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INTRODUÇÃO

Logo após minha graduação em Psicologia Clínica, em 1973, participei de um grupo de estudos com o Dr. Gaiarsa, em São Paulo, Brasil. Pela primeira vez, então, meus olhos se abriram para a importância da propriocepção na senso-percepção, na auto-imagemna auto-estima, assim como em sua aplicação no trabalho com a transformação(1).

Em 1981, conclui a formação de Rolfingpassei a me interessar pela conexão entre a estrutura físicaas emoções; entre W. Reichseus seguidores,Ida P. Rolf (2).

Como estudante de Rolfing, comecei a praticar alongamentos para vivenciar, a partir da minha própria experiência corporal, alguns dos conceitos que me estavam sendo ensinados. As referências teóricasas definições pareciam-me, inúmeras vezes, demasiado abstratas. Isso aconteceu por volta de 1984, durante meu treinamento avançado de Rolfing, em Boulder, Colorado, com Emmett HutchinsPeter Melchior.

Em Nova Iorque, reencontrei Dorothy Hunter, uma grande amiga,descobrimos que trabalhávamos com alongamentos de forma semelhante. Costumávamos nos encontrar no Central Park, pelas manhãs,mostrar um ao outro nossas descobertas.

De volta ao Brasil, continuei a pesquisa, reunindo os alongamentos de modo a reproduzirem os efeitos das sessões do protocolo de Rolfing, ou, como a Dra. Rolf costumava chamar, “a receita”. Portanto, para cada sessão desenvolvi uma série de alongamentos.

Logo percebi que a série poderia ser uma ferramenta poderosa para os clientes levarem para casa, e, como eu, explorarem seus corpossuas conexões internas. Percebi também que os alongamentos poderiam ajudá-los a conservar os resultados da sessão. Os clientes poderiam ativamente fazer algo por si próprios.

Contudo, ainda mais importante, ao confrontar suas restrições físicas,explorá-las, os clientes poderiam liberar a força auto-reguladoraauto-organizadora de seus próprios corpos. Tendo a oportunidade de aliviar suas restrições, o corpo encontra naturalmente seu caminho rumo a um nível de funcionamentointegração superiores. Para ser mais preciso, quando esses alongamentos são praticados conscientemente, acessamativam a natureza ortotrópica inerente ao nosso soma(4), ou seja, a tendência inata do nosso corpo de corrigir-seprocurar a verticalidade. Em conseqüência, a integração que desejamos não nos é imposta, mas descoberta internamente.

Nesse momento, em 1986, tornei-me professor-assistente nos cursos de Rolfing. Utilizei então os exercícios para fornecer uma experiência proprioceptiva das sessões aos meus alunos. E então, nos anos seguintes, nas inúmeras classes em que fui assistente,depois, nas inúmeras classes em que ensinei como professor titular, utilizei-me desse sistema como ferramenta pedagógica.

Logo percebi que a série organizada poderia ser usada de modo clínico para preparar ou encerrar uma sessão. Executá-la de antemão, possibilitaria ao cliente maior elasticidadeabertura. Executá-la após a sessão, poderia constituir uma lição de casa que muitos clientes solicitam, e, de fato, precisam. E, finalmente, aplicá-la durante a sessão, poderia levar a um estilo mais participativo no trabalho, ajudando o terapeuta a perceber onde se encontram as limitações no comprimentonas conexões do tecido, de modo a ativar o efeito ortotrópico. Na verdade, esse trabalho se completara há muitos anos atrás. Apresentei-o em reuniões profissionais ? em Boulder, em 1990; na Alemanha, em 1992;no Brasil, em 1998 ? mas, de algum modo, parecia nunca encontrar tempo, ou estímulo, para transformá-lo em um livro ou para expô-lo de modo mais assertivo.

Assim são as coisas…

O Rolfing estava também evoluindo. O trabalho de Rolfing pelo movimento ganhava forma através das contribuições de Vivian JayeJane Harrington(5). Com o aparecimento das reflexões sobre DefiniçãoPrincípios de Rolling (6,7)as novas formas de abordagem das estruturas(8,9,10) esses alongamentos ganharam outra dimensão. A experiência interna não inclui somente a dimensão sensorial, mas também qualquer aspecto da experiência humana vivenciado ao se fazer um alongamento que o mobilize. Desenvolvemos no Rolfing uma ordem de eventos que, se respeitada, permite uma abordagem mais econômicasegura. O uso dos princípios de intervençãodas novas formas de avaliação estrutural desenvolvidos por Jeffrey MaitlandJan Sultan trouxe esses alongamentos à sua forma presente. Também o trabalho de Peter Levine(11) sobre choquetrauma,a abordagem neo-reichiana do Dr. Gaiarsa quanto às atitudes psicológicas nas couraças musculares do caráter constituíram inspiração importante. A elucidação feita por Maitland sobre a natureza ortotrópica do corpo permitiu-me igualmente conceitualizar o que meus Alongamentos Estruturais haviam revelado.

A experiência com o método Mezièredepois com RPG, uma dissidência do método Mezière, que apareceu no Brasil trazida por Phillipe Souchard(12), levou-me a alongamentos que incluem todo o corpo. Suas posturas globais foram concebidas para que o cliente alongue por suas próprias limitações, produzindo mudanças posturaisefeitos em toda a rede miofascial. Quando comecei a aplicar esses alongamentos no contexto da profunda compreensão de estrutura da Dra. Rolf (13), eles ganharam em forçaefeito.

Portanto, temos aqui uma metodologia que se utiliza de práticas tradicionais (ioga, meditação)outras (Rolfing, Mezière?), de maneira sistemática,que pode lidar com a estrutura alcançando mudanças duradouras.

UM POUCO DE PSICOFISIOLOGIA

NÍVEL UM

A estimulação do tecido miofascial aciona os órgãos do tendão de Golgi, os quais enviam uma mensagem à medula espinhal, que, por sua vez, informa às fibras musculares, diminuindo seu tônus.

Trata-se de um arco de reflexo simples de duas sinapses.

Há órgãos Golgi por todo o tecido conjuntivocamadas fasciais. Concentram-se sobretudo nos tendões, mas estão presentes em todo o tecido. Organizam-se em séries, cadeiaslinhas.

Quando inicialmente estimulados, os tendões de Golgi enviam um sinal para parar o alongamento, que é, por sua vez, interpretado como um alerta de perigo, rompimento ou dano ao tecido. Esta é, provavelmente, uma das razões de sua existência.

Mas, se a pessoa movimentar-se lentamente ? muito lentamente ?sustentar o alongamento por um período maior de tempo, estimulará os órgãos do tendão de Golgi, os quais estimularão em cadeia os receptores subseqüentes, levando assim os músculos a reduzirem o tônusse alongarem. Se o alongamento é conduzido de modo excessivamente rápido, perde-se essa possibilidade de transmitir informação em cadeiaatingir o relaxamento muscular. Com a inclusão de micromovimentos, pode-se alcançar outros receptores de Golgicadeias, ampliando-se as possibilidades de relaxamento.

O reflexo Golgi leva dois segundos para acontecer. Contudo, mudanças ainda maiores na forma do tecido são provocadas por processos mais longos.

NÍVEL DOIS

Os reflexos Golgi têm uma ação local, alongandorelaxando segmentos do tecido conjuntivodos músculos.

Se o alongamento for feito de modo suficientemente lento,depois associado a uma sensação de bem-estar (a inspiração direcionada, o relaxamento?), os estímulos não serão interpretados como sinal de perigo, mas sim como prazer, o que levará a um relaxamento global. O sistema nervoso autônomo é então estimulado, mudando da atividade simpática para a parassimpática.

Ao realizar as séries propostas, a pessoa é, portanto, convidada a vivenciar esses dois estados do sistema nervoso, passando de um para o outro ? em um primeiro momento segurando a postura,depois permitindo o relaxamento. Essa forma de alongar-se ajuda a impedir uma adaptação ao estímulo.

A inclusão de micromovimentosda estimulação das atividades parassimpáticas gera consciência, mantendo o cérebro alternando entre sistemasatitudes de estímulorelaxamento.

Em termos neurológicos, mudamos das atividades da medula espinhal para as atividades do tronco cerebral. O ritmo das atividades do tronco cerebral sendo mais lento.

NÍVEL 3

Repetindo a experiência sem fazer as séries de maneira mecânica,sim ativando a percepção das sensações, pode-se obter um efeito na imagem corporal. Onde no corpo há reconhecimentopercepçãoonde não há? Novas sensações são sempre percebidasregistradas.

Esse processo de percepçãoreconhecimento desempenhará importante papel na interação entre a imagem existentea nova imagem que a pessoa formará de seu ser psicobiológico. Nosso novo esquema corporal serve, portanto, a um propósito de identificação.

Os “pontos cegos”as relações anteriormente não-percebidas são agora reconhecidosintegrados ao nosso esquema corporal. Essa percepção transforma o “mapa” que possuímos de nós mesmos como um todo.

Esse nível é também cortical. Lida com relações, conexões, associaçõesdireções no interioralém da estrutura, assim como conexõesdireções no contexto em que estamos. Muda a paisagem internaa “zona de conforto” na qual operamos com nossa imagem corporal. Se a experiência for agradável, permitirá uma resposta corporal mais plena, sendo assim mais eficiente para o processo de mudança.

Mais uma vez, é importante uma incorporação gradual dessas experiências, de modo que a pessoa não venha a “encolher-se” depois. Se a pessoa sentir-se contraída, certamente foi além de seus limites.

Portanto, descansar entre as seqüências é também muito importante. A consolidação de novas imagens corporais requer um período de tempo durante o qual não se apresentam novos desafios. Pode-se explorar o espaço entre não tentartentar excessivamente.

A partir do desenvolvimento dessa perspectiva, poder-se-ia investigarcorrelacionar os efeitos que os sistemas neurológicossuas funções integradas têm sobre a auto-imagem, a auto-estima,sobre o desenvolvimentoa evolução da personalidade. Mas, por enquanto, isso é o bastante.

INSTRUÇÕES GERAIS

Os alongamentos estruturais são, na realidade, uma combinação de estruturafunção, formamovimento.

Para obter melhores resultados, mantenha-se atentopresente ao praticar essas posturas. Faça-as até encontrar a restrição no alongamento que traz a sensação física de limite.

Ao desafiar os limites da forma com micromovimentos, ou com respiração direcionada, pode-se entrar em contato com a natureza da restrição. Deixando acontecer o alongamento, as mudanças que dele resultam acomodam-se por toda a estrutura. A pessoa, então, pode mover-se lentamente para o próximo limite, dando assim continuidade à exploração.

A natureza dos padrões de retenção em nosso corpo apresenta conexões que ultrapassam o físico, tocando freqüentemente dimensões emocionais, cognitivas ou espirituais. Como sistema holográfico, essas dimensões encontram-se ligadas, ressoando umas nas outras. Tocar nesses padrões,permitir que as restrições se transformem, pode afetar toda a estrutura/pessoa. Novos níveis de ordemfunção podem ser alcançados.

Portanto, os alongamentos precisam ser entendidospraticados como posturas de corpo inteiro. A preocupação com o resto da estrutura/pessoasua integração é imperativa. Quando se quer alongar (aumentar a distância entre dois pontos) um segmento do corpo, faz-se necessária a integração com o todo.

Acima de tudo, a prática dos Alongamentos Estruturais requer da pessoa que não se trate como um objeto a ser alongado, mas que aprenda a vivenciar sua formaa abrir-se para a nova, que quer emergir como conseqüência da exploração consciente das suas limitações.

Em primeiro lugar, é preciso tornar-se ativo, entrandomantendo a postura, vivenciando plenamente as limitações no nível sensorial. Pode-se, então, de modo gradual, aliviando ou intensificando essas sensações, contatar aquilo que quer emergir. É importante respirar com consciência, deixar acontecer os movimentos internos que começam a emergir,tornar-se um com eles, à medida que os velhos padrões se liberam. É igualmente importante dar espaço para as descargas de Sistema Nervoso Autônomo (como bocejos, arrepios, mudanças na temperatura, ligeiros tremores, descargas pelo corpo)para a estabilização das mudanças fisiológicas resultantes, de modo a poder aceitar a forma que era, abraçar a forma que é,tornar-se a forma que quer emergir.

Contatar as limitações através desses alongamentos, com uma atitude de consentimento, permitirá encontrar graciosamente níveis de integraçãofunção superiores. Não se trata de impor-se uma forma preconcebida, ou de superar limites pessoais de alongamento pela força, mas de uma investigação pessoal sobre como ativar a natureza ortotrópica inerente ao corpo.

É necessário combinar o fazero relaxar; manter o alongamento, enquanto a motilidadeo movimento interno vêm a tona; e, finalmente, combinar a sustentação da postura com a execução de micromovimentos. Essa é a chave de toda a prática. As posturas precisam ser simétricas; portanto, os segmentos mais encurtados ditarão sempre sua forma. São esses os espaços que primeiro pedem para ser liberados. Uma vez resolvidos, pode-se prosseguiralcançar camadas mais profundas.

Os princípios de intervenção do Rolfing devem ser respeitados:

. Adaptabilidade. Uma vez que a preparação é uma condição para a exploração mais profunda, é importante cuidar sempre do posicionamento inicialrevisitar áreas que foram trabalhadas anteriormente antes de aprofundar o alongamento.

. Suporte para a realização das posições. Cada parte trabalhada precisa encontrar suporte nas outras partes da estrutura. Isso ajudará na estabilização das mudanças.

. A continuidade é também uma condição para a ordem. É preciso encontrar o fluxo que inclua o corpo todo, conectando as partes, os sistemas, as camadas, sensorialenergeticamente.

. A palintonicidade (o conceito deriva da palavra grega Palintonos, que se refere à tensão existente entre os opostos ou, de maneira geral, à relação existente entre opostos) é sempre abordada como aquela realidade espacialtridimensional que reflete os resultados da liberação de um padrão. Portanto, é necessário o cuidado com a respiraçãoa dimensionalidade das estruturas que forem abordadas.

. Fechamento. Todas as práticas incluem a integraçãoo fechamento na estrutura física. É necessário atentar para a conclusão do trabalho, sem forçar-se ou exceder-se. É necessário contatar o ambiente gradualmente ao terminar a prática.

Os objetivos de cada sessão estão descritos principalmente em terminologia estrutural, no entanto todas as sessões visam explorar sensações ligadas a esses objetivos.

Trata-se, portanto, de um roteiro para vivências no processo de Rolfing. Pode-se usar uma seqüência específica, ou uma parte dela; mas é sempre preciso estar consciente que a pessoa é um todo. Este é um ponto essencial a ser considerado.

Se o paciente sofre de dores na coluna, no joelho ou pescoço, ou, ainda, se tem um histórico de desorganizações estruturais com episódios de dor, posições de torção podem levar a um desequilíbrio temporário. Além disso, se essas posições não forem executadas de maneira cuidadosaapropriada, podem desorganizar a estrutura. Não recomendo a prática desses alongamentos nesses casos.

As fotos são indicadores. A descrição pode fornecer imagensângulos que não estão retratados. Acrescentam também o componente do movimento, que as fotos estáticas não podem mostrar.

Algumas abreviações usadas no Rolfing foram utilizadasmantidas:

LDH [lumbo dorssal hinge]: articulação lombo-dorsal

AOJ [atlanto occipital joint]: articulação atlanto-ocipital

ANS [autonomic nervous system]: sistema nervoso autônomo

EOF [eye of the foot]: olho do pé

Emprego também os termos “sleeve””core” para representar respectivamente os envoltórios mais superficiais da fáscia (sleeve)os tecidos mais profundos, relacionados ao espaço visceral (core).

DUAS PREOCUPAÇÕES SÃO SEMPRE MUITO IMPORTANTES: CUIDADO E TEMPO.

Por favor não se excedam no alongamento, nem comecem a alongar-se abruptamente. É sempre melhor ir devagar, fazendo progressos graduais, passo a passo, do que ir depressacorrer o risco de se machucar. Leve o corpo inteiro em consideração, prepare-se para a postura, encontre o apoio,só então realize a postura. Dê tempo ao sistema nervoso autônomo para descarregar. Dê tempo para que o efeito ortotrópico possa acontecer. E, mais uma vez, dê tempo a si mesmo para integrar as mudanças…

Trata-se de uma experiência a ser vivenciada.

Para ler a sequência de exercícios, ver o texto em PDF.

REFERÊNCIAS

1- Gaiarsa J. A. Reich 1980. São Paulo, Brasil:Agora; 1982.

2- Prado P. Considerações sobre o pensamentoobra de Ida P. Rolf para o trabalho com postura em psicologia. Dissertação de mestrado apresentada no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Brasil; 1982.

3- Lederman E. Fundamentals of Manual Therapy ? Physiology, Neurology and Psychology [Fundamentos da Terapia Manual ? Fisiologia, NeurologiaPsicologia]. Nova Iorque: Churchill Livingstone; 1997.7.

4- Maitland J. Anotações de palestrasconversas particulares. São Paulo, Brasil; 2000.

5- Harrrington J, Jaye V. Anotações de palestrasconversas particulares. São Paulo,Brasil and Boulder,CO; from 1994 to 2000.

6- Maitland J, Sultan J.?Definition and Principles of Rolfing?.[DefiniçãoPrincípios deRolfing]Rolf Lines.1992;20(2)16-18.Rolf Institute.205 Canyon Blvd,Boulder,CO.80302.

7- Cottingham J.T., Maitland J. Integrating manual and movement therapy with philosophical counseling for treatment of a patient with amyotrophic lateral sclerosis: a case study that explores the principles of holistic intervention [Integração da terapia manualdo movimento com aconselhamento filosófico no tratamento de um paciente com esclerose lateral amiotrófica: um estudo de caso que explora os princípios da intervenção holística] . Alternative Therapies. Março 2000; v. 6 (2) 119-127.

8- Sultan J. Towards a structural logic [Rumo a uma lógica estrutural]. Notes on Structural Integration. 1986; (1) 1216. Hans Flury, Badenerstr, 21CH-8004, Zurique, Suiça.

9- Schleip R. Primary reflexes and structural typology [Reflexos primáriostipologia estrutural]. Rolf Lines. 1993; 21 (40) 37-47. Rolf Institute. 205 Canyon Blvd, Boulder, Colorado. 80302..

10- Flury H. Notes on Structural Integration. De 1986 até o presente. Hans Flury, Badenerstr, 21 CH-8004, Zurique, Suiça.

11- Levine P. A. Waking the Tiger-Healing Trauma [O Despertar do Tigre]. Berkley, Califórnia: North Atlantic Books; 1997.

12- Souchard P. Auto-postures. St. Mont, França: Université de Therapie Manuelle; 1988.

13- Rolf I. P. Rolfing: The Integration of Human Structures. [A Integração das Estruturas Humanas] Santa Monica, Califórnia: Dennis Landman Publications; 1977.

14 – Roth H. D. Original Tao: inward training (nei-yeh) and foundations of Taoist mysticism [Tao Original: treinamento interno (nei-yeh)fundamentos do misticismo Taoista]. New York: Columbia University Press; 1999.

AGRADECIMENTOS

Este manual foi concebido ao longo dos anos, com a ajuda de tantos amigosem tantas partes do mundo, que grande parte dele resulta de fato da colaboração de muitos coraçõesmentes espalhados pelo globo.

Em primeiro lugar, devo reconhecer o trabalho pioneiro extremamente importante da Dra. Ida P. Rolfde outros que seguiram sua trilha, entre eles Vivian Jaye, Jane Harrington, Emmet Hutchins, Peter Melchior, Jan SultanJeffrey Maitland. Sou igualmente grato à orientação profundasignificativa que recebi de Peter Levinede José Ângelo Gaiarsa. Ambos contribuiram para a formação de uma base pessoalintelectual que possibilitou o desenvolvimento desta trabalho até sua forma atual. Obrigado a todos vocês.

Obrigado também a todos os alunosclientes que, vivendo comigo a experiência, ajudaram-me a aprender, a construirreconstruir as seqüências, a encontrar as palavras apropriadas, a corrigir as instruções e, acima de tudo, a descobrir o que estava tentando emergir. Meu agradecimento a todos vocês por participarem desse processo de amadurecimento gradual.

Agradeço ainda a José Augusto MenegattiAida Cordeiro, que posaram para as fotos; a Ana Figueiredo, Vera SenePaulo Marcelo Costa, pelo encorajamento inicial na documentação fotográfica dessas seqüências;a José Roberto Sadek, pelos “cliques” propriamente ditos ? obrigado pelo “empurrão”.

Um agradecimento especial para Robert Schleip, pela entrevista que ajudou na formulação do capítulo sobre neuropsicofisiologia0.

Liz Gaggini, Giovanni FeliccioniVivian Jaye colaboraram na edição do texto em inglês. Obrigado pelas sugestõespalavras. E a Regina de Barros Carvalho, a Gô, pela tradução para o português.

Sybille Cavalcanti, da Associação Brasileira de Rolfing,Klaus Nagel, da Associação Européia de Rolfing? E.v., deram-me, de maneira cooperativagenerosa, o apoio técnico nos escritórios, necessário nas diversas etapas de trabalho que precederam essa edição.

Agradeço a Alex Cerveny, por suas inspiradas ilustrações;a Fernanda Sarmento, Letícia MouraLú Vilela de Araújo que criaram o formato gráfico em diferentes estágios dessa edição.

Minha mais profunda gratidão para Paula Mattoli, por seu trabalho devotado, pela participaçãoapoio afetivo, e, especialmente, por me fazer acreditar que tudo isso era possívelnecessário.

Sim,
Obrigado a todos.

PEDRO PRADO

<img src=’https://novo.pedroprado.com.br/imgs/2001/1079-180.jpg’>
Quando o corpo não está alinhado,
O poder interior não emerge.
Quando não há tranqüilidade interna,
A mente não se organiza.
Alinhe seu corpo, auxilie o poder interior,
E ele, então, gradualmente, surgirá por si mesmo(14)

Nei-yeh
Antigo poema taoista

Para ver os exercícios, acesse a cópia em PDF[:de]INTRODUÇÃO

Logo após minha graduação em Psicologia Clínica, em 1973, participei de um grupo de estudos com o Dr. Gaiarsa, em São Paulo, Brasil. Pela primeira vez, então, meus olhos se abriram para a importância da propriocepção na senso-percepção, na auto-imagemna auto-estima, assim como em sua aplicação no trabalho com a transformação(1).

Em 1981, conclui a formação de Rolfingpassei a me interessar pela conexão entre a estrutura físicaas emoções; entre W. Reichseus seguidores,Ida P. Rolf (2).

Como estudante de Rolfing, comecei a praticar alongamentos para vivenciar, a partir da minha própria experiência corporal, alguns dos conceitos que me estavam sendo ensinados. As referências teóricasas definições pareciam-me, inúmeras vezes, demasiado abstratas. Isso aconteceu por volta de 1984, durante meu treinamento avançado de Rolfing, em Boulder, Colorado, com Emmett HutchinsPeter Melchior.

Em Nova Iorque, reencontrei Dorothy Hunter, uma grande amiga,descobrimos que trabalhávamos com alongamentos de forma semelhante. Costumávamos nos encontrar no Central Park, pelas manhãs,mostrar um ao outro nossas descobertas.

De volta ao Brasil, continuei a pesquisa, reunindo os alongamentos de modo a reproduzirem os efeitos das sessões do protocolo de Rolfing, ou, como a Dra. Rolf costumava chamar, “a receita”. Portanto, para cada sessão desenvolvi uma série de alongamentos.

Logo percebi que a série poderia ser uma ferramenta poderosa para os clientes levarem para casa, e, como eu, explorarem seus corpossuas conexões internas. Percebi também que os alongamentos poderiam ajudá-los a conservar os resultados da sessão. Os clientes poderiam ativamente fazer algo por si próprios.

Contudo, ainda mais importante, ao confrontar suas restrições físicas,explorá-las, os clientes poderiam liberar a força auto-reguladoraauto-organizadora de seus próprios corpos. Tendo a oportunidade de aliviar suas restrições, o corpo encontra naturalmente seu caminho rumo a um nível de funcionamentointegração superiores. Para ser mais preciso, quando esses alongamentos são praticados conscientemente, acessamativam a natureza ortotrópica inerente ao nosso soma(4), ou seja, a tendência inata do nosso corpo de corrigir-seprocurar a verticalidade. Em conseqüência, a integração que desejamos não nos é imposta, mas descoberta internamente.

Nesse momento, em 1986, tornei-me professor-assistente nos cursos de Rolfing. Utilizei então os exercícios para fornecer uma experiência proprioceptiva das sessões aos meus alunos. E então, nos anos seguintes, nas inúmeras classes em que fui assistente,depois, nas inúmeras classes em que ensinei como professor titular, utilizei-me desse sistema como ferramenta pedagógica.

Logo percebi que a série organizada poderia ser usada de modo clínico para preparar ou encerrar uma sessão. Executá-la de antemão, possibilitaria ao cliente maior elasticidadeabertura. Executá-la após a sessão, poderia constituir uma lição de casa que muitos clientes solicitam, e, de fato, precisam. E, finalmente, aplicá-la durante a sessão, poderia levar a um estilo mais participativo no trabalho, ajudando o terapeuta a perceber onde se encontram as limitações no comprimentonas conexões do tecido, de modo a ativar o efeito ortotrópico. Na verdade, esse trabalho se completara há muitos anos atrás. Apresentei-o em reuniões profissionais ? em Boulder, em 1990; na Alemanha, em 1992;no Brasil, em 1998 ? mas, de algum modo, parecia nunca encontrar tempo, ou estímulo, para transformá-lo em um livro ou para expô-lo de modo mais assertivo.

Assim são as coisas…

O Rolfing estava também evoluindo. O trabalho de Rolfing pelo movimento ganhava forma através das contribuições de Vivian JayeJane Harrington(5). Com o aparecimento das reflexões sobre DefiniçãoPrincípios de Rolling (6,7)as novas formas de abordagem das estruturas(8,9,10) esses alongamentos ganharam outra dimensão. A experiência interna não inclui somente a dimensão sensorial, mas também qualquer aspecto da experiência humana vivenciado ao se fazer um alongamento que o mobilize. Desenvolvemos no Rolfing uma ordem de eventos que, se respeitada, permite uma abordagem mais econômicasegura. O uso dos princípios de intervençãodas novas formas de avaliação estrutural desenvolvidos por Jeffrey MaitlandJan Sultan trouxe esses alongamentos à sua forma presente. Também o trabalho de Peter Levine(11) sobre choquetrauma,a abordagem neo-reichiana do Dr. Gaiarsa quanto às atitudes psicológicas nas couraças musculares do caráter constituíram inspiração importante. A elucidação feita por Maitland sobre a natureza ortotrópica do corpo permitiu-me igualmente conceitualizar o que meus Alongamentos Estruturais haviam revelado.

A experiência com o método Mezièredepois com RPG, uma dissidência do método Mezière, que apareceu no Brasil trazida por Phillipe Souchard(12), levou-me a alongamentos que incluem todo o corpo. Suas posturas globais foram concebidas para que o cliente alongue por suas próprias limitações, produzindo mudanças posturaisefeitos em toda a rede miofascial. Quando comecei a aplicar esses alongamentos no contexto da profunda compreensão de estrutura da Dra. Rolf (13), eles ganharam em forçaefeito.

Portanto, temos aqui uma metodologia que se utiliza de práticas tradicionais (ioga, meditação)outras (Rolfing, Mezière?), de maneira sistemática,que pode lidar com a estrutura alcançando mudanças duradouras.

UM POUCO DE PSICOFISIOLOGIA

NÍVEL UM

A estimulação do tecido miofascial aciona os órgãos do tendão de Golgi, os quais enviam uma mensagem à medula espinhal, que, por sua vez, informa às fibras musculares, diminuindo seu tônus.

Trata-se de um arco de reflexo simples de duas sinapses.

Há órgãos Golgi por todo o tecido conjuntivocamadas fasciais. Concentram-se sobretudo nos tendões, mas estão presentes em todo o tecido. Organizam-se em séries, cadeiaslinhas.

Quando inicialmente estimulados, os tendões de Golgi enviam um sinal para parar o alongamento, que é, por sua vez, interpretado como um alerta de perigo, rompimento ou dano ao tecido. Esta é, provavelmente, uma das razões de sua existência.

Mas, se a pessoa movimentar-se lentamente ? muito lentamente ?sustentar o alongamento por um período maior de tempo, estimulará os órgãos do tendão de Golgi, os quais estimularão em cadeia os receptores subseqüentes, levando assim os músculos a reduzirem o tônusse alongarem. Se o alongamento é conduzido de modo excessivamente rápido, perde-se essa possibilidade de transmitir informação em cadeiaatingir o relaxamento muscular. Com a inclusão de micromovimentos, pode-se alcançar outros receptores de Golgicadeias, ampliando-se as possibilidades de relaxamento.

O reflexo Golgi leva dois segundos para acontecer. Contudo, mudanças ainda maiores na forma do tecido são provocadas por processos mais longos.

NÍVEL DOIS

Os reflexos Golgi têm uma ação local, alongandorelaxando segmentos do tecido conjuntivodos músculos.

Se o alongamento for feito de modo suficientemente lento,depois associado a uma sensação de bem-estar (a inspiração direcionada, o relaxamento?), os estímulos não serão interpretados como sinal de perigo, mas sim como prazer, o que levará a um relaxamento global. O sistema nervoso autônomo é então estimulado, mudando da atividade simpática para a parassimpática.

Ao realizar as séries propostas, a pessoa é, portanto, convidada a vivenciar esses dois estados do sistema nervoso, passando de um para o outro ? em um primeiro momento segurando a postura,depois permitindo o relaxamento. Essa forma de alongar-se ajuda a impedir uma adaptação ao estímulo.

A inclusão de micromovimentosda estimulação das atividades parassimpáticas gera consciência, mantendo o cérebro alternando entre sistemasatitudes de estímulorelaxamento.

Em termos neurológicos, mudamos das atividades da medula espinhal para as atividades do tronco cerebral. O ritmo das atividades do tronco cerebral sendo mais lento.

NÍVEL 3

Repetindo a experiência sem fazer as séries de maneira mecânica,sim ativando a percepção das sensações, pode-se obter um efeito na imagem corporal. Onde no corpo há reconhecimentopercepçãoonde não há? Novas sensações são sempre percebidasregistradas.

Esse processo de percepçãoreconhecimento desempenhará importante papel na interação entre a imagem existentea nova imagem que a pessoa formará de seu ser psicobiológico. Nosso novo esquema corporal serve, portanto, a um propósito de identificação.

Os “pontos cegos”as relações anteriormente não-percebidas são agora reconhecidosintegrados ao nosso esquema corporal. Essa percepção transforma o “mapa” que possuímos de nós mesmos como um todo.

Esse nível é também cortical. Lida com relações, conexões, associaçõesdireções no interioralém da estrutura, assim como conexõesdireções no contexto em que estamos. Muda a paisagem internaa “zona de conforto” na qual operamos com nossa imagem corporal. Se a experiência for agradável, permitirá uma resposta corporal mais plena, sendo assim mais eficiente para o processo de mudança.

Mais uma vez, é importante uma incorporação gradual dessas experiências, de modo que a pessoa não venha a “encolher-se” depois. Se a pessoa sentir-se contraída, certamente foi além de seus limites.

Portanto, descansar entre as seqüências é também muito importante. A consolidação de novas imagens corporais requer um período de tempo durante o qual não se apresentam novos desafios. Pode-se explorar o espaço entre não tentartentar excessivamente.

A partir do desenvolvimento dessa perspectiva, poder-se-ia investigarcorrelacionar os efeitos que os sistemas neurológicossuas funções integradas têm sobre a auto-imagem, a auto-estima,sobre o desenvolvimentoa evolução da personalidade. Mas, por enquanto, isso é o bastante.

INSTRUÇÕES GERAIS

Os alongamentos estruturais são, na realidade, uma combinação de estruturafunção, formamovimento.

Para obter melhores resultados, mantenha-se atentopresente ao praticar essas posturas. Faça-as até encontrar a restrição no alongamento que traz a sensação física de limite.

Ao desafiar os limites da forma com micromovimentos, ou com respiração direcionada, pode-se entrar em contato com a natureza da restrição. Deixando acontecer o alongamento, as mudanças que dele resultam acomodam-se por toda a estrutura. A pessoa, então, pode mover-se lentamente para o próximo limite, dando assim continuidade à exploração.

A natureza dos padrões de retenção em nosso corpo apresenta conexões que ultrapassam o físico, tocando freqüentemente dimensões emocionais, cognitivas ou espirituais. Como sistema holográfico, essas dimensões encontram-se ligadas, ressoando umas nas outras. Tocar nesses padrões,permitir que as restrições se transformem, pode afetar toda a estrutura/pessoa. Novos níveis de ordemfunção podem ser alcançados.

Portanto, os alongamentos precisam ser entendidospraticados como posturas de corpo inteiro. A preocupação com o resto da estrutura/pessoasua integração é imperativa. Quando se quer alongar (aumentar a distância entre dois pontos) um segmento do corpo, faz-se necessária a integração com o todo.

Acima de tudo, a prática dos Alongamentos Estruturais requer da pessoa que não se trate como um objeto a ser alongado, mas que aprenda a vivenciar sua formaa abrir-se para a nova, que quer emergir como conseqüência da exploração consciente das suas limitações.

Em primeiro lugar, é preciso tornar-se ativo, entrandomantendo a postura, vivenciando plenamente as limitações no nível sensorial. Pode-se, então, de modo gradual, aliviando ou intensificando essas sensações, contatar aquilo que quer emergir. É importante respirar com consciência, deixar acontecer os movimentos internos que começam a emergir,tornar-se um com eles, à medida que os velhos padrões se liberam. É igualmente importante dar espaço para as descargas de Sistema Nervoso Autônomo (como bocejos, arrepios, mudanças na temperatura, ligeiros tremores, descargas pelo corpo)para a estabilização das mudanças fisiológicas resultantes, de modo a poder aceitar a forma que era, abraçar a forma que é,tornar-se a forma que quer emergir.

Contatar as limitações através desses alongamentos, com uma atitude de consentimento, permitirá encontrar graciosamente níveis de integraçãofunção superiores. Não se trata de impor-se uma forma preconcebida, ou de superar limites pessoais de alongamento pela força, mas de uma investigação pessoal sobre como ativar a natureza ortotrópica inerente ao corpo.

É necessário combinar o fazero relaxar; manter o alongamento, enquanto a motilidadeo movimento interno vêm a tona; e, finalmente, combinar a sustentação da postura com a execução de micromovimentos. Essa é a chave de toda a prática. As posturas precisam ser simétricas; portanto, os segmentos mais encurtados ditarão sempre sua forma. São esses os espaços que primeiro pedem para ser liberados. Uma vez resolvidos, pode-se prosseguiralcançar camadas mais profundas.

Os princípios de intervenção do Rolfing devem ser respeitados:

. Adaptabilidade. Uma vez que a preparação é uma condição para a exploração mais profunda, é importante cuidar sempre do posicionamento inicialrevisitar áreas que foram trabalhadas anteriormente antes de aprofundar o alongamento.

. Suporte para a realização das posições. Cada parte trabalhada precisa encontrar suporte nas outras partes da estrutura. Isso ajudará na estabilização das mudanças.

. A continuidade é também uma condição para a ordem. É preciso encontrar o fluxo que inclua o corpo todo, conectando as partes, os sistemas, as camadas, sensorialenergeticamente.

. A palintonicidade (o conceito deriva da palavra grega Palintonos, que se refere à tensão existente entre os opostos ou, de maneira geral, à relação existente entre opostos) é sempre abordada como aquela realidade espacialtridimensional que reflete os resultados da liberação de um padrão. Portanto, é necessário o cuidado com a respiraçãoa dimensionalidade das estruturas que forem abordadas.

. Fechamento. Todas as práticas incluem a integraçãoo fechamento na estrutura física. É necessário atentar para a conclusão do trabalho, sem forçar-se ou exceder-se. É necessário contatar o ambiente gradualmente ao terminar a prática.

Os objetivos de cada sessão estão descritos principalmente em terminologia estrutural, no entanto todas as sessões visam explorar sensações ligadas a esses objetivos.

