O trabalho estrutural libera fixações nos tecidos.
A educação do movimento libera fixações nos padrões de movimento.
Rolfing Estrutural: dá as condições necessárias para o surgimento da “linha”.
Rolfing Movement: dá vida à “linha”; leva a linha a mexer-se.
Ensinar movimento: não é corrigir, não é consertar, não é mudar o cliente.
É CRIAR OUTRAS POSSIBILIDADES para a pessoa serestar no mundo!
Aumentar as possibilidades de movimento do cliente significa trabalhar na fenomenologia dos movimentos mais básicos. A fenomenologia procura mais compreender do que explicar o fenômenotoma a experiência da pessoa como o ponto de partida de suas investigações. Começar pela “experiência” do cliente significa considerar o experienciadorsua experiência que acontece num determinado contexto.
No caso do Rolfing Movement isto significa trabalhar na maneira como o cliente experiencia seus movimentos na relação que mantém com as outras pessoas“coisas” no seu dia-a-dia, no contexto da força da gravidade. A fenomenologia de um movimento não tem nada a ver com a sua biomecânica! Quanto mais biomecânicos nos colocamos tanto mais evitamos o encontro, a relação!
Queremos consciência do movimentonão “cognição do movimento”. Queremos ensinar movimentos que são ordens que fluem,não ordens que são impostas.
Para isso precisamos “ouvir” 99% com o nosso próprio corpousar o 1% restante para induzir/evocar o movimento desejado no nosso próprio corpo!
Assim nos tornamos um “esquema corporal” que se irradia para o cliente. O esquema corporal não entende palavras, mas é empático. Trabalhando com o esquema corporal organizamos o espaço do clienteisso muda a maneira como como ele vai vivenciar seus movimentos no cotidiano.
Não podemos nunca ensinar movimento por sua decomposição. O surgimento de um movimento é uma gestalt. Precisamos primeiro “ver” a gestalt do movimento que queremos ensinar. Conhecer a lógica funcional da receitaos objetivos funcionais de cada sessão ajuda-nos a ver a gestalt do movimento que queremos ensinar.
Depois precisamos descobrir o que está impedindo a pessoa de fazer o movimento:
– fixações na percepção?
– fixações na coordenação?
– fixações nos tecidos?
– fixações no psicológico (no significado) ?
Não podemos verdadeiramente “ensinar” movimento para as pessoas porque a estrutura de coordenação é muito forte. Só podemos tentar mudar a paisagem na qual se encontra o cliente! “Mudar a paisagem” não significa mudar o entorno do cliente , mas é mudar o modo como o cliente se relaciona com o seu entorno!
O maior problema para a atividade motora está na percepção, na organização do espaço: porque antes de qualquer movimento precisamos nos orientar, consciente ou inconscientemente.
Percepção não é organização motora, mas é organização espacial. Percepção não é “sensação”. (Sensação é a transição entre o nível corporalo emocional). Percepção também não é consciência proprioceptiva . (Consciência proprioceptiva é a consciência das sensações que percebemos vindo do nosso corpo).
Ensinar movimento é mais trabalhar com a percepção, que organiza o espaço, do que com a consciência proprioceptiva, que pode nos trancar dentro de nós próprios!
Trabalhando com a percepção afetamos as sensações,como estas são a ponte entre o físicoo emocional podemos assim acessarafetar o nível psicológico da pessoa sem muito drama nem “psicologia barata”.
A pessoa sempre sente, mas talvez não perceba: a linguagem organiza a percepção!
Korzybski: “As palavras dão forma à percepção.”
A linguagem forma a percepção do corpoporisso precisamos achar palavras adequadas para cada pessoa que tratamos. Quando trabalhamos com a percepção precisamos nos dirigir ao imaginário,e não à imaginação! O processo imaginário cria vetores no espaço, que vão possibilitar o fluir dos movimentos, que é mais importante que sua forma.
Para evocar um movimento bom, fluido, preciso fornecer as Informações precisassensações com uma organizaçãotiming corretos. Para tudo isso preciso me relacionar de forma claralimpa com o cliente, enquanto atuo como “um esquema corporal” que se irradia para o cliente.
Para me relacionar bem preciso ter no mínimo duas direçõesseparação: quero estar em mimter a possibilidade de ir até o outro. Quero ter a minha kinesferaorientação espacial. E aí sim posso ir até o outrotocar a sua pele. A qualidade do toque é crucial especialmente poderosa para as pessoas com pouca propriocepção. Tocar o cliente onde há um “buraco” na percepção de sua pele ajuda a devolver a percepção perdidaassim recuperar as possibilidades de outros sentidos. Devo tocar o cliente “tri-dimensionalmente”: com chãoespaço. O que implica em mudar a minha organização tônica para poder informar o cliente a nível somático. Ou seja: na educação do movimento o problema não está no cliente, mas no rolfista! Portanto, novamente, não se trata de “mudar” o cliente, mas o rolfista!
Quanto à leitura corporal que é fundamental no Rolfing, (mas não no Feldenkraisno Alexander por exemplo), o “problema” não está no cliente, mas de novo no rolfista! Ao fazer uma leitura corporal o rolfista deve livrar-se do olhar analíticoreceber a informação via o seu próprio corpo, no seu próprio corpo.
Devemos receber as informações no nosso corpo com empatia cinestésicanão simpatia cinestésica para não perder o centrofundir-me com o cliente. Não é fazer leitura, mas desenvolver a sua capacidade de receber, de ressoar, de dar as “boas vindas” ao movimento do cliente.
A boa leitura corporal deve ainda captar a “melodia” de alguém. Para captar a melodia de alguém devemos aprender a ler seus movimentos nos planos sagital (flexão/extensão), frontal (abdução/adução)horizontal. Conhecerdominar a fundo os objetivos funcionais da receita é fundamental para se trabalhar no contexto do Rolfing.
As questões mais importantes numa leitura corporal em qualquer sessão da receita são:
– Há suporte do chão? Do espaço?
– Onde há falhas na estrutura de percepção do cliente?
– Onde há falhas na estruturacoordenação do cliente?
– Quais são,onde estão, os recursos deste cliente?
– Onde posso “encontrá-lo”?
A organização da percepçãoda coordenação deve levar o cliente a apreender movimentos excêntricos, que são os mais importantes para estimularevocar a inteligência do corpo. Os movimento excêntricos exigem bastante da coordenaçãodependem da condição inicial, que depende da percepçãoda orientação.
Quando ensinamos movimentos excêntricos precisamos dar tempo para sua exploraçãoreforçá-los muitas vezesde maneiras diferentes.
Existem muitos graus de coordenação: ela será tão melhor quanto mais plástica for, de modo que a pessoa seja capaz de conservá-la mesmo com mudanças de/no contexto.
“Não, não tenho um caminho novo.
O que tenho de novo
É o jeito de caminhar.”
Thiago de Mello
“Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completolongínquo”
Fernando Pessoa
“Não basta abrir a janela
Para ver os camposos rios
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvoresas flores”.
Alberto Caiero
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