úmero é segurado na articulação glenoumeral, não por ligamentos fortes como na articulação do quadril, mas por um manguito musculotendinoso. Sob anestesia, as limitações em amplitude de movimento da articulação do ombro são liberadas, enquanto na articulação do quadril não o são. Ainda que a questão principal da articulação do quadril seja o modo como ela responde ao peso, os músculos que dão suporte aos braços são fortemente influenciados pelo reflexo de estiramentopelo sistema de neurônio motor gama, já que eles ficam pendurados.19 O modo como aprendemos a alcançar,como o ambiente recebe ou responde à criança quando ela agarra ou alcança, a psicodinâmica daquele movimento inicial, afetam a organização da cintura escapular que por sua vez afeta o centro de gravidade do tronco, que Godard chama de G’.

 

Ontogenéticafilogeneticamente, a espinha alcança primeiro a vertical, não na posição em pé, mas na sentada. Os primatas sentamusam seus braços tal como fazem os infantes antes de poderem se levantar sobre os dois pés. Na realidade, usar os braços prepara para o bipedismo. Alcançarusar os braços em uma posição sentada molda a organização do tronco. Subsequentemente, ao ficar em pé, a posição das pernasda pelve é fortemente influenciada pelo pesoposição do segmento superior do corpo. A pelveas pernas têm de se ajustar ao posicionamento do tronco. Quando G’ estiver anteriorizado em relação à

 

linha central, tenderemos a rodar os fêmures medialmente; se estiver posteriorizado, tenderemos a rodar os fêmures lateralmente.20

 

Já que a biomecânicao Rolfing tenderam a focar na pelve como pedra fundamental da estrutura, a importância do tronco – com o centro de gravidade do segmento cabeça- pescoço-braços sendo aproximadamente T4 – foi negligenciada:

 

Então, apesar de podermos olhar para a pelve como uma questão central da organização de um corpo, não devemos perder de vista o importante efeito do segmento superior, que responde à história pessoalao ambiente, moldando a posição da pelvedas pernas. A resposta biomecânica é uma resposta ao relacionamento (as pernas respondem a G’). Mais uma vez, encontramos a interação entre a psicologiaa biomecânica. Ambas devem ser consideradas.

 

  1. O relacionamento dos três diafragmas com o movimento nas lordoses

 

Restrição nos diafragmas – respiratóriopélvico, assim como o diafragma funcional do palato – interfere na habilidade para eliciar um movimento bidirecional nas lordoses.

 

A liberdade de movimentoa coordenação entre as áreas-chave da espinhaos diafragmas serão o fundamento do movimento nas duas direções que permite a organização tônica apropriada.

 

Síntese

Conectaremos todas essas áreas diferentes olhando como a pessoa soluciona um problema fundamental: como é a relação com a gravidade, a preferência de direção, que se manifesta quando ela faz a função básica da locomoção? Esta questão conecta os vários elementos estruturais diferentes.

 

Por exemplo, enxergamos na marcha de uma pessoa que o joelho está limitado em seu movimento para frente – será uma restrição articular? Se olharmos cuidadosamente, poderemos enxergar o sóleo se contrair antecipadamente no movimento: o sóleo se agarra para evitar a queda da pessoa para a frente. À medida que continuamos a olhar, enxergamos uma restrição na altura de L3, enxergamos a área de inserção da crura do diafragma restringida e, em geral, enxergamos uma preferência distinta pela direção “para cima”. Todas as peças do padrão fazem sentido no contexto de um ser que tem de andar verticalmente na gravidade. A falta de equilíbrio necessário entre as duas direções para a organização tônica apropriada leva o cérebro a sentir a precariedade do corpo à medida que dá um passo. Em resposta, para impedi-lo de cair, um sinal é enviado para o sóleo se contrair, restringindo a amplitude de movimento na articulação do joelho. Para liberar o joelho, nós vamos tentar várias abordagens para evocar um maior equilíbrio entre a sensação interna de ambas direções. Nosso trabalho manual poderá desempenhar a função de aumentar a percepção sensória, a “impressão”, na mesma medida em que poderá liberar a fáscia ou soltar as restrições articulares.

