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Os Primeiros Anos

Organizado por Lúcia Merlino
Pages: 3-24
Year: 2008
Associação Brasileira de Rolfing

Rolfing Brasil – ABR

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Organizado por Lúcia Merlino

INTRODUÇÃO

Por Lúcia Merlino

Vinte anos atrás, um grupo de treze pessoas se unia para organizarfacilitar os estudos de um novofascinante método de abordagem corporal: o Rolfing. Nessa edição, você vai conhecer um pouco da história desses colegas, que com sua garradisposição, possibilitaram o florescimento do Rolfing no Brasil.

Vamos voltar ainda um pouco atrás. Na década de setenta, um viajante brasileiro relatou a José Ângelo Gaiarsa, um ícone das abordagens corporais no Brasil, a experiência de passar pelas dez sessões do Rolfing. Gaiarsa, inquieto, curioso, trouxe para a sua clínica o rolfista Jim Hrisikos. Pedro Prado recebeu as dez sessões de Jimconta que a experiência foi tão transformadora, que o levou ao treinamento em Boulder, em 1980. Voltou como o primeiro rolfista brasileiro, de mangas arregaçadas, com a disposição de divulgar o trabalho por aqui. Aos poucos, a paixão de Pedro foi contaminando clientes seus, que foram iniciando suas trajetóriasse tornando rolfistas também. Depois de Pedro, embarcaram na aventura da formação nos Estados Unidos Miriam Braga, Nilce Silveira, Neuza AraújoNelson Coutinho. Tess Ohashi (Tereza Ohashi) foi a primeira Movement Teacher, vocês vão saber porquê, no seu saboroso relato. Nessa época, estavam no Brasil o rolfista Samy Frenksua mulher Noemi Frenk, Movement Teacher, ambos chilenos, além da rolfista francesa Martine Barnoux.

Este animadovigoroso grupo começou a se organizar para trazer professores do Rolf Instituteaprofundar os estudos. Em seguida, outras três rolfistas se formaram, levando o Rolfing para suas cidades: Marion Kelson (Rio de Janeiro), Tereza Camarão (Brasília)Mariléa Xavier (Belo Horizonte). Oswaldo Cardoso Ferreira juntou-se ao grupo paulistano.

Em 1986 Lael Keen chega no Brasil, em Belo Horizonte, trazendo experiênciaenergia ao grupo mineiro.Mais tarde entraram no grupo Maria Célia XavierDeanne Lanfranco, italiana instalada no Brasil. Pronto: nascia a ABR.

O Rolfing Brasil entrevistou estes pioneiros que fundaram a ABR. Pedro Prado relembra OswaldoDeanna, já falecidos,escreve também sobre Samy Frenk, rolfista chileno que foi figura importante nos bastidores da ABR. Leia nas próximas páginas o relato da experiência daqueles primeiros anos.

FUNDADORES

Pedro Prado
Miriam Pessôa Braga
Nilce Broadway (Silveira)
Neuza Araújo
Nelson Coutinho
Tereza (Tess) Ohashi
Marion Kelson
Lael Keen
Teresa Camarão
Marilea Xavier
Maria Célia Xavier
Deanna Lanfranco
Oswaldo Cardoso Ferreira

PEDRO PRADO

Pedro é psicólogo, nasceu em São Paulo, em 1949. Foi o primeiro brasileiro a fazer o treinamento de Rolfing nos Estados Unidos. Trouxe a novidade para o Brasil. Doutor em psicossomática pela PUC-SP. Instrutor de S.E.de Rolfing. Presidiu a ABR nos primeiros anosfoi o primeiro professor brasileiro do Rolf Institute.

?Cheguei ao Rolfing através de dois estímulos importantes. Primeiro, o relato de uma amiga, Rosamaria Toniolo, que chegara de Esalencompartilhava das “novidades” que estavam pipocando por lá – Rolfing uma delas – eficientíssimadoloridíssima. Fiquei intrigado. Depois, quando Gaiarsa trouxehospedou em sua clinica o rolfista grego/californiano Jim Hriskos, fui um dos seus clientes. A experiência foi de tal forma transformadora que me levou, em 1981, até Boulder, Colorado, nos Estados Unidos, para estudar Rolfing.

Nessa época, eu trabalhava em psicologia clínica, especulava a abordagem corporaldava aulas no curso de graduação de Psicologia na PUC, em São Paulo. Ensinava cadeiras ligadas a psicodiagnóstico, depois psicoterapia do adolescente e, por fim, coordenei a fundação de um núcleo de abordagem corporal para os estágios em psicologia clínica.

O que mais me atraiu no Rolfing foi à abordagem somática, o trabalho clinicosimultaneamente ativo, sua metodologia estruturada, seu alcance profilático. Tinha razões pessoais, existenciaisprofissionais para fazer o treinamento de Rolfing: queria estudar um pouco fora do Brasil, queria uma coisa nova, diferente, tinha muito interesse no trabalho corporal em psicologia clinica, a formação me permitiria expandir meus conhecimentos, dominar uma nova técnica sem precisar interromper minha atividade profissional. Além disso, queria continuar a estudar psicologia de abordagem somática, (até aquele momento, não sabia que Rolfing representaria todo um novo ponto de vista, mais amplo que simplesmente o psicológico), me ancorar numa técnica mais estruturada que a prática de psicoterapia de abordagem corporal existente naquela época no Brasil. E, pessoalmente, “voar”, me aventurar em novas fronteiras, romper barreiras pessoais, repressões ancoradas no meu corpo, mudar, viajar, buscar novos horizontes.

Já na primeira fase do treinamento percebi que este movimento era mais profundo do que antevira. Já voltei para o Brasil com a consciência de que fazia parte de “minha viagem” (literalmetaforicamente…) fazer a ponte entre os hemisférios, os continentes,participar da evolução desta metodologia. Depois da segunda fase, retornei ao Brasil em 1981: foi arregaçar as mangascomeçar o trabalho. Falar, falar, falar, para amigos, clientes, família, dar entrevista em jornais, rádios, televisão, levar a palavra a congressos, mesas redondas, etc. Como ninguém, e, naquela época era “ninguém mesmo”!, tinha a menor idéia do que se tratava Rolfing, este tema tomou conta da minha vida… E, muito, muito trabalho clínico. Daí, alguns de meus clientes resolveram também estudar Rolfing nos Estados Unidos. Já éramos um grupo, em 1984, 1985. Mais “mão de obra” ativa ! A Associação nasce em 1988,concomitantemente nossa educação continua, no começo importada (workshops por nóspara nós organizados) e, eventualmente, a escola. O trabalho não foi simplesmente local ou nacional. Também o Rolf Institute precisava evoluirse construir. Participeiparticipo ativamente deste processo desde 1981.

Minha participação na Associação Brasileira de Rolfistas: bem….conceptor, incentivador, fundador, fiador, presidente, conselheiro, etc, etc, etc….

Meu pedido mágico para o desenvolvimento do Rolfing é que seu desenvolvimento mantenha o espírito gerador do trabalho. O que gostaria de acrescentar? Que estou contente. Contente com a comunidade que se gerou, com o desenvolvimentoa seriedade com que nosso grupo reveladesenvolve o trabalhoseu compromisso com a visão de Ida P Rolf.?

Ida Rolf Library: www.pedroprado.com.br

MIRIAM PESSÔA BRAGA

Miriam é pós-graduada em Psicologia Clínica pela UFPE. Nasceu em Recife, em 1953, onde atuou como rolfista durante 21 anos. Moraatende em Brasília desde 1985. Tem estudos complementares em Cadeias Musculares G.D.S., Béziers, Rocabado, Pilates, além de anatomiaexpressão dos corpos sutis. Ajudou a implantar o Rolfing em BrasíliaRecife.

“Em 1981, eu morava em Recife, trabalhando como psicóloga. Havia enveredado pela área da Gestalt, Psicodrama, Dinâmica de Grupo, BioenergéticaTerapia Corporal com o Gaiarsa. Havia criado com outros psicólogos de Recife uma Comunidade Terapêutica chamada Libertas que segue curso até hoje,com eles trabalhava num Congresso em Olinda. Nesse Congresso, perdi a exposição que deu o que falar, nos pontos de encontro à noite. Versava sobre integração. Conversando com o expositor Pedro Prado, que havia recém se formado em Rolfing, compreendi que poderia ser muito útil pra mim, que estava amamentando havia um ano. Mudei-me temporariamente para São Paulo para passar pelo processo, durante o qual entendi que era algo tão corporal quanto o que acreditava iria encontrar para atividade profissional.