Trata-se, portanto, de um roteiro para vivências no processo de Rolfing. Pode-se usar uma seqüência específica, ou uma parte dela; mas é sempre preciso estar consciente que a pessoa é um todo. Este é um ponto essencial a ser considerado.

Se o paciente sofre de dores na coluna, no joelho ou pescoço, ou, ainda, se tem um histórico de desorganizações estruturais com episódios de dor, posições de torção podem levar a um desequilíbrio temporário. Além disso, se essas posições não forem executadas de maneira cuidadosaapropriada, podem desorganizar a estrutura. Não recomendo a prática desses alongamentos nesses casos.

As fotos são indicadores. A descrição pode fornecer imagensângulos que não estão retratados. Acrescentam também o componente do movimento, que as fotos estáticas não podem mostrar.

Algumas abreviações usadas no Rolfing foram utilizadasmantidas:

LDH [lumbo dorssal hinge]: articulação lombo-dorsal

AOJ [atlanto occipital joint]: articulação atlanto-ocipital

ANS [autonomic nervous system]: sistema nervoso autônomo

EOF [eye of the foot]: olho do pé

Emprego também os termos “sleeve””core” para representar respectivamente os envoltórios mais superficiais da fáscia (sleeve)os tecidos mais profundos, relacionados ao espaço visceral (core).

DUAS PREOCUPAÇÕES SÃO SEMPRE MUITO IMPORTANTES: CUIDADO E TEMPO.

Por favor não se excedam no alongamento, nem comecem a alongar-se abruptamente. É sempre melhor ir devagar, fazendo progressos graduais, passo a passo, do que ir depressacorrer o risco de se machucar. Leve o corpo inteiro em consideração, prepare-se para a postura, encontre o apoio,só então realize a postura. Dê tempo ao sistema nervoso autônomo para descarregar. Dê tempo para que o efeito ortotrópico possa acontecer. E, mais uma vez, dê tempo a si mesmo para integrar as mudanças…

Trata-se de uma experiência a ser vivenciada.

Para ler a sequência de exercícios, ver o texto em PDF.

REFERÊNCIAS

1- Gaiarsa J. A. Reich 1980. São Paulo, Brasil:Agora; 1982.

2- Prado P. Considerações sobre o pensamentoobra de Ida P. Rolf para o trabalho com postura em psicologia. Dissertação de mestrado apresentada no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Brasil; 1982.

3- Lederman E. Fundamentals of Manual Therapy ? Physiology, Neurology and Psychology [Fundamentos da Terapia Manual ? Fisiologia, NeurologiaPsicologia]. Nova Iorque: Churchill Livingstone; 1997.7.

4- Maitland J. Anotações de palestrasconversas particulares. São Paulo, Brasil; 2000.

5- Harrrington J, Jaye V. Anotações de palestrasconversas particulares. São Paulo,Brasil and Boulder,CO; from 1994 to 2000.

6- Maitland J, Sultan J.?Definition and Principles of Rolfing?.[DefiniçãoPrincípios deRolfing]Rolf Lines.1992;20(2)16-18.Rolf Institute.205 Canyon Blvd,Boulder,CO.80302.

7- Cottingham J.T., Maitland J. Integrating manual and movement therapy with philosophical counseling for treatment of a patient with amyotrophic lateral sclerosis: a case study that explores the principles of holistic intervention [Integração da terapia manualdo movimento com aconselhamento filosófico no tratamento de um paciente com esclerose lateral amiotrófica: um estudo de caso que explora os princípios da intervenção holística] . Alternative Therapies. Março 2000; v. 6 (2) 119-127.

8- Sultan J. Towards a structural logic [Rumo a uma lógica estrutural]. Notes on Structural Integration. 1986; (1) 1216. Hans Flury, Badenerstr, 21CH-8004, Zurique, Suiça.

9- Schleip R. Primary reflexes and structural typology [Reflexos primáriostipologia estrutural]. Rolf Lines. 1993; 21 (40) 37-47. Rolf Institute. 205 Canyon Blvd, Boulder, Colorado. 80302..

10- Flury H. Notes on Structural Integration. De 1986 até o presente. Hans Flury, Badenerstr, 21 CH-8004, Zurique, Suiça.

11- Levine P. A. Waking the Tiger-Healing Trauma [O Despertar do Tigre]. Berkley, Califórnia: North Atlantic Books; 1997.

12- Souchard P. Auto-postures. St. Mont, França: Université de Therapie Manuelle; 1988.

13- Rolf I. P. Rolfing: The Integration of Human Structures. [A Integração das Estruturas Humanas] Santa Monica, Califórnia: Dennis Landman Publications; 1977.

14 – Roth H. D. Original Tao: inward training (nei-yeh) and foundations of Taoist mysticism [Tao Original: treinamento interno (nei-yeh)fundamentos do misticismo Taoista]. New York: Columbia University Press; 1999.

AGRADECIMENTOS

Este manual foi concebido ao longo dos anos, com a ajuda de tantos amigosem tantas partes do mundo, que grande parte dele resulta de fato da colaboração de muitos coraçõesmentes espalhados pelo globo.

Em primeiro lugar, devo reconhecer o trabalho pioneiro extremamente importante da Dra. Ida P. Rolfde outros que seguiram sua trilha, entre eles Vivian Jaye, Jane Harrington, Emmet Hutchins, Peter Melchior, Jan SultanJeffrey Maitland. Sou igualmente grato à orientação profundasignificativa que recebi de Peter Levinede José Ângelo Gaiarsa. Ambos contribuiram para a formação de uma base pessoalintelectual que possibilitou o desenvolvimento desta trabalho até sua forma atual. Obrigado a todos vocês.

Obrigado também a todos os alunosclientes que, vivendo comigo a experiência, ajudaram-me a aprender, a construirreconstruir as seqüências, a encontrar as palavras apropriadas, a corrigir as instruções e, acima de tudo, a descobrir o que estava tentando emergir. Meu agradecimento a todos vocês por participarem desse processo de amadurecimento gradual.

Agradeço ainda a José Augusto MenegattiAida Cordeiro, que posaram para as fotos; a Ana Figueiredo, Vera SenePaulo Marcelo Costa, pelo encorajamento inicial na documentação fotográfica dessas seqüências;a José Roberto Sadek, pelos “cliques” propriamente ditos ? obrigado pelo “empurrão”.

Um agradecimento especial para Robert Schleip, pela entrevista que ajudou na formulação do capítulo sobre neuropsicofisiologia0.

Liz Gaggini, Giovanni FeliccioniVivian Jaye colaboraram na edição do texto em inglês. Obrigado pelas sugestõespalavras. E a Regina de Barros Carvalho, a Gô, pela tradução para o português.

Sybille Cavalcanti, da Associação Brasileira de Rolfing,Klaus Nagel, da Associação Européia de Rolfing? E.v., deram-me, de maneira cooperativagenerosa, o apoio técnico nos escritórios, necessário nas diversas etapas de trabalho que precederam essa edição.

Agradeço a Alex Cerveny, por suas inspiradas ilustrações;a Fernanda Sarmento, Letícia MouraLú Vilela de Araújo que criaram o formato gráfico em diferentes estágios dessa edição.

Minha mais profunda gratidão para Paula Mattoli, por seu trabalho devotado, pela participaçãoapoio afetivo, e, especialmente, por me fazer acreditar que tudo isso era possívelnecessário.

Sim,
Obrigado a todos.

PEDRO PRADO

<img src=’https://novo.pedroprado.com.br/imgs/2001/1079-180.jpg’>
Quando o corpo não está alinhado,
O poder interior não emerge.
Quando não há tranqüilidade interna,
A mente não se organiza.
Alinhe seu corpo, auxilie o poder interior,
E ele, então, gradualmente, surgirá por si mesmo(14)

Nei-yeh
Antigo poema taoista

Para ver os exercícios, acesse a cópia em PDF[:fr]INTRODUÇÃO

Logo após minha graduação em Psicologia Clínica, em 1973, participei de um grupo de estudos com o Dr. Gaiarsa, em São Paulo, Brasil. Pela primeira vez, então, meus olhos se abriram para a importância da propriocepção na senso-percepção, na auto-imagemna auto-estima, assim como em sua aplicação no trabalho com a transformação(1).

Em 1981, conclui a formação de Rolfingpassei a me interessar pela conexão entre a estrutura físicaas emoções; entre W. Reichseus seguidores,Ida P. Rolf (2).

Como estudante de Rolfing, comecei a praticar alongamentos para vivenciar, a partir da minha própria experiência corporal, alguns dos conceitos que me estavam sendo ensinados. As referências teóricasas definições pareciam-me, inúmeras vezes, demasiado abstratas. Isso aconteceu por volta de 1984, durante meu treinamento avançado de Rolfing, em Boulder, Colorado, com Emmett HutchinsPeter Melchior.

Em Nova Iorque, reencontrei Dorothy Hunter, uma grande amiga,descobrimos que trabalhávamos com alongamentos de forma semelhante. Costumávamos nos encontrar no Central Park, pelas manhãs,mostrar um ao outro nossas descobertas.

De volta ao Brasil, continuei a pesquisa, reunindo os alongamentos de modo a reproduzirem os efeitos das sessões do protocolo de Rolfing, ou, como a Dra. Rolf costumava chamar, “a receita”. Portanto, para cada sessão desenvolvi uma série de alongamentos.

Logo percebi que a série poderia ser uma ferramenta poderosa para os clientes levarem para casa, e, como eu, explorarem seus corpossuas conexões internas. Percebi também que os alongamentos poderiam ajudá-los a conservar os resultados da sessão. Os clientes poderiam ativamente fazer algo por si próprios.

Contudo, ainda mais importante, ao confrontar suas restrições físicas,explorá-las, os clientes poderiam liberar a força auto-reguladoraauto-organizadora de seus próprios corpos. Tendo a oportunidade de aliviar suas restrições, o corpo encontra naturalmente seu caminho rumo a um nível de funcionamentointegração superiores. Para ser mais preciso, quando esses alongamentos são praticados conscientemente, acessamativam a natureza ortotrópica inerente ao nosso soma(4), ou seja, a tendência inata do nosso corpo de corrigir-seprocurar a verticalidade. Em conseqüência, a integração que desejamos não nos é imposta, mas descoberta internamente.

Nesse momento, em 1986, tornei-me professor-assistente nos cursos de Rolfing. Utilizei então os exercícios para fornecer uma experiência proprioceptiva das sessões aos meus alunos. E então, nos anos seguintes, nas inúmeras classes em que fui assistente,depois, nas inúmeras classes em que ensinei como professor titular, utilizei-me desse sistema como ferramenta pedagógica.

Logo percebi que a série organizada poderia ser usada de modo clínico para preparar ou encerrar uma sessão. Executá-la de antemão, possibilitaria ao cliente maior elasticidadeabertura. Executá-la após a sessão, poderia constituir uma lição de casa que muitos clientes solicitam, e, de fato, precisam. E, finalmente, aplicá-la durante a sessão, poderia levar a um estilo mais participativo no trabalho, ajudando o terapeuta a perceber onde se encontram as limitações no comprimentonas conexões do tecido, de modo a ativar o efeito ortotrópico. Na verdade, esse trabalho se completara há muitos anos atrás. Apresentei-o em reuniões profissionais ? em Boulder, em 1990; na Alemanha, em 1992;no Brasil, em 1998 ? mas, de algum modo, parecia nunca encontrar tempo, ou estímulo, para transformá-lo em um livro ou para expô-lo de modo mais assertivo.

Assim são as coisas…

O Rolfing estava também evoluindo. O trabalho de Rolfing pelo movimento ganhava forma através das contribuições de Vivian JayeJane Harrington(5). Com o aparecimento das reflexões sobre DefiniçãoPrincípios de Rolling (6,7)as novas formas de abordagem das estruturas(8,9,10) esses alongamentos ganharam outra dimensão. A experiência interna não inclui somente a dimensão sensorial, mas também qualquer aspecto da experiência humana vivenciado ao se fazer um alongamento que o mobilize. Desenvolvemos no Rolfing uma ordem de eventos que, se respeitada, permite uma abordagem mais econômicasegura. O uso dos princípios de intervençãodas novas formas de avaliação estrutural desenvolvidos por Jeffrey MaitlandJan Sultan trouxe esses alongamentos à sua forma presente. Também o trabalho de Peter Levine(11) sobre choquetrauma,a abordagem neo-reichiana do Dr. Gaiarsa quanto às atitudes psicológicas nas couraças musculares do caráter constituíram inspiração importante. A elucidação feita por Maitland sobre a natureza ortotrópica do corpo permitiu-me igualmente conceitualizar o que meus Alongamentos Estruturais haviam revelado.

A experiência com o método Mezièredepois com RPG, uma dissidência do método Mezière, que apareceu no Brasil trazida por Phillipe Souchard(12), levou-me a alongamentos que incluem todo o corpo. Suas posturas globais foram concebidas para que o cliente alongue por suas próprias limitações, produzindo mudanças posturaisefeitos em toda a rede miofascial. Quando comecei a aplicar esses alongamentos no contexto da profunda compreensão de estrutura da Dra. Rolf (13), eles ganharam em forçaefeito.

Portanto, temos aqui uma metodologia que se utiliza de práticas tradicionais (ioga, meditação)outras (Rolfing, Mezière?), de maneira sistemática,que pode lidar com a estrutura alcançando mudanças duradouras.

UM POUCO DE PSICOFISIOLOGIA

NÍVEL UM

A estimulação do tecido miofascial aciona os órgãos do tendão de Golgi, os quais enviam uma mensagem à medula espinhal, que, por sua vez, informa às fibras musculares, diminuindo seu tônus.

Trata-se de um arco de reflexo simples de duas sinapses.

Há órgãos Golgi por todo o tecido conjuntivocamadas fasciais. Concentram-se sobretudo nos tendões, mas estão presentes em todo o tecido. Organizam-se em séries, cadeiaslinhas.

Quando inicialmente estimulados, os tendões de Golgi enviam um sinal para parar o alongamento, que é, por sua vez, interpretado como um alerta de perigo, rompimento ou dano ao tecido. Esta é, provavelmente, uma das razões de sua existência.

Mas, se a pessoa movimentar-se lentamente ? muito lentamente ?sustentar o alongamento por um período maior de tempo, estimulará os órgãos do tendão de Golgi, os quais estimularão em cadeia os receptores subseqüentes, levando assim os músculos a reduzirem o tônusse alongarem. Se o alongamento é conduzido de modo excessivamente rápido, perde-se essa possibilidade de transmitir informação em cadeiaatingir o relaxamento muscular. Com a inclusão de micromovimentos, pode-se alcançar outros receptores de Golgicadeias, ampliando-se as possibilidades de relaxamento.

O reflexo Golgi leva dois segundos para acontecer. Contudo, mudanças ainda maiores na forma do tecido são provocadas por processos mais longos.

NÍVEL DOIS

Os reflexos Golgi têm uma ação local, alongandorelaxando segmentos do tecido conjuntivodos músculos.

Se o alongamento for feito de modo suficientemente lento,depois associado a uma sensação de bem-estar (a inspiração direcionada, o relaxamento?), os estímulos não serão interpretados como sinal de perigo, mas sim como prazer, o que levará a um relaxamento global. O sistema nervoso autônomo é então estimulado, mudando da atividade simpática para a parassimpática.

Ao realizar as séries propostas, a pessoa é, portanto, convidada a vivenciar esses dois estados do sistema nervoso, passando de um para o outro ? em um primeiro momento segurando a postura,depois permitindo o relaxamento. Essa forma de alongar-se ajuda a impedir uma adaptação ao estímulo.

A inclusão de micromovimentosda estimulação das atividades parassimpáticas gera consciência, mantendo o cérebro alternando entre sistemasatitudes de estímulorelaxamento.

Em termos neurológicos, mudamos das atividades da medula espinhal para as atividades do tronco cerebral. O ritmo das atividades do tronco cerebral sendo mais lento.

NÍVEL 3

Repetindo a experiência sem fazer as séries de maneira mecânica,sim ativando a percepção das sensações, pode-se obter um efeito na imagem corporal. Onde no corpo há reconhecimentopercepçãoonde não há? Novas sensações são sempre percebidasregistradas.

Esse processo de percepçãoreconhecimento desempenhará importante papel na interação entre a imagem existentea nova imagem que a pessoa formará de seu ser psicobiológico. Nosso novo esquema corporal serve, portanto, a um propósito de identificação.

Os “pontos cegos”as relações anteriormente não-percebidas são agora reconhecidosintegrados ao nosso esquema corporal. Essa percepção transforma o “mapa” que possuímos de nós mesmos como um todo.

Esse nível é também cortical. Lida com relações, conexões, associaçõesdireções no interioralém da estrutura, assim como conexõesdireções no contexto em que estamos. Muda a paisagem internaa “zona de conforto” na qual operamos com nossa imagem corporal. Se a experiência for agradável, permitirá uma resposta corporal mais plena, sendo assim mais eficiente para o processo de mudança.

Mais uma vez, é importante uma incorporação gradual dessas experiências, de modo que a pessoa não venha a “encolher-se” depois. Se a pessoa sentir-se contraída, certamente foi além de seus limites.

Portanto, descansar entre as seqüências é também muito importante. A consolidação de novas imagens corporais requer um período de tempo durante o qual não se apresentam novos desafios. Pode-se explorar o espaço entre não tentartentar excessivamente.

A partir do desenvolvimento dessa perspectiva, poder-se-ia investigarcorrelacionar os efeitos que os sistemas neurológicossuas funções integradas têm sobre a auto-imagem, a auto-estima,sobre o desenvolvimentoa evolução da personalidade. Mas, por enquanto, isso é o bastante.

INSTRUÇÕES GERAIS

Os alongamentos estruturais são, na realidade, uma combinação de estruturafunção, formamovimento.

Para obter melhores resultados, mantenha-se atentopresente ao praticar essas posturas. Faça-as até encontrar a restrição no alongamento que traz a sensação física de limite.

Ao desafiar os limites da forma com micromovimentos, ou com respiração direcionada, pode-se entrar em contato com a natureza da restrição. Deixando acontecer o alongamento, as mudanças que dele resultam acomodam-se por toda a estrutura. A pessoa, então, pode mover-se lentamente para o próximo limite, dando assim continuidade à exploração.

A natureza dos padrões de retenção em nosso corpo apresenta conexões que ultrapassam o físico, tocando freqüentemente dimensões emocionais, cognitivas ou espirituais. Como sistema holográfico, essas dimensões encontram-se ligadas, ressoando umas nas outras. Tocar nesses padrões,permitir que as restrições se transformem, pode afetar toda a estrutura/pessoa. Novos níveis de ordemfunção podem ser alcançados.

Portanto, os alongamentos precisam ser entendidospraticados como posturas de corpo inteiro. A preocupação com o resto da estrutura/pessoasua integração é imperativa. Quando se quer alongar (aumentar a distância entre dois pontos) um segmento do corpo, faz-se necessária a integração com o todo.

Acima de tudo, a prática dos Alongamentos Estruturais requer da pessoa que não se trate como um objeto a ser alongado, mas que aprenda a vivenciar sua formaa abrir-se para a nova, que quer emergir como conseqüência da exploração consciente das suas limitações.

Em primeiro lugar, é preciso tornar-se ativo, entrandomantendo a postura, vivenciando plenamente as limitações no nível sensorial. Pode-se, então, de modo gradual, aliviando ou intensificando essas sensações, contatar aquilo que quer emergir. É importante respirar com consciência, deixar acontecer os movimentos internos que começam a emergir,tornar-se um com eles, à medida que os velhos padrões se liberam. É igualmente importante dar espaço para as descargas de Sistema Nervoso Autônomo (como bocejos, arrepios, mudanças na temperatura, ligeiros tremores, descargas pelo corpo)para a estabilização das mudanças fisiológicas resultantes, de modo a poder aceitar a forma que era, abraçar a forma que é,tornar-se a forma que quer emergir.

Contatar as limitações através desses alongamentos, com uma atitude de consentimento, permitirá encontrar graciosamente níveis de integraçãofunção superiores. Não se trata de impor-se uma forma preconcebida, ou de superar limites pessoais de alongamento pela força, mas de uma investigação pessoal sobre como ativar a natureza ortotrópica inerente ao corpo.

É necessário combinar o fazero relaxar; manter o alongamento, enquanto a motilidadeo movimento interno vêm a tona; e, finalmente, combinar a sustentação da postura com a execução de micromovimentos. Essa é a chave de toda a prática. As posturas precisam ser simétricas; portanto, os segmentos mais encurtados ditarão sempre sua forma. São esses os espaços que primeiro pedem para ser liberados. Uma vez resolvidos, pode-se prosseguiralcançar camadas mais profundas.

Os princípios de intervenção do Rolfing devem ser respeitados:

. Adaptabilidade. Uma vez que a preparação é uma condição para a exploração mais profunda, é importante cuidar sempre do posicionamento inicialrevisitar áreas que foram trabalhadas anteriormente antes de aprofundar o alongamento.

. Suporte para a realização das posições. Cada parte trabalhada precisa encontrar suporte nas outras partes da estrutura. Isso ajudará na estabilização das mudanças.

. A continuidade é também uma condição para a ordem. É preciso encontrar o fluxo que inclua o corpo todo, conectando as partes, os sistemas, as camadas, sensorialenergeticamente.

. A palintonicidade (o conceito deriva da palavra grega Palintonos, que se refere à tensão existente entre os opostos ou, de maneira geral, à relação existente entre opostos) é sempre abordada como aquela realidade espacialtridimensional que reflete os resultados da liberação de um padrão. Portanto, é necessário o cuidado com a respiraçãoa dimensionalidade das estruturas que forem abordadas.

. Fechamento. Todas as práticas incluem a integraçãoo fechamento na estrutura física. É necessário atentar para a conclusão do trabalho, sem forçar-se ou exceder-se. É necessário contatar o ambiente gradualmente ao terminar a prática.

Os objetivos de cada sessão estão descritos principalmente em terminologia estrutural, no entanto todas as sessões visam explorar sensações ligadas a esses objetivos.

Trata-se, portanto, de um roteiro para vivências no processo de Rolfing. Pode-se usar uma seqüência específica, ou uma parte dela; mas é sempre preciso estar consciente que a pessoa é um todo. Este é um ponto essencial a ser considerado.

Se o paciente sofre de dores na coluna, no joelho ou pescoço, ou, ainda, se tem um histórico de desorganizações estruturais com episódios de dor, posições de torção podem levar a um desequilíbrio temporário. Além disso, se essas posições não forem executadas de maneira cuidadosaapropriada, podem desorganizar a estrutura. Não recomendo a prática desses alongamentos nesses casos.

As fotos são indicadores. A descrição pode fornecer imagensângulos que não estão retratados. Acrescentam também o componente do movimento, que as fotos estáticas não podem mostrar.

Algumas abreviações usadas no Rolfing foram utilizadasmantidas:

LDH [lumbo dorssal hinge]: articulação lombo-dorsal

AOJ [atlanto occipital joint]: articulação atlanto-ocipital

ANS [autonomic nervous system]: sistema nervoso autônomo

EOF [eye of the foot]: olho do pé

Emprego também os termos “sleeve””core” para representar respectivamente os envoltórios mais superficiais da fáscia (sleeve)os tecidos mais profundos, relacionados ao espaço visceral (core).

DUAS PREOCUPAÇÕES SÃO SEMPRE MUITO IMPORTANTES: CUIDADO E TEMPO.

Por favor não se excedam no alongamento, nem comecem a alongar-se abruptamente. É sempre melhor ir devagar, fazendo progressos graduais, passo a passo, do que ir depressacorrer o risco de se machucar. Leve o corpo inteiro em consideração, prepare-se para a postura, encontre o apoio,só então realize a postura. Dê tempo ao sistema nervoso autônomo para descarregar. Dê tempo para que o efeito ortotrópico possa acontecer. E, mais uma vez, dê tempo a si mesmo para integrar as mudanças…

Trata-se de uma experiência a ser vivenciada.

Para ler a sequência de exercícios, ver o texto em PDF.

REFERÊNCIAS

1- Gaiarsa J. A. Reich 1980. São Paulo, Brasil:Agora; 1982.

2- Prado P. Considerações sobre o pensamentoobra de Ida P. Rolf para o trabalho com postura em psicologia. Dissertação de mestrado apresentada no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Brasil; 1982.

3- Lederman E. Fundamentals of Manual Therapy ? Physiology, Neurology and Psychology [Fundamentos da Terapia Manual ? Fisiologia, NeurologiaPsicologia]. Nova Iorque: Churchill Livingstone; 1997.7.

4- Maitland J. Anotações de palestrasconversas particulares. São Paulo, Brasil; 2000.

5- Harrrington J, Jaye V. Anotações de palestrasconversas particulares. São Paulo,Brasil and Boulder,CO; from 1994 to 2000.

6- Maitland J, Sultan J.?Definition and Principles of Rolfing?.[DefiniçãoPrincípios deRolfing]Rolf Lines.1992;20(2)16-18.Rolf Institute.205 Canyon Blvd,Boulder,CO.80302.

7- Cottingham J.T., Maitland J. Integrating manual and movement therapy with philosophical counseling for treatment of a patient with amyotrophic lateral sclerosis: a case study that explores the principles of holistic intervention [Integração da terapia manualdo movimento com aconselhamento filosófico no tratamento de um paciente com esclerose lateral amiotrófica: um estudo de caso que explora os princípios da intervenção holística] . Alternative Therapies. Março 2000; v. 6 (2) 119-127.

8- Sultan J. Towards a structural logic [Rumo a uma lógica estrutural]. Notes on Structural Integration. 1986; (1) 1216. Hans Flury, Badenerstr, 21CH-8004, Zurique, Suiça.

9- Schleip R. Primary reflexes and structural typology [Reflexos primáriostipologia estrutural]. Rolf Lines. 1993; 21 (40) 37-47. Rolf Institute. 205 Canyon Blvd, Boulder, Colorado. 80302..

10- Flury H. Notes on Structural Integration. De 1986 até o presente. Hans Flury, Badenerstr, 21 CH-8004, Zurique, Suiça.

11- Levine P. A. Waking the Tiger-Healing Trauma [O Despertar do Tigre]. Berkley, Califórnia: North Atlantic Books; 1997.

12- Souchard P. Auto-postures. St. Mont, França: Université de Therapie Manuelle; 1988.

13- Rolf I. P. Rolfing: The Integration of Human Structures. [A Integração das Estruturas Humanas] Santa Monica, Califórnia: Dennis Landman Publications; 1977.

14 – Roth H. D. Original Tao: inward training (nei-yeh) and foundations of Taoist mysticism [Tao Original: treinamento interno (nei-yeh)fundamentos do misticismo Taoista]. New York: Columbia University Press; 1999.

AGRADECIMENTOS

Este manual foi concebido ao longo dos anos, com a ajuda de tantos amigosem tantas partes do mundo, que grande parte dele resulta de fato da colaboração de muitos coraçõesmentes espalhados pelo globo.

Em primeiro lugar, devo reconhecer o trabalho pioneiro extremamente importante da Dra. Ida P. Rolfde outros que seguiram sua trilha, entre eles Vivian Jaye, Jane Harrington, Emmet Hutchins, Peter Melchior, Jan SultanJeffrey Maitland. Sou igualmente grato à orientação profundasignificativa que recebi de Peter Levinede José Ângelo Gaiarsa. Ambos contribuiram para a formação de uma base pessoalintelectual que possibilitou o desenvolvimento desta trabalho até sua forma atual. Obrigado a todos vocês.

Obrigado também a todos os alunosclientes que, vivendo comigo a experiência, ajudaram-me a aprender, a construirreconstruir as seqüências, a encontrar as palavras apropriadas, a corrigir as instruções e, acima de tudo, a descobrir o que estava tentando emergir. Meu agradecimento a todos vocês por participarem desse processo de amadurecimento gradual.

Agradeço ainda a José Augusto MenegattiAida Cordeiro, que posaram para as fotos; a Ana Figueiredo, Vera SenePaulo Marcelo Costa, pelo encorajamento inicial na documentação fotográfica dessas seqüências;a José Roberto Sadek, pelos “cliques” propriamente ditos ? obrigado pelo “empurrão”.

Um agradecimento especial para Robert Schleip, pela entrevista que ajudou na formulação do capítulo sobre neuropsicofisiologia0.

Liz Gaggini, Giovanni FeliccioniVivian Jaye colaboraram na edição do texto em inglês. Obrigado pelas sugestõespalavras. E a Regina de Barros Carvalho, a Gô, pela tradução para o português.

Sybille Cavalcanti, da Associação Brasileira de Rolfing,Klaus Nagel, da Associação Européia de Rolfing? E.v., deram-me, de maneira cooperativagenerosa, o apoio técnico nos escritórios, necessário nas diversas etapas de trabalho que precederam essa edição.

Agradeço a Alex Cerveny, por suas inspiradas ilustrações;a Fernanda Sarmento, Letícia MouraLú Vilela de Araújo que criaram o formato gráfico em diferentes estágios dessa edição.

Minha mais profunda gratidão para Paula Mattoli, por seu trabalho devotado, pela participaçãoapoio afetivo, e, especialmente, por me fazer acreditar que tudo isso era possívelnecessário.

Sim,
Obrigado a todos.

PEDRO PRADO

<img src=’https://novo.pedroprado.com.br/imgs/2001/1079-180.jpg’>
Quando o corpo não está alinhado,
O poder interior não emerge.
Quando não há tranqüilidade interna,
A mente não se organiza.
Alinhe seu corpo, auxilie o poder interior,
E ele, então, gradualmente, surgirá por si mesmo(14)

Nei-yeh
Antigo poema taoista

Para ver os exercícios, acesse a cópia em PDF[:es]INTRODUÇÃO

Logo após minha graduação em Psicologia Clínica, em 1973, participei de um grupo de estudos com o Dr. Gaiarsa, em São Paulo, Brasil. Pela primeira vez, então, meus olhos se abriram para a importância da propriocepção na senso-percepção, na auto-imagemna auto-estima, assim como em sua aplicação no trabalho com a transformação(1).

Em 1981, conclui a formação de Rolfingpassei a me interessar pela conexão entre a estrutura físicaas emoções; entre W. Reichseus seguidores,Ida P. Rolf (2).

Como estudante de Rolfing, comecei a praticar alongamentos para vivenciar, a partir da minha própria experiência corporal, alguns dos conceitos que me estavam sendo ensinados. As referências teóricasas definições pareciam-me, inúmeras vezes, demasiado abstratas. Isso aconteceu por volta de 1984, durante meu treinamento avançado de Rolfing, em Boulder, Colorado, com Emmett HutchinsPeter Melchior.

Em Nova Iorque, reencontrei Dorothy Hunter, uma grande amiga,descobrimos que trabalhávamos com alongamentos de forma semelhante. Costumávamos nos encontrar no Central Park, pelas manhãs,mostrar um ao outro nossas descobertas.

De volta ao Brasil, continuei a pesquisa, reunindo os alongamentos de modo a reproduzirem os efeitos das sessões do protocolo de Rolfing, ou, como a Dra. Rolf costumava chamar, “a receita”. Portanto, para cada sessão desenvolvi uma série de alongamentos.

Logo percebi que a série poderia ser uma ferramenta poderosa para os clientes levarem para casa, e, como eu, explorarem seus corpossuas conexões internas. Percebi também que os alongamentos poderiam ajudá-los a conservar os resultados da sessão. Os clientes poderiam ativamente fazer algo por si próprios.

Contudo, ainda mais importante, ao confrontar suas restrições físicas,explorá-las, os clientes poderiam liberar a força auto-reguladoraauto-organizadora de seus próprios corpos. Tendo a oportunidade de aliviar suas restrições, o corpo encontra naturalmente seu caminho rumo a um nível de funcionamentointegração superiores. Para ser mais preciso, quando esses alongamentos são praticados conscientemente, acessamativam a natureza ortotrópica inerente ao nosso soma(4), ou seja, a tendência inata do nosso corpo de corrigir-seprocurar a verticalidade. Em conseqüência, a integração que desejamos não nos é imposta, mas descoberta internamente.

Nesse momento, em 1986, tornei-me professor-assistente nos cursos de Rolfing. Utilizei então os exercícios para fornecer uma experiência proprioceptiva das sessões aos meus alunos. E então, nos anos seguintes, nas inúmeras classes em que fui assistente,depois, nas inúmeras classes em que ensinei como professor titular, utilizei-me desse sistema como ferramenta pedagógica.

Logo percebi que a série organizada poderia ser usada de modo clínico para preparar ou encerrar uma sessão. Executá-la de antemão, possibilitaria ao cliente maior elasticidadeabertura. Executá-la após a sessão, poderia constituir uma lição de casa que muitos clientes solicitam, e, de fato, precisam. E, finalmente, aplicá-la durante a sessão, poderia levar a um estilo mais participativo no trabalho, ajudando o terapeuta a perceber onde se encontram as limitações no comprimentonas conexões do tecido, de modo a ativar o efeito ortotrópico. Na verdade, esse trabalho se completara há muitos anos atrás. Apresentei-o em reuniões profissionais ? em Boulder, em 1990; na Alemanha, em 1992;no Brasil, em 1998 ? mas, de algum modo, parecia nunca encontrar tempo, ou estímulo, para transformá-lo em um livro ou para expô-lo de modo mais assertivo.

Assim são as coisas…

O Rolfing estava também evoluindo. O trabalho de Rolfing pelo movimento ganhava forma através das contribuições de Vivian JayeJane Harrington(5). Com o aparecimento das reflexões sobre DefiniçãoPrincípios de Rolling (6,7)as novas formas de abordagem das estruturas(8,9,10) esses alongamentos ganharam outra dimensão. A experiência interna não inclui somente a dimensão sensorial, mas também qualquer aspecto da experiência humana vivenciado ao se fazer um alongamento que o mobilize. Desenvolvemos no Rolfing uma ordem de eventos que, se respeitada, permite uma abordagem mais econômicasegura. O uso dos princípios de intervençãodas novas formas de avaliação estrutural desenvolvidos por Jeffrey MaitlandJan Sultan trouxe esses alongamentos à sua forma presente. Também o trabalho de Peter Levine(11) sobre choquetrauma,a abordagem neo-reichiana do Dr. Gaiarsa quanto às atitudes psicológicas nas couraças musculares do caráter constituíram inspiração importante. A elucidação feita por Maitland sobre a natureza ortotrópica do corpo permitiu-me igualmente conceitualizar o que meus Alongamentos Estruturais haviam revelado.

A experiência com o método Mezièredepois com RPG, uma dissidência do método Mezière, que apareceu no Brasil trazida por Phillipe Souchard(12), levou-me a alongamentos que incluem todo o corpo. Suas posturas globais foram concebidas para que o cliente alongue por suas próprias limitações, produzindo mudanças posturaisefeitos em toda a rede miofascial. Quando comecei a aplicar esses alongamentos no contexto da profunda compreensão de estrutura da Dra. Rolf (13), eles ganharam em forçaefeito.

Portanto, temos aqui uma metodologia que se utiliza de práticas tradicionais (ioga, meditação)outras (Rolfing, Mezière?), de maneira sistemática,que pode lidar com a estrutura alcançando mudanças duradouras.

UM POUCO DE PSICOFISIOLOGIA

NÍVEL UM

A estimulação do tecido miofascial aciona os órgãos do tendão de Golgi, os quais enviam uma mensagem à medula espinhal, que, por sua vez, informa às fibras musculares, diminuindo seu tônus.

Trata-se de um arco de reflexo simples de duas sinapses.

Há órgãos Golgi por todo o tecido conjuntivocamadas fasciais. Concentram-se sobretudo nos tendões, mas estão presentes em todo o tecido. Organizam-se em séries, cadeiaslinhas.

Quando inicialmente estimulados, os tendões de Golgi enviam um sinal para parar o alongamento, que é, por sua vez, interpretado como um alerta de perigo, rompimento ou dano ao tecido. Esta é, provavelmente, uma das razões de sua existência.

Mas, se a pessoa movimentar-se lentamente ? muito lentamente ?sustentar o alongamento por um período maior de tempo, estimulará os órgãos do tendão de Golgi, os quais estimularão em cadeia os receptores subseqüentes