 

Conclusão

Este paper apresentou alguns conceitos básicos na teoria de movimento de Hubert Godard. Adotamos um ponto de vista fenomenológicocomeçamos por olhar para os sistemas de ação, os comportamentos funcionais que moldam o movimento humano. Por baixo de cada um deles jaz a questão de estabelecer uma relação com a gravidade. Chamamos a isso função tônica. Explicamos os muitos aspectos da função tônica que vão além de meras negociações posturais. Vimos que a função tônica tem uma organização fisiológicamecânica, assim como uma perceptualuma simbólica. Propusemos o senso das duas direções como ferramenta fundamental para trabalhar com a organização tônica. Tentamos traçar os efeitos dos aspectos teóricos na prática concreta de trabalho de movimento, bem como para fundamentar a teoria em pontos específicos de análise.

 

Através da teoriada prática, a integridade da experiência humana, em suas dimensões internaexterna, é respeitada. Os modelos mecânicos são simplesmente inadequados como descritores de movimento: eles ignoram o papel fundamental do simbolismoda percepção no movimento. O entendimento de Godard do fundamentoabrangência da organização tônica, sua análise de insights da fenomenologia, da psicologiada neurofisiologia, é uma entrada para descrever a complexidade do ser humano em movimento. O quadro ainda está longe de ser completo: pesquisadores estão apenas começando a vislumbrar de que modo o cérebro, o desenvolvimentoa experiência moldam o movimento humano,as teorias de como o movimento é aprendido ou modificado estão apenas começando a ser formuladas. É uma arena empolgante para a exploração teórica, que talvez oferecerá uma perspectiva essencial para nosso trabalho como rolfistas.

 

 

 

 

 

 

1 Reed, E. 1982. An outline of a theory of action systems. Journal of motor behavior. Vol. 14, n. 2. 1982. p. 98- 134.

2 Reed, E. 1988. Applying the theory of action systems to the study of motor skills. In Meijer, O.G., Roth, K. (eds.). Complex movement behavior: the motor-action controversy. Países Baixos: Elsevier Science Publishers. p. 45-86.

3 Neste contexto, “plenas de propósito” poderá incluir o propósito de aumentar a sensação, dessa maneira diluindo um pouco a distinção, de um ponto de vista funcional, entre a unidade motoraa unidade sensorial. 4 Ibid.

5 Ibid.

6 Straus, E. 1966. Phenomenological Psychology. Nova Iorque: Basic Books. p. 139.

7 Kestenberg, J. et al. 1975. Development of the young child as expressed through bodily movement, I. In Kestenberg, J. (ed.). Children and parents: psychoanalytic studies in development. Nova Iorque: Aronson. p. 195-209.

8 Kestenberg, J., Buelte, A. 1977. Prevention, infant therapy, and the treatment of adults. International journal of Psychoanalytic Psychotherapy, VI. 1977. p. 334-396.

9 Godard, Hubert. Palestra em workshop. Filadélfia, 1993.

10 O sóleo é geralmente identificado como principalmente tônico, mas não há necessariamente um consenso sobre todos os músculos.

 

11 Correspondência pessoal Kevin Frank/Hubert Godard.

12 Pesquisa não publicada. O trabalho de Reed sobre a questão da distinção entre periféricocentral/sensóriomotor, dá suporte a isso. (ver nota 1)

13 A naturezao papel da percepção,as distinções entre sensação, percepçãointerpretação, são um tópico bastante complexo que merece um paper apenas sobre ele. Reed proporciona uma perspectiva interessante com seu questionamento da distinção entre sensóriomotor desde um ponto de vista funcional. Aqui apenas me atenho ao argumento de que a percepção tem consequências motoras.

14 Um bom livro sobre a evolução do cérebro: Jastrow, R. 1981. The enchanted loom. Nova Iorque: Simon & Schuster. Ver também Hampden-Turner, C. 1981. Maps of the mind. Nova Iorque: MacMillan Publishing. p. 80- 85;Juhan, D. 1987. Job’s body. Nova Iorque: Station Hill.

15 Em workshops ao longo dos últimos anos, esse experimento tem sido demonstrado em frente à classe.

16 Abrahams, V. C. 1982. Neck muscle proprioception and motor control. In Garlick, D. (ed.). 1982. Perception, posture and emotion. Kensington: University New South Wales. p. 103-120.

17 Ver o mecanismo que Serge Gracovetsky descreve em seu livro The spine engine. Nova Iorque: Springer- Verlag. 1988.

18 Palestra em workshop, Filadélfia, nov. 1993.

19 Caillet, R. 1991. Shoulder pain. Filadélfia: F. Davis Company.

20 Sohier, R., Haye, M. 1989. Deux marches pour la machine humaine: celle “qui vient d’en haut” et celle “qui vient d’en bas”. La Louvière: Kiné-Sciences.[:][:pb]Conceitos básicos na teoria de Hubert Godard•[:]

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