A criação do espaço interno, a liberação da respiração, a expansão do corpo no espaço, a conseqüente clareza de percepçãoo ânimo para alcançar objetivos, tudo isso foi o que me atraiu no Rolfing. Principalmente o ser via corpo. Além disso, também me atraiu o respeito que o Rolf Institute teve com a busca que fiz de informações sobre o método. O Rolfing oferecia o uso das perspectivas nascidas a partir do processo das dez sessões. Vontade de estudar matéria tão interessantepalpável às mãos. Curiosidade de dar continuidade à integração de assuntos tão diversos como anatomia, física, arte, intuição, sensibilidade. Profissionalmente, era crescimento, pois sempre gostei da psicologia ativa, corporal – mas não gostava da maneira como linhas importantes da psi espremiam o corpo para que o psicológico se apresentasse. Com o Gaiarsa, aprendi o respeitoacolhimento ao corpo. Finalmente, com o Rolfing, era o corpo descongestionando o psicológico, à medida que ele se descongestionava. E vice-versa. O ser uno reeditandoincluindo histórias. Concluí o treinamento em 1983, após considerá-lo continuidade do que queria oferecer aos meus pacientes, ou seja, uma ferramenta para facilitar o desenvolvimento como ser humano através da integração.

Minha participação no desenvolvimento do Rolfing no Brasil foi grande. Enquanto era rolfada em São Paulo, participava de grupos com o Gaiarsa. O Pedro fazia parte de um destes grupos. Havia nove pessoas interessadas em estudar o Rolfing. Este grupo foi chamado de “muito prazeralgum saber”: para lembrar-nos que não deveríamos nos sufocar estudando, nem deixar de fazer coisas prazerosas por causa dele. Ainda bem que ele teve este nome, pois ralamos! Éramos vários psicólogos, todos filhotes do Gaiarsa, com exceção do Nelson, que era amigo da Nilce. Neste grupo de muitas gargalhadasmuito prazer, se não me falha a memória, tinha um médico que desistiu da formação ? com o valor que iria investir no treinamento, ele comprou uma casa atrás do Hospital das Clínicas, para morar na parte de cimausar como consultório no térreo. Também um belo projeto, não? Ao mesmo custo.

O primeiro folder do Instituto era em inglês. O livro da Dra. Ida era em inglês. Todo. Precisamos de um convidado experiente que fizesse as traduções. O tradutor era o marido da Márcia, que acabou fazendo a formação no Feldenkrais. Precisávamos de aprofundamento em anatomia. Contamos com a disponibilidade de um professor de anatomia da Universidade de Sorocaba, que contratamos. Ele modelou um curso no laboratório para nós, com peças de laboratório, formol, livros, etc.etc.

Já havia prorrogado para mais seis meses meu período em São Pauloprecisava resolver: voltar para Recife ou ir aos Estados Unidos fazer a formação. Como havia sido de escola francesa, tinha o inglês precário, que me prejudicaria no curso. Resolvi embarcar para os Estados Unidos matriculada num curso de inglês para estrangeiros da Universidade de Boulder. No final de três meses deveria participar da seleção para o curso de Rolfing.

Outras três pessoas, do grupo dos nove, seguiram para a mesma seleção, iniciando o treinamento comigo em março de 1983: Neuza Araújo, Nilce Broadway (Nilce Silveira)Nelson Coutinho. Todos foram para o mesmo treinamento, porque ninguém queria ser o próximo. Todos queriam ser ?after Pedro?. O Nelsinho, como era chamado, encerrou numa turma posterior à nossa. Tem uma história bem pitoresca desta época. É que os americanos suavam para diferenciar entre Nelson, NilceNeuza. Portanto era alívio pra eles existir uma Miriam. Quando enfim souberam que a próxima candidata brasileira à formação seria a Marion. Piraram.

Depois de formada, participei de conferências, fiz palestras em RecifeBrasília, artigos em jornais escritostelevisivos. Divulguei os primeiros livros traduzidos para o português, viajei a São Paulo quantas vezes foi necessário para estruturação da Instituição. Penso que minha função, muitas vezes, é dar o ?start?. Pouco tempo depois do fim do curso me matriculei em um workshop americano para reciclagem. Tinha alguma experiência sozinhagostaria de comentar com professores o que vinha fazendoao mesmo tempo continuar aprendendotendo recomendações deles. Conversando com o Pedro, ele sugeriu que havendo outras pessoas de São Paulo (minha prática era em Recife) interessadas em reciclar, poderíamos trazer um professor para o Brasil – Louis Schultz era o nome. Penso que aí nasceu a idéia de formarmos um grupo de rolfistas brasileiro para um objetivo comum. Ainda em 1984 trouxemos o Louis. Convidamos alguns de nossos clientes para serem nossos modelos em sala. Alugamos, pagamos tudo de nosso bolsoficamos muito felizes. Porém, daí pra frente, o Instituto passou a ter interesse em dar continuidadeexpandir nossos objetivos no Brasil, que cada vez mais tornou-se nossodeles. Nosso, do Rolfing.

Incorporamos o Rolfing em nós, em nossa profissãoo aterrissamos no Brasil. Daí veio o frisson de fazermos maismelhor. De fincarmos pé em nossa realidade. Tudo era muito caro. Viajar, ficar sem trabalhar, pagar em dólar comida, dormida, escola, tudo. Sem financiamento ou facilidades. Tudo no ato. Ao mesmo tempo, nossa sensibilidade brasileira, humorknow how de terapeutas corporais, avançavam algumas perspectivas colocadas pelospara os americanos. Eles gostavam de nósnós deles.

Contamos com o apoio do Richard, então presidente do Instituto,de outros professores que conviveram com a Dra. Ida, como a Stacey Millso Emmett Hutchins. Quando o Emmett veio ao Brasil pela primeira vez, já tivemos incentivo do Institutoficamos numa belíssima fazenda em São Paulo, com direito a mucamastudo o mais. Teve início aí este bom gostorefinamento de ambientes para os nossos cursos que seguem até os dias atuais. Stacey Mills era uma dama de nossa corte. A pessoa mais atenciosa que já conheci. Discretavaidosa. Quando chegava ao Brasil sua primeira preocupação era marcar salão de belezaacertar um bom cafezinho que sempre oferecia em sala de aula. Era nutricionistasempre dizia que o resumo de seu livro, onde as pessoas esperavam muitas receitas saborosas, seria: o organismo pede o que ele precisa.”Eu amo leitequeijo, porque me levam muito perto de minha mãe”. Stacey Mills, Louis Schultz (pesquisador anatomista), Emmett Hutchins (físico), John Lodge (ilustrador do livro Rolfing)Peter Melchior constituíram a primeira equipe de trabalho com a Dra. Ida Rolfforam todos nossos professores. Os primeiros que encontramos em nossa formação. Pessoasprofissionais de grande estilocompetência. Cujos ensinamentos continuam reverberando em minha práticaprovavelmente na de todos nós.

Passamos então a focar em nossos pacientes, que buscavam informações sobre a formaçãoo estudo do Rolfing. Iniciamos organizando um comitê de pré-seleção, que depois tornou-se de seleção, para as pessoas que queriam ir fazer o treinamento nos Estados Unidos, posteriormente o pré-curso,finalmente o curso propriamente dito. Constitui desde o início o Comitê de pré-seleção que era apadrinhado pela Stacey. Numa das vezes em que estava nos USA (1986), fui convidada a fazer parte de uma seleção em Boulder, para trazer o know how para o Brasil. Passamos a fazer aqui a seleção. No início, com a participação de um membro americano. Coube também a mim propor o programalecionar a disciplina de psicologia, com abordagem terapêuticasensibilidade do toque, do primeiro Stacey Mills pré-curso. Tudo isso envolvia-nos em muitas, muitas reuniões. Entre nós, com os americanos, nas comissões que constituíamos para planejamentos, ponderações, decisões, açõesavaliações. Muitas vezes coerências, outras divergências, algumas ações que pareciam desconhecer a decisão das reuniões, mas como sempre, continuando. Se não me engano, foi no quarto ano desta batalha que institucionalizamos a ABR. A partir daí tivemos registros, atas, Sybille, etc, etc.

PEDIDO MÁGICO. Lembro de uma discussão em sala sobre magiaconcluímos que ela realiza a transformação sem sabermos como. Daí ser magia. Como sempre trabalhamos muito para o desenvolvimento do Rolfingsabemos que o fruto vem do trabalho, tenho certeza de que a magia é nossa crença. Não sei como acreditamos tanto no Rolfing. Ou melhor, só acreditamos tanto no Rolfing porque já o sabemos. Meu pedido mágico à época dos anos 80 era a filiação. Constituir o espírito de grupo. Meu pedido hoje é que possamos expandir o espírito de grupo. Atrairreconhecer pessoas que se identifiquem com o Rolfingpossam colocar nele seu testemunho de aprendizagemdecodificação de seus paradigmas. Pessoas que acrescentem importânciavalores a nossa práticaconhecimento. Que sintam gratidão pelos princípiosmetodologia que encontramos já estruturadosfacilitaram nosso percurso pessoalprofissional. Que referenciem a Dra. Ida em seus percursos. Que ajudem a expandirdivulgar nossa crençaconhecimento, cada qual com sua linguagem. E de preferência com as linguagens mais diversas possíveis. SEJAMOS ELOS.

Gostaria de agradecer a oportunidade desta reflexãocomunicação, que minha memória tenha sido fiel. Parabenizar a Lúcia pela disponibilidade, persistênciacompetência ao assumir o Rolfing Brasil. Gostaria também de reconhecer a importância do Pedro como agregador de nossos objetivos ao longo dos anosatualmente de nossos textos na importantíssima biblioteca virtual a que vem se dedicando. Ficaremos para a posteridade??

NILCE SILVEIRA

Nilce nasceu em Sorocaba em 1951. Moratrabalha em São Paulo, onde se formou em Psicologia na PUC. No final da década de 80, ajudou a formar a ABR,pouco depois, a Guild for Structural Integration (GSI). É fundadorainstrutora da International Schools of Structural Integration. Até 1992 assinava seu nome de casada, Nilce Broadway.

?Cheguei ao Rolfing através da Psicologia, na busca de uma maneira de trabalhar que incluísse o corpo. Trabalhava em consultório como psicólogadava aulas no curso de Psicologia da Universidade de Mogi das Cruzes. O Rolfing me atraiu pelo aspecto da integração. De todas as metodologias que conhecia, até então, era a única que encarava a pessoa verdadeiramente como uma unidade: não tentava trabalhar com os diferentes componentes do todo, mas acreditava que trabalhando um deles estaria trabalhando o todo. Via o ser humano integrado,não como uma somatória de diversas partes. Resolvi fazer a formação de Rolfing quando concluí que queria trabalhar com isso. Terminei o treinamento em 1983. Para mim representava aquilo que eu sempre procureisonhei fazer profissionalmente. Pessoalmente, foi o encontro de um caminho fascinante para o auto-conhecimentocrescimento pessoal.

Durante todos estes anos, estive sempre envolvida com o crescimento, divulgaçãoensino da Integração Estrutural, além de manter um atendimento a clientes particulares. Hoje sou fundadorainstrutora da International Schools of Structural Integration. – ISSI,participo da IASI – International Association of Structural Integrators, nas atividades relacionadas à definição da profissão, definição do currículo básico para as escolas de Integração Estruturalelaboração do exame de qualificação profissional.

Fui fundadora da ABR. Participei da sua criaçãoconcepção. Meu envolvimento era na parte educacional, na criaçãocoordenação de cursos,no ensino, tanto no pré-curso como nos cursos básicos. Saí da ABR em 1989, em decorrência da cisão que houve no Rolf Institute. Na realidade, eu não saí da ABR, mas fui “terminated” pelo Rolf Institute, ao começar a dar aulas na Guild. Meus professores de Rolfing até então, criaram outra escola, a Guild for Structural Integration, com uma filosofiaobjetivo que me eram carosverdadeiros,eu decidi acompanha-los. Essa cisão foi muito difícil nos Estados Unidos, naquela ocasião. No Brasil, tivemos a chance de seguir por outro caminho, visto que a distância nos possibilitava gerenciar esse conflito da maneira que quiséssemos. Nós éramos poucoshavia muito trabalho a ser feito. Não aproveitamos a oportunidademuita energia foi desperdiçada – exatamente aquilo que não é a Integração Estrutural.

E justamente porque Integração Estrutural é um jeito de serestar na vida, acredito em seu futuro: um campo de estudo, trabalhocrescimento reconhecido mundialmente, sustentado por um corpo de profissionais altamente comprometido, além das diferenças de abordagenstendências, apoiandonutrindo a felicidade de tantos quanto possível. Creio que esse era o sonho da Dra. Ida Rolf. Que seja o nosso também.”

Saiba mais: www.theissi.org

NEUZA ARAÚJO

Neuza nasceu em Sete Lagoas, Minas Gerais, em 1944. É psicólogaterapeuta corporal. Pesquisoucriou o Método Pilates: Nova Postura. Tem dois estúdios em São Paulo, com atendimento em Rolfingaulas de Pilates: Nova Postura. Ministra também o curso de FormaçãoCertificação de Instrutores de Pilates: Nova Postura.

?Sou originalmente psicóloga. Fiz formação em Bioenergéticaem Gerontologia e, na busca de maior compreensão da linguagem corporal, estudei com o Gaiarsacom o Ivaldo Bertazzo. Conduzia ?Grupos de movimentos?, nos quais trabalhava mobilização, consciência corporal, respiração, relaxamento etc,percebia grande melhora nos clientes. Queria especificar ainda mais o meu trabalho. Ao mesmo tempo, tinha sérios problemas de coluna,desde muito cedo comecei a ter longas crises de doresimobilidade, que as técnicas vigentes na época minimizavam, mas não conseguiam resolver. Na busca por soluções para estes problemas na coluna, além de um maior desenvolvimento profissional, cheguei ao Rolfing, que me atraiu pelo poder, pela lógicapela estruturação da metodologia. Fiz a formação de Rolfing, porque via nesse trabalho a perspectiva de ajudar-meaos meus clientes de uma maneira mais profunda, eficazduradoura. Conclui o treinamento em 1983, nos Estados Unidos.

Naquela época, técnicas de trabalho com reorganização estrutural estavam começando a chegar ao Brasil,éramos poucos. Pessoalmente fiquei seduzida com o conhecimento de anatomia, fisiologiabiomecânicaencontrei no Rolfing características que combinavam com a minha personalidadeatendiam às minhas necessidades pessoais.

Ao longo desses vinteseis anos como rolfista, atendi mais de dois mil clientes. Findo o processo de Rolfing, freqüentemente os clientes me pediam orientação ou sugestão sobre o tipo de atividade física que deviam desenvolver. Procurava sugerir atividades diferentes para cada caso, dependendo do perfil do cliente. No final dos anos noventa, comecei a sentir falta de um trabalho de reeducação do movimento, que atendesse à minha busca pessoalprofissional. Queria recursos para ajudar ainda mais os meus clientes na apropriação, permanênciaconseqüente evoluçãodos resultados conquistados com o Rolfing.

Pratiquei Iogafiz aulas diárias de Pilates por dois anos, para me trabalharcompreender no meu corpo o método. Cursei Polestar Education System (uma visão reabilitadora do Método Pilates) e, posteriormente, fiz o curso de Formação em Pilates, no Physicalmind Institute, Santa Fé, New Mexico, USA. Pesquisei também na Europa as diversas escolas de Pilates, na busca de um trabalho mais personalizado, que atendesse às diferenças individuais dos clientes.

Insatisfeita com a prática que encontrei, comecei a desenvolver com meus clientes um trabalho de movimento, usando como eixo o pensamentoos princípios desenvolvidos por Joseph H. Pilatesassociando a estes, conceitos de Bioenergética, Rolfing, Polestar, Fisioball, Girokinesis, Iso Stretching, Feldenkrais, Iogaoutras modernas técnicas de conscientização corporalteorias de controle motor. Nasceu assim o Pilates: Nova Postura, que é um processo de auto-conhecimentodesenvolvimento pessoal através do movimento. Entende a questão da posturado corpo em movimento como um desafio à força gravitacionalprocura integrar o uso adequado da biomecânica à gravidade. Busca o equilíbrio estático, numa relação harmoniosa entre corpogravidadeo equilíbrio dinâmico, através da facilitação da fluência, no espaço, de uma estrutura corporal alongada, forte, flexívelorganizada. Atualmente tenho uma equipe de profissionais que trabalha comigo,além de atender os clientes que nos procuram no Studio Neuza Araujo, desenvolvemos desde 2001 o Curso de FormaçãoCertificação de Instrutores de Pilates: Nova Postura (120 horas/aula + estágios práticosde observação), tendo mais de duzentos alunos formadosdesenvolvendo este trabalho de norte a sul do Brasil.

Participei da criação da Associação Brasileira de Rolfistas,participei de sua gestão inicialmente, enquanto acreditei que a minha contribuição era importante. Com a seriedade do meu trabalhoconseqüente reconhecimento da minha competência profissional tive uma contribuição bastante significativa no estabelecimento do Rolfing no Brasil. Em termos de mídia tive uma participação tímida, pois apesar de aparentemente extrovertida, sou bastante reservada.

Acho que não tenho um pedido mágico para a integração estrutural, mas acredito que se educação posturaldo movimento fizessem parte do currículo escolar, seguramente teríamos um povo mais fortecentrado, com condições de defender os seus direitos.?

Saiba mais: www.novapostura.com.br

NELSON COUTINHO

Nelson nasceu em São Paulo em 1953. Formado em economiapsicologia, fundou a Sociedade Brasileira de Integração Estrutural. É psicólogo clínicoautor do livro ?A Mandala Viva?.

?Fiz uma longa viagem pelo litoral, assim que me formei em economia, em 1976. Fiquei morando em uma barraca por meses. Levei comigo uma mochila de livros de ioga, psicologia, esoterismo… passei um tempo pensando sobre o futuro. Pode parecer engraçado, a razão que leva as pessoas a fazerem as coisas… mas eu vou contar. Desde criança, eu era fã dos Beatles, essa foi talvez a maior influência na minha vida. A noção que a vida devia ser divertida, conter aventura e, claro, busca espiritual, me deixava um pouco apreensivo com a possibilidade de trabalhar em um banco, ou em outro tipo de escritório, pelos próximos trinta anos. Assim, resolvi buscar algo que fosse diferente para fazer. Ao voltar da praia, com o aval do orientador espiritual da família, comecei a praticar ioga. Na escola de ioga fiz um amigo, que me introduziu em um grupo que praticava os exercícios reichianos. Dali fui fazer terapia com a Ana Verônica Mautner, que foi quem me orientou na profissionalização em trabalho corporal. Daí ao Rolfing foi um passo.

Como eu tinha trabalhado alguns anos no escritório de um perito judicial, formado em economia, o trabalho como perito foi um caminho natural. Ao mesmo tempo desenvolvia a nova profissão de terapeuta corporal. À noite estudava psicologia,quando não estava trabalhando nas perícias, atendia clientes para massagem.

O Rolfing me atraiu porque se tratava de tecnologia de ponta na área,claro, pela perspectiva de crescimento pessoal. O meu interesse em ioga, ReichJung podiam ser abordados com eficácia através do Rolfing. Resolvi fazer o treinamento porque me pareceu a evolução de meus esforços de anos estudando trabalho corporal. Comecei a estudar corpo em 1976,me formei rolfista em 1984.

Na época, o Rolfing oferecia todas as perspectivas, uma vez que era absolutamente novo. E nenhuma, porque pouca gente conhecia. Lembro de ter ido a uma academia falar do trabalhoo dono ficar me olhando desconfiado. Pessoalmente, as perspectivas eram interessantes. O grupo tinha um nível muito bom e, no começo, éramos super unidostrocávamos muito. Apreendi bastante. A união do grupo também se traduzia em divulgação, em pouco tempo o trabalho se tornou conhecidotodos tinham muitos clientes. O grupo trabalhava unidoas coisas aconteciam com rapidez. Minha participação na ABR foi total. A minha esposa foi quem organizou tudo no começo. O meu pai escreveu o estatuto da associaçãoregistrou. A gente trabalhava dianoite pelo Rolfing, com muito amor, por ideologia, não havia benefícios diretos. Foi assim durante anos. E depois o mesmo com a Guild.

Fui um dos membros fundadores da ABR,depois do racha fui dos um dos fundadores da Guild. Mais tarde, fundei a primeira escola de Rolfing totalmente brasileira, a Sociedade Brasileira de Integração Estrutural.

O meu pedido mágico é ver o Rolfing se firmar como aquilo que ele realmente é: um caminho de crescimento interior. É com grande prazer que assisto hoje o desenvolvimento do Rolfing no Brasil. E desejo que nós, independentemente da escola, continuemos a divulgaraprofundar este conhecimento, que hoje, após estes 25 anos de trabalho, posso afirmar com tranqüilidade, é umas das minhas maiores paixões.?

Saiba mais: www.rolfsobes.com.br

TESS (TEREZA) OHASHI

Tereza Ohashi nasceu no Brasil em 1946. Formou-se em Bioquímica Nutricional no Japão, depois em Fisioterapia no Brasil. Atualmente mora no Japão.

?Cheguei ao Rolfing através da minha constante busca de respostas para o alívio da minha dor de cabeça constante. Não encontrava alívio nos inúmeros trabalhos a que me submeti, como macrobiótica, tai chi chuan, acupuntura, medicina chinesa. Nessa busca, encontrei a Biocibernética Bucal, que me abriu o entendimento em outros níveis da estrutura humanadas suas correlações. Através deste trabalho, tive o conhecimento de que um rolfista estava de passagem no Brasil, Samy Frenk. Implorei insistentemente por um horáriofui abençoada, pois alguém desistiueu entrei nesse lugar. Não houve tempo para fazer as dez sessõestive que esperar o Pedro Prado voltar para concluir o processo.

Nasci no Brasil, mas fui alfabetizada em japonês. Quando entrei na escola, tive sérios problemas para aprender o alfabeto romanofalar português. Aliás, até hoje, a pronúnciaa gramática da língua portuguesa são difíceis para mim. Não há concordância em japonês, não existe, por exemplo, a maçã ou o prato. Esse problema ficou patente durante as reuniões para a formação da ABR, porque um dia eu perguntei: onde está “o ata”? Isso foi motivo de risadadeboche durante muito tempo. Portanto, não era raro eu me sentir “um pato dentro de um
galinheiro”. Então achei que vindo para cá (para o Japão) eu poderia me sentir “um galinha dentro de um galinheiro”. Cheguei a conclusão que onde quer que eu fosse eu seria eu mesma, apesar de ter “cara de oriental”. Em qualquer lugar do mundo que eu vá, todos vão achar que eu sou orientalninguém vai desconfiar que sou brasileira. Resolvi que era melhor eu assumir a minha própria identidadeque eu teria uma grande vantagem de ter a bagagem cultural dos dois países, independente da aparência. Quando meu pai sugeriu que eu viesse estudar aqui (no Japão), minha alma sedenta de aventurasnovidades não pensou duas vezes.

Depois de concluir o curso de Bioquímica Nutricional no Japão, descobri que eu não tinha muito a ver com tubos de ensaio. Procurei o curso de Fisioterapia, mas não existia aqui ? aliás, esse curso só foi oficializado no Japão há mais ou menos 20 anos. Resolvi voltar ao Brasilfazer o curso de Fisioterapia. Eu me especializei em neonatologia com bebês de alto risco, que já haviam passado por problemas durante a gravidez ou no pré ou pós parto. Me especializei também em condições neurológicas como seqüelas de AVC, hemiplegias, paraplegiasoutros condições.

O que mais me atraiu no Rolfing foi a visão global que tem do ser humanoa relação que estabelece na estrutura humana. Além de ser um processo objetivo, com um começo, meiofim, diferente da fisioterapia clássica, onde há um começo, mas o meiofim fica muito a critério de cada profissional. Quando me submeti ao processo não tinha a mínima idéia de me profissionalizar, todavia, Samy fez de tudo para me convencer de que eu deveria ir a Boulder fazer o treinamento.

Meu processo de formação foi complicado. Depois de terminar as sessões com Pedro, iniciei todo o caminho para a seleção. No meio do caminho, recebi notícias do Rolf Institute de que não precisava ir aos Estados Unidos, porque eles achavam que a minha mão era pequena demais, eu era pequena demais! Foi um choque muito grande. Quando estava prestes a desistir, PedroSamy fizeram muitas conversações, eles achavam que eu deveria tentar fazer o Movement Teacher, que eu não tinha a mínima idéia do que era. Mesmo assim, resolvi seguir a sugestãofui para lá. Na época, o curso tinha três fases. Quando terminou a primeira, o professor Tom Wing disse que, ao contrário do que haviam estabelecido antes, eu tinha as mãos fortespoderia perfeitamente ser uma practitioner. Fiquei mais confusa,além disso, o Movement não era bem o que eu queria. Conversando com o Richard Stenstadvold, ele sugeriu que eu terminasse a formação do Movementdepois, se eu ainda quisesse a formação do trabalho estrutural, voltaríamos a conversar.

Na segunda fase do curso do Movement, houve uma mudança radical no trabalho, que ficou bem mais próximo do trabalho estrutural. Foi uma bênção, pois o trabalho estrutural fazia mais sentido para mim. Conclui a formação do Movement em 1981, creio, não tenho muita certeza da data.

Em São Paulo, encontrei Richard novamente num workshop de Emmett Hutchins. Nessa ocasião, ele me disse que se eu ainda quisesse, poderia fazer a formação do Rolfing. Foi uma surpresa muito gratificante. Fui auditor no primeiro curso de formação no Brasil. Depois do que houve no Rolf Institute, como queria ser aluna de Emmet, resolvei segui-lofui ser sua aluna em Boulder, onde concluí minha formação na Guild em 1990.

Uma das coisas que eu sempre apreciei no Rolfing é a objetividade do processo. Eu podia acompanhar as mudanças ocorrendo, independente de o cliente ter ou não conhecimento disso. E esse era exatamente o ponto onde eu, como profissional, deveria agir, “fazendo” com que o cliente despertasse para o que estava ocorrendo com o seu corpo.

Pessoalmenteprofissionalmente havia a possibilidade de compartilhar com o cliente o seu crescimento como individuoestabelecer relações da sua estrutura com a realidade daquele momento do cliente, abrindo o leque das possibilidades de uso do corpo. A idéia de que o profissional é o facilitador, muda toda a relação rolfista/cliente, pois deixa de ser algo mandatório, como ocorre em muitas outras modalidades de terapias.

O processo de nascimento da ABR foi um processo complexo, que exigiu de todos muitas horas de trabalhodedicação. EuDeanna Lanfranco éramos sócias num consultório, uma casa enorme. Não muito tempo depois, o Pedro teve que sair de onde estava,sugeri que viessem ao nosso espaço, enquanto procuravam outro lugar. O provisório acabou ficando fixo,creio que para um propósito maior, que era a criação da ABR. Estávamos sempre juntos, o que facilitava as reuniões, que foram incontáveis até chegar a um ponto que houvesse um denominador comuns entre nós. Quando passei pelo Brasil, fiquei sabendo que a ABR cresceu muitofiquei orgulhosa, pois me parece que existe um trabalho social em curso. Estou afastada da ABR, mas pretendo me reaproximar pois volto ao Brasil em breve?.

MARION KELSON

Marion é carioca, nascida em 1954. Formada em Sociologia, foi a primeira rolfista do Rio de Janeiro. Aprofundou seus conhecimentos com formações em Pilates, Gyrokinesis, G.D.S.Osteopatia, entre outros. Coordena o espaço Gestos, no Rio de Janeiro.

?Ouvi falar do Rolfing em uma formação de terapia Bioenergética, a primeira no Rio de Janeiro. Assim que soube do que se tratava, tive certeza de que este seria o meu caminho. Fui para São Paulo buscar mais informações sobre o trabalhoconheci o Pedro, que com todo seu entusiasmo, só fez crescer o meu interesse pelo Rolfing.

Sou formada em Sociologia. Quando decidi que faria a formação de Rolfing, comecei a me preparar, fazendo muitos cursostrabalhando com massagem. Decidi fazer a formação porque o Rolfing oferecia uma abordagem sistemática, intensaeficiente, com grandes resultadostransformações em vários níveis. Como uma boa escorpiniana que sou, me sinto muito atraída por transformações. Foi exatamente a profundidade do trabalhoa transformação que se tornava possível a partir dessa intervenção, o que mais me atraiu no Rolfing.

Pessoalmente, o Rolfing me dava a possibilidade de trabalhar de uma forma muito próxima com gente que eu adoro,de poder a partir desse encontro me desenvolverampliar meus próprios limites. Profissionalmente, representava me estabelecer com um método de trabalho pouquíssimo conhecido (não havia nenhum rolfista no Rio) mas com uma boa reputação na área corporal. Conclui a minha formação em 1985.

A minha participação hoje na ABR é nula, apesar de todo o meu reconhecimento da importância desse trabalho. Além da distância não favorecer, a administração do ?Gestos?o atendimento aos clientes têm me ocupado em tempo integral. No entanto, o Gestos, espaço corporal que coordenoque agrega diversos profissionaisatividades (Pilates, ioga, massagens, etc), vem crescendotem representado um bom meio de divulgação do nosso trabalho.

Meu pedido mágico é que cada um de nós continue fazendo o Rolfing da melhor forma possível, para que possamos cresceroferecer esse trabalho tão especial para mais pessoas,que a ABR contribua sempre nessa divulgação.

Quando fui fazer o Rolfing eu queria MUITO mas honestamente acho que nunca imaginei o tanto que estou recebendo (e obviamente dando) com esse trabalho. Sou profundamente grata.?

Saiba mais: www.gestosdocorpo.com.br

LAEL KEEN

Lael nasceu nos Estados Unidos em 1959. Foi pioneira de Experiência Somática no Brasil. É instrutora de RolfingS.E. Tem faixa preta 5º grau de Aikidô. Mora em Florianópolis.

?O Rolfing mais chegou em mim do que eu cheguei no Rolfing. Quando eu era criança, minha mãemeu padrasto organizaram um grupo de pessoas para serem rolfadastrouxeram vários Rolfistas para rolfar este grupo. Depois, os dois (minha mãemeu padrasto) acabaram seguindo carreira no Rolfing, a minha mãe como movimentistameu padrasto como Rolfista. Assim, me tornar Rolfista era algo que aconteceu naturalmente ? eu estava inserida no meio deste contextoacabei me interessandome tornando Rolfista também.

Na época que eu me tornei Rolfista ainda se exigia uma idade mínima de 25 anos para poder fazer a formação. Então, apesar do fato de saber, desde uns 18 anos de idade, que eu queria ser Rolfista, eu tinha de ?fazer hora? durante uns sete anos. Durante estes sete anos, treineifui praticante da massagem Jin Shin Jyutsu,de um método chamado Integração Psico-física de Trager. Além disso, desde a minha adolescência estudei Aikidô, então quando cheguei na formação de Rolfing eu já tinha a faixa preta 2º grautinha sido professora de Ki-Aikidô durante alguns anos.

No início, o que mais me atraiu no Rolfing foi algo que eu senti como cliente. Depois de rolfada, sentia que tinha um corpo que expressava mais autenticamente a essência do meu ser. Ficava muito intrigada – como isto podia acontecer? ?sentia muita vontade de ajudar os outros a sentir isto também. O Rolfing oferecia a possibilidade de ajudar os outros de uma maneira muito poderosatransformadora,ainda podia ganhar a vida dessa maneira. Pessoalmente, o Rolfing é algo que está sempre me levando a descobrirconhecer mais sobre o ser humanosobre mim mesma.

Terminei a formação de Rolfing em 1984cheguei ao Brasil em 1986. Desde então, tenho estado sempre muito envolvida no Rolfing no Brasil. Como Rolfista, como sócia fundadora da ABR, como membro de diversos comitês. Depois, como professora, primeiro de Rolfing Estruturaldepois de Rolfing Funcional. Minha participação na ABR é primariamente no âmbito educacional.

Estou muito envolvida em ensinar Rolfing e, junto com os meus colegas do corpo docente, num processo contínuo, a formularreformular a nossa formação. Tem sido o meu grande prazerhonra crescer junto com a ABRcom os amigos/ colegas que conheçocurto há tantos anos. O meu pedido mágico para o Rolfing é que possa chegar a muito mais gente, sem perder a qualidade pela qual zelamos tanto.?

TERESA CAMARÃO

Tereza ajudou a introduzir o Rolfingo Pilates em Brasíliano Rio de Janeiro. Autora dos livros “Viver Saudável”, “Pilates no Brasil”, “Pilates com Bola no Brasil”. Proprietária dos Studios Teresa Camarão, que oferece formação dos instrutores de Pilates.

?Eu morava em Brasília. Era terapeuta Fisher Hoffman. Fui avisada que uma rolfista (Miriam Braga) iria fazer o trabalho na cidade. Eu já tinha lido sobre o Rolfingimediatamente me inscrevi para fazer as 10 sessões. Os resultados que obtive com o trabalho me deixaram fascinada. Me apaixonei pelo Rolfingme lancei para o treinamento, que concluí em 1986. Era um novo horizonte que se abria pra mim – descobri que adorava o trabalho de manipulação.

Comecei a minha prática, que foi coroada de sucesso. Morei alguns anos nos Estados Unidos, onde trabalhei como rolfistaem 1991 retornei ao Brasil. Fiz uma grande divulgação do trabalho no Rio de Janeirono Brasil. Hoje trabalho com Pilates, ministrando cursos para formação de instrutores por todo o Brasil. Trabalho pouco como Rolfing por falta de tempo.

Meu pedido mágico para o desenvolvimento da Integração Estrutural seria que o Rolfing se tornasse obrigatório para as crianças até a adolescência, para que pudessem ter uma vida melhor estruturada. Assim poderíamos criar
um mundo melhor.?

Saiba mais: www.studioteresacamarao.com.br/

MARILÉA XAVIER

Mariléa é mineira, graduada em BioquímicaMestre em Fisiologia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Tem experiência didáticapesquisa no ensino superior, além da experiência como terapeutaeducadora Corporal. Atualmente dirige o Espaço Equilíbrio, em Brasília, associando os trabalhos de RolfingPilates.

?Ouvi falar do Rolfing pela primeira vez logo que o Pedro Prado voltou ao Brasil após a sua formação. Entre os seus primeiros clientes estavam seus colegas de grupo do GaiarsaNeuza Araújo era uma dessas pessoas. Foi ela que, com grande entusiasmo, me falou sobre o Rolfing como um processo que tinha tudo a ver comigo.

Naquela época eu morava em Belo Horizonte, mas ia a São Paulo com mais freqüênciaassim acompanhei o processo de formação da segunda leva de rolfistas brasileiros: Miriam Braga, Nelson Coutinho, Neuza AraújoNilce Broadway. E foi com Neuza Araújo, em 1982, que fiz a minha primeira série básica. As mudanças em minha estrutura foram tão marcantes que me impeliram para a nova profissão. Nessa época, eu era professora universitáriahavia defendido minha tese de Mestrado em Fisiologia. Foi fascinante vivenciarter, em meu próprio corpo, a compreensão de conceitosmecanismos de transformação até então conhecidos teoricamente ou na prática de um laboratório.

Assim começou a minha trajetória como rolfista. Quando pleiteei meu afastamento temporário da docência para fazer o doutorado, os entraves da burocracia acadêmica determinaram minha ruptura com a carreira universitária. Mudei-me para São Paulo em 1985, dando andamento ao processo preparatório para admissão no Rolf Institute. Após aprovação do meu paper pelo saudoso professor Peter Melchior, fui para os Estados Unidos, em setembro de 86, para a entrevista final do processo de seleçãoprimeira fase do treinamento (auditing) em São Francisco. A segunda fase (practitioning), concluída em março de 1987, fui fazê-la em Boulder no Rolf Institute.

No período de dezembro de 1985 a setembro de 1986, enquanto me preparava para a formação, prestei alguns serviços à comunidade de rolfistas brasileiros, reunidos como grupo no que então se chamava ?Instituto Rolfing do Brasil?. Além de participar das reuniões, fui assessora do Pedro Pradoparticipei da revisão da tradução do livro da Rosemary Feites, lançado posteriormente pela Summus Editorial.

Já como rolfista, dei a minha contribuição na leitura de papers, no processo de seleção, como professora de Fisiologia do pré-curso, como professora assistente do Pedro Prado no treinamento ocorrido em junho/julho de 1993 e, ocasionalmente, como tradutora nos cursos ministrados por professores estrangeiros.?

Saiba mais: www.marileaxavier.com.br

MARIA CÉLIA XAVIER

Maria Célia nasceu em 1950 em Carmo do Paranaíba, Minas Gerais. Foi criada em Belo Horizonte, onde vive há mais de 30 anos. Formada em Serviço Social, fez cursos complementares como PNL, Biografia com base Antroposófica, pós graduados em NegóciosEducação à Distância. Ajudou a implantar o Rolfing em Minas.

?Em 1982 comecei a me interessar pelo trabalho corporal. Foi no Fisher Hoffing que eu ouvi de um professor uma pequena alusão ao Rolfing. Como não tinha informações precisasmeu inglês era muito deficitário, deixei essa questão de lado. Quando fiz a formação de Corpo Análise, no Rio de Janeiro, a professora de movimento trouxe uma profissional formada em Rolfing dos USA,eu fiz umas três sessões.

Depois, por ocasião do Congresso Internacional do Corpo (RJ/1985), a própria Thérèse Bertherat sugeriu que, quando tivesse oportunidade, fizesse um Rolfing completo. Neste mesmo congresso, o Emmett (Hutchins) fez uma palestra sobre Rolfing,apresentou os profissionais brasileiros que já eram formadostrabalhavam em São Paulo. Procurei um rolfista em São Paulofiz o Rolfing Básico.

O que mais gostei no Rolfing foi o fato de o subsidio teórico ser substancial. Por um lado, o trabalho tinha uma razão de ser, observando-se o movimento das fásciasas conexões constatadas na mecânica do movimento; por outro, também podia perceber claramente os fatores emocionais envolvidos a partir da entrevista inicial, onde o cliente faz o relato de sua história de vida. O que algumas vezes justifica a questão postural, indo-se além da mecânica corporal. Aos poucos, cumpri as etapas exigidas para a formação. A ABR estava se formando.

Antes da formação de Rolfing, trabalhava como professora de MovimentoOsteopatia. A primeira formação que fiz nesta área foi em Corpo Análise, fundamentada na Antiginástica, dada por uma aluna da Thérèse Bertherat no Rio de Janeiro. Eu era funcionária pública, o que me dava a oportunidade de trabalhar mais tarde com Rolfing em instituições. Como já estava trabalhando com propostas corporais em grupo, resolvi aprofundar-me nos atendimentos individuais. Comecei meu treinamento como auditor em 1987, com Stacey Mills, no Brasil. Esta foi a primeira turma que fez treinamento aqui, graças ao empenho da Deanna (Lanfranco). Conclui meu treinamento como practitioner em Boulder, com Emmett, em novembro de 1988.

O Rolfing oferecia perspectivas por ser um trabalho novo, teoricamente bem sedimentado, era uma escola séria, com um bom preparatório. O retorno financeiro na época era melhor.permitia crescimento profissional contínuo.

Ajudei a implantar o Rolfing em Belo Horizonte, com a vinda da Lael Keen. Depois implantei trabalhos de movimento na área empresarialpública. Como profissional, não pude participar da ABR, pois o foco da Associação sempre foi dar formações. Não havia por parte dela uma preocupação voltada ao profissional de Rolfing.

Meu pedido mágico é que a ABR possa manter a integridade da formação profissional. Atualmente os alunos de rolfing vão fazer a formação muito novos (antes a idade básica para fazer a formação era 35 anos). A maturidade influi bastante, pois a ferramenta do rolfista é o corpo ? se não estiver maduro para enfrentar a profissão, complica. Outro fator é que não adianta jogar profissional no mercado, sem estar bem amadurecido. Isso já ocorre com muitas profissõeso resultado mostra que essa é uma realidade pouco válida. Afora isso, desejo que ABR possa também cuidar dos profissionais, além de formações.?

DEANNA LANFRANCO

por Pedro Prado

?Deanna foi uma destas figuras mágicas…Coração dos mais generosos que conheci.

Baixou no consultório, depois de um câncer linfático sério,ainda muito assustada com os efeitos da quimioterapia severa a que tinha se submetido. Era uma italiana, professora de ciências biológicasesposa de um super-executivo da Fiat, Fausto Lanfranco. O trabalho de Rolfing, feito na maior parte em silêncio, foi revelador para ela. No início, mal podia ser tocada, até que lentamente sentiu seu corpoespírito voltarem a funcionar harmonicamente. Foi um destes resgates meio milagrosos…

Deanna, muito impressionada com o trabalho e, depois do câncerde todas as quimios por que passara, muito interessada em metodologias alternativas, resolveu estudar Rolfing. “Rolfing tem algo diferente de todas as outras metodologias alternativas…”

Foi um processo longocomplicado. Entre viagens a Europao manter de suas diversas casas, ela conseguiu fazer o pré-cursoa Unidade 2 na Europa, e, para fazer a Unidade 3, na época denominada a fase de “praticante”, “profissionalizante”, começou a incentivar a organização de uma classe aqui no Brasil. “Por que não aqui no Brasil?”, diziam DeannaFausto, que, a estas alturas, já haviam se tornado meus amigos. Não conseguia muito entender esta pressa toda, uma vez que a comunidade brasileira ainda era muito pequenahaviam exigências administrativaspedagógicas de Boulder que dificultavam este projeto. Percebo que por trás desta motivação existia algo concreto, chamado “amor de mãe”. A mãe que não queria largar a única filha por tanto tempoir estudar na Europa ou América.

Topamos a aventuraassim realizamos a primeira classe brasileira, no consultório do Pacaembu, na rua Manoel Maria Tourinho, a “famosa” Casa Azul, um espaço generosíssimo!

Nasceu aí a brincadeira de que foi Marta, sua filha, a razão da fundação da Escola Brasileira de Rolfing! Sem dúvida, foi o chute inicial desta partida, um incentivouma ousadia a que não me atreveria na época…

Foi Deanna quem fundou, com Tereza Ohashi, a clínica da rua Honduras, que nos acolheu quando precisamos sair correndo da Zona 1 onde estávamos (Neuza Araújo, Oswaldo Cardosoeu) no Pacaembu! Integrada à equipe de rolfistas brasileiros, participou da fundação da ABR e, logo a seguir mudou-se para a Itália, onde foi pioneiraatuante na fundação da Associação Italiana de Rolfing, levando sua experiência de ABR para a Europa.

Organizou também o primeiro curso de Rolfing na Itália, em Turim,me convidou para dá-lo, e, para onde levei a Lael como assistente. Nesta época, me apresentou Paula Mattoli, que morava na Itáliaera sua cliente em Milão. Paula era filha da fundadora da escola Italiana em São Paulo, onde Deanna deu aulas. E deu no que deu… Estamos casados, euPaula, há mais de dez anos.

Em 1994, no processo de mudança dos estatutos do Rolf Institute que estava em curso, eu havia conseguido inserir no projeto uma cadeira que congregasse os países em desenvolvimento no Corpo Diretor do Rolf Institute. Deanna foi a primeira a ocupá-la. Apesar de estar morando na Itália, tinha profundo afetoconhecimento da realidade brasileiraera pessoa muito cosmopolita.

Em outubro de 95, no auge de sua carreira profissionalpolítica, um enfarte súbito! Que dor, que perda para todos… Quantas memórias…

Posso dizer que Deannaeu mudamos nossos rumos pessoais,os rumos do Rolfing no Brasilna Itália, por termos nos encontrado! Minhas sinceras homenagens, sempre.?

OSWALDO CARDOSO FERREIRA

por Pedro Prado

?Oswaldo, bom companheiro de viagem….

Médico pediatra, buscava caminhos alternativos, como em voga na época nos anos 60. Chegou como um “inquilino”, alugando uma sala, na primeira clínica de Rolfing que existiu, na rua Atibaia, dividindo-a com o Li, Luiz Fernando Carvalho Barros, o medico antroposófico. Ambos haviam feito o curso com Mme. Mezière, na França.

Fiz este trabalho com ele, achei-o fascinante. Na época ( meados dos anos 80), eu estava desenvolvendo os Alongamentos Estruturais,meu contato com Oswaldo foi um pilar importante para este desenvolvimento. Provavelmente, para ele também, uma vez que resolveu tornar-se Rolfista também.

Oswaldo, junto com Martine Barnoux, uma Mezierista francesa, que depois se tornou rolfista também, trouxeram Souchard para o Brasil para dar o primeiro curso do que depois, quando Souchard se desligou de sua mestra, Mme. Mezière, veio a se chamar RPG.

Pioneiro ao trazer o RPG para o Brasil,também pioneiro como colega na fundação da ABR. Da rua Atibaia fomos, junto com Neuza Araújo, para a Rua Manoel Maria Tourinho,aí carregamos a visão de fazermos um consultório só de Rolfing, onde houvesse também uma escola… que foi o que acabou acontecendo.

Juntos, fizemos muuuuuitas reuniões, vários projetos, apresentações em Congressos, entrevistas pioneiras. Como médico, ele tinha seu Ibope garantidoacrescentava respeitabilidade ao sistema. Fizemos a revisão técnica do livro de Ida Rolf, Rolfing – a Integração das Estruturas Humanas. Nesta revisão nos divertimosestudamos muito.

Oswaldo foi das primeiras vítimas da AIDS, moléstia ainda desconhecidaassustadora. Vimos o colega definharo acompanhamos em seus últimos tempos…. Já doente, escolheu fazer uma viagem pela EuropaEUA, visitando amigos… Deanna o recebeu na Itália, onde nos encontramos… Em Boulder, com Vera SeneSandra Burgos, então alunas do Rolf Institute, o recebemosacompanhamos na sua última reunião anual, uma figura já muito debilitada.

Sua presençadedicação enternecia os colegas rolfistas, que mostraram uma solidariedade descomunais, daquelas de nos fazer sentir orgulhosos em duas direções: a de ser amigocompanheiro de trabalho do Oswaldoa de pertencer a comunidade de rolfistas, com pessoas tão genuinamente solidárias.

Em momentos problemáticos ainda “bato um papinho imaginário com Oswaldo, tentando adivinhar como ele trataria a situação, com o humor que lhe era peculiar. Acabo dando uma boa gargalhadameu coração se nutre destas lembranças…?

SAMY FRENK

por Pedro Prado

?O impacto da presença de Samy no Brasil foi grande, apesar de seu nome não constar na lista oficial dos fundadores da ABR.

Como disse no livro Ida Rolf fala, quando estava de malas prontas para ir fazer minha seleçãoprovavelmente a primeira etapa do curso, em Boulder, me liga um chileno, surgido não sei de onde, dizendo ter uma cartas para mim. Estranho…

Anna Hyder, então secretária do Rolf Institute, sabendo da aventura de um rolfista de vir para o Brasil,excitada por ter um candidato brasileiro, arranjou um assuntomandou a tal correspondência. Aí nasceu nossa amizade.

Foi com Samy com quem compartilhei a “primeira fornada” de atividades necessárias para a implantação do Rolfing no Brasil. Ele vinha periodicamente (duas vezes ao ano)trabalhava com grupos de clientes.

Quando chegava, era uma festa. Nos encontrávamos, fazíamos fofocas, conversávamos sobre casos clínicos, víamos pacientes em conjunto, trabalhávamos a quatro mãos.

Samy tinha tido uma trajetória de vida também peculiar. Saído do Chile na época de Allende, era dentistacientista, tendo colaborado com Francisco VarelaHumberto Maturana nos primórdios da elaboração da teoria de Santiago, que ainda hoje mobiliza os meios científicos de vanguarda. DE lá foi para o MIT (Massachussets Institute of Technology). Foi para o Rolfing com este mesmo espírito de pioneiro arrojado. Escreveu o artigo “Fáscia, o Órgão da Forma”, artigo importantíssimo para a cultura do Rolfing, onde colocou a visão pioneira sobre o tecido conjuntivo. No Brasil, deu inúmeras palestras. Tinha um jeito “meio messiânico”, ufanista de falar da originalidade da proposta de Rolf que cativava as audiências.

Participou ativamente dos bastidores da criação da ABR. Casou-se com Noemi Frenk, movimentista, que, com Tereza Ohashi abriram este veio no Brasil,acabou morando por aqui por mais de cinco anos, ate irem levar para a Espanha a boa nova! Em Barcelona teve papel importante na expansão do Rolfing.

Agora, desenvolve sua prática no Chile, assistido por uma médica pediatra, que foi por ele cativada para se tornar a segunda rolfista do pais ! E lá vai Samy jogando suas sementinhas aquiali! Grande figura!

DEZOITO ANOS DE ABR

por Sybille Cavalcanti

?Sinto muito orgulho de fazer parte do crescimento do Rolfing no Brasil.

Entrei na ABR em julho de 1990. Época politicamente conturbada, porque foi quando houve a cisão entre o Rolf Institutea Guild. Já haviam ocorrido dois treinamentos de Rolfing na ABR, com a Stacey Mills, em 19871989. Antes disso, todos que queriam fazer a formação em Rolfing iam para Boulder. E nessa ocasião a política do Rolf Institute era que parte da formação fosse feita nos EUA. Em 1990 haviam dezessete rolfistas no Brasil,com a cisão, passaram a ser catorze.

Claudia BritoCornélia Rossi tinham acabado de se formarFernando Bertolucci estava terminando a sua formação em São Francisco. Pedro Prado estava fazendo assistências para virar instrutor de Rolfing.

O escritório era numa salinha da Rua Honduras, a casa agregava vários rolfistasa ABR. Tínhamos uma máquina de escreverum telefone (comprado na época por 5 mil dólares ? no tempo que as linhas eram caríssimas ? este foi o total do lucro obtido no curso de 89!). Logo surgiu um fax, um super avanço nas comunicações. O computador era o que eu tinha em casa.

Nessa época foi publicado o livro ?Rolfing ? A Integração das Estruturas Humanas?, O livro Ida Rolf Fala já tinha sido publicado.

Para que a ABR vingasse, era necessária muita criatividadegarra de todos os envolvidos no projetoera o que acontecia. Muitas negociações foram feitas para que o Rolf Institute autorizasse a formação integral do aluno de curso básico aqui no Brasil.

Nesta fase, a maior parte de nossa energia se direcionava para a atividade educacional, tanto para promover workshops com professores estrangeiros como para divulgar o Rolfing, muito novo na praça. Artigos em revistas, programas de TV, apresentações em congressos… Precisávamos de tudo, de móveis, papel de cartaaté logotipo. A primeira leva foi feita pela Ana, irmã do Pedro, em brancopreto, depois pelo Mario Cafieiro no amarelinhoconcreto, layout que só foi mudado quando, já com a Lena Orlando, revisamos a imagem sede ABR.

O primeiro grupo que completou as duas etapas em nosso país iniciou sua formação em 1991, em Itatiba, com o Pedro Prado,a concluiu em Belo Horizonte em 1992 com Bill Smythe. Itatiba foi nossa primeira experiência de um curso residencial. A formação aconteceu numa fazenda linda, com 12 alunos (4 eram estrangeiros)apesar dos errosacertos, reclamaçõeselogios, foram muito gratificantes os resultados do nosso esforço. Itatiba foi também a estréia do Pedro como instrutor do treinamento básico de Rolfing sob a supervisãoaprovação de Tom Wing. Fim da formação de Itatibamais um ganho para a ABR, pois tínhamos agora um instrutor brasileiro dentro do quadro de instrutores Rolf Institute.

Fomos crescendomudamos para uma sala maior – a garagem comprida para dois carros foi subdividida em um almoxarifado, para guardar as mesonas pesadas da época,a sala de recepçãotrabalho. Ainda na Rua Honduras, compramos o nosso primeiro computador. Os workshopsos pré-cursos eram feitos na sala do Pedro, contígua a esta garagem. Um ano depois a Lena Cavalcanti começou a trabalhar na ABR, ficando conosco por 10 anos.

Assumimos o modelo de treinamentos residenciais para atrair estrangeirosfacilitar a formação para brasileiros vindos de outros estados. Os lugares das formações eram sempre muito agradáveis, fora da cidade de São Paulo, em fazendas no interior, praias, etc… Classes com auditorspractitioners (ouvintespraticantes), brasileirosestrangeiros. Para os professoresalunos estrangeiros era uma experiência única, que eles curtiam muito.

Fizemos um vídeo fazendo propaganda dos treinamentos de Rolfing no Brasil que o Pedroeu apresentamos numa reunião anual nos EUA. Carregávamos a bandeira da importância do intercâmbio cultural.

Com esse esforço, fomos crescendo (de uma forma orgânica, como o Pedro gostava de falar), sendo cada vez mais procurados por alunos estrangeiros. Foi uma fase de muito trabalho, com duas formações por ano. Todo mundo fazia de tudo, desde a faxinamudança, até dar aula. Mobiliávamos as casas, pegávamos emprestado geladeira, fogão, camas, tapetes… Era incrível o envolvimento de todos para que tudo pudesse acontecer. Amigos também entraram na roda, Maria Helena ia buscar alunosprofessores no aeroportolevava para os locais dos cursos. Amigosamigos de amigos eram os ?modelos? dos professoresalunos. Caravanas enormes iam para as fazendas. Só não podia chover, porque os caminhos todos de terra viravam um lamaçal!!!

Ai surgiu o e-mail, totalmente diferente do que é agora. Tive até que fazer curso para aprender a mexer. A comunicação passou a ser mais rápidaeficiente.

Ainda na Rua Honduras, outros rolfistas brasileiros iniciaram sua formação para se tornarem professores do Rolf Institute. O primeiro Treinamento Avançado no Brasil foi em 1993 com Jan SultanPedro Prado.

Em 1994 mudamos para Rua Maria Figueiredo (corridos porque o Maluf resolveu moralizar os Jardinsos fiscais apareceram!!!). Para a ABR foi um progresso: duas salas para o escritóriouma sala maior para os pré-cursos, que também foi usada na implantação do Naper (que iniciou com o nome de Ambulatório de Rolfing). Dividíamos esta casa também com consultórios de rolfistas.

Foi uma época muito ativa, muitas reuniões o tempo todo, a escolaa Associação de Membros se estruturando, as relações com o Rolf Institute se aprofundando. Era reunião que não acabava mais! A tecnologia avançavanós tínhamos a consciênciapreocupação com a nossa divulgação, que era bem primária. Foi quando criamos nosso primeiro site

Em 1997 fizemos um workshop introdutório de Experiência Somáticaem 2000 a ABR se tornou representante do SE no Brasil.

A casa onde estávamos estava se tornando pequena para a ABR, pois tínhamos aberto nosso primeiro treinamento de Liberação Miofascialsurgiu a necessidade de nova mudança, para uma casa maior. O destino nos jogou para fora da Maria Figueiredo: os vizinhos começaram uma construção,o bate estacas literalmente rachou a casa! Separamos então os consultórios da Associação, demos adeus ao Pedro, Fernando, Lúcia, Márcia, Helena, Vera, Vivian, Paulo Marcelo, a turma da Maria Figueiredo,fomos para a Alameda Casa Branca. Em nossa primeira ?sede solo?, NAPERLMF podiam conviver harmoniosamentenós, enquanto ABR, continuarmos a crescernos tornar mais eficientes. Minha sala cresceu!

A Lena Cavalcanti saiu da ABR nessa época. A Andréia já estava conoscocontratamos a Ana para área do financeiro.

Nesse meio tempo, foi desenvolvido o treinamento de Rolfing em módulos,mais uma vez a casa começou a ficar pequena. Mudamos para onde estamos agora. Casa que grande parte dos rolfistas conheceque nos dá a possibilidade de fazer cursosworkshops com mais alunos. A casa tem a nossa cara!

Continuamos a crescer no nosso passo, dentro das nossas possibilidadessempre com muito empenhocolaboração dos professores, diretores, muitos rolfistasfuncionários da ABR.

Desde 1995 conseguimos eleger brasileiros para fazer parte do Board do Rolf Institute, numa cadeira chamada CID ? Countries in Developement (Países em Desenvolvimento), que no início se chamava International Seat. A primeira representante do Brasil foi Deanna Lanfranco, que morreu em exercício. Pedro me incentivou a me candidatar ao cargo, mandei minha plataformafui eleita! Depois foram eleitas Cornélia RossiLena Orlando, em exercício (todas nós fomos reeleitas!). Marcamos nossa presença (ABR)conquistamos nosso espaço. Acredito que nossa participação foicontinua sendo fundamental na defesa dos interesses da ABRno desenvolvimento do Rolfing nos países fora dos EUAEuropa.

Hoje a ABR tem seis funcionários ? Dany, Talita, Daniela, Neuma, Suelieu. São ao todo 131 rolfistas, 6 professores de Rolfing, 6 professores de LMF.

E o que é muito bom, é que na nossa reunião anual deste ano, poderemos festejar com satisfação, gratidãoalegria os nossos vinte anos!?

DEPOIMENTO: VERA SENE

Quando a Lúcia Merlino telefonou me convidou para um depoimento sobre minha experiência/vivência dos primeiros anos da ABR, meu pensamento viajou no tempo… Não deixaria de ser um desafio ou no mínimo um exercício de memória. Falar sobre o início formação da Associação pareceu-me, ao mesmo tempo, algo absurdamente distante próximo.

Vinte anos de ABR! Entender um pouco da Associaçãodo Rolfing no Brasil. Remeteu-me aos anos 70 e, principalmente, à década de 80.

Nos anos 70, nós brasileiros vivíamos sob a repressão da ditadura de um regime militar abusivo. Pequenos isolados movimentos antirepressão surgiam de alguns grupos políticos idealistas, de intelectuais,de músicos, de escritores, de artistas, de professores, de líderes estudantis,de jornalistasde tantos outros, ora taxados de comunistas, ora taxados de terroristas, alguns acabaram exilados, outros conseguiram ficar.

Um novo tipo de movimento anti-repressão surgia dentro dos consultórios dos psicoterapeutas. Novas abordagens em psicoterapia chegavam ao nosso país com força e, em sua grande maioria, eram abordagens que levavam em conta não só a mente, mas principalmente o corpo. Refletiam a crença que foi ganhando consistência nesse meio: ?Quanto mais vivo for o corpo, mais vívida será sua percepção do mundomais ativa sua resposta a ele.? ?A ênfase exagerada no papel das criações mentais, dos símbolos, torna-nos cegos para a vida do corposeus sentimentos: é o corpo que se funde no amor, que se congela de medo,que treme na raivaque anseia por contatocalor humano.?

Ganhavam espaço os trabalhos de abordagem Reichiana, a Bioenergética de Alexander Lowen, a Consciência pelo Movimento de Moshe Feldenkrais, a Gestalt-terapia de Frederick Perls, dentre outros tantos.

Publicações sobre essas novas abordagens tinham sua vendagem garantida atingindo tantos os profissionais da área como um público geral interessado.

Tudo o que acontecia em Esalen, EUA., aguçava a curiosidade de grande parte de nossos psicoterapeutas. Foi em Esalen, no final da década de 60pelos anos 70, que o Rolfing ganhou visibilidadeprojetou-se pelo mundo. O profundo respeito que Frederick Perls nutria pelo trabalho de Ida Rolf, suas citaçõesdeclarações sobre a personalidade de Ida Rolfsobre o Rolfing trouxeram indagaçõesnecessidade de conhecimento a muitos de nossos psicoterapeutas.

Nos anos 80, o Rolfing chegava oficialmente ao Brasil. Muitos acontecimentos marcaram a década de 80, provocando mudanças, algumas fundamentais, outras nem tanto… Em 1980, é fundado em Santo André, SP, o Partido dos Trabalhadores. Em 1981, forma-se pelo Rolf Institute, em Boulder, o primeiro rolfista brasileiro.

Em 1983, a empresa Apple lança o computador Macintosh, e, neste mesmo, ano já eram 9 os rolfistas brasileiros. Em 1984, nasce o primeiro bebê de proveta no Brasil. Nesse mesmo ano acontece o movimento das Diretas Já, que pedia a volta das eleições diretas para Presidente da República.O regime militar vai perdendo sua força.

Em 1985, Tancredo Neves é eleito, de forma indireta Presidente do Brasil. Porém, morre antes de assumir o cargo. Assume o vice presidente José Sarney chega ao fim a ditadura militar no país. Neste mesmo ano foi identificado, por climatologistas, o buraco na camada de Ozônio.

Fui rolfada em 84, achei o método potentecomo editora da empresa Summus Editorial propus ao Pedro Prado que publicássemos, aqui no Brasil, os livros sobre Rolfing. Era uma forma de agregar conhecimentodivulgar o método. A Summus conseguiu fechar contrato para a publicação, do ?Ida Rolf Fala?, organizado por Rosemary Feitis. A primeira edição do livro saiu em 1986. Como editores do livro sentíamos falta de uma organização que agregasse os rolfistas existentes, para que a divulgação do livro tivesse um suporte mais eficientepara que os interessados no método tivessem a quem recorrer para informações, indicaçõesetc.

Por outro lado, os rolfistas também sentiam necessidade de uma organização mais formal, tanto para encaminharem os que buscavam a formação no método, como para o fortalecimento do diálogo com o Rolf Institutesua representação aqui no Brasil.

Antes da ABR ser formalizada, já havia acontecido parte de uma formação aqui em nosso país com Stacey Mills como professora titular Pedro Prado como professor assistente.

O primeiro curso preparatório para formação de Rolfing foi organizado com sucesso. Nessa época a formação básica de Rolfing era feita em duas etapas, sendo que era norma do Rolf Institute que uma das fases acontecesse nos EUA.

Historicamente, o ano de 1988 foi importante para os brasileiros, pois foi o ano em que a nova Constituição do Brasil foi promulgada. A nova Constituição amplioufortaleceu a garantia dos direitos individuaisliberdades públicas. Fixou a independência entre os três Poderes (Executivo, LegislativoJudiciário), estabeleceu as eleições diretas. Editada com 245 artigos70 disposições transitórias foi um passo evolutivo para o nosso país.

Nesse mesmo ano de 1988, coincidentemente foi constituída legalmente a Associação Brasileira de Rolfistasfoi também um momento histórico importanteevolutivo para o Rolfing.

Quanto aos primeiros anos de ABR o grupo inteiro trabalhou com afinco, driblando as dificuldades com garracriatividade, até sedimentar a Associação que continua evoluindose renovando através dos que contribuem com idéiastrabalho dentro de um novo contexto histórico.

Essas foram minhas lembrançascontribuição para memória desses 20 anos. Um abraço a todos,

Vera Sene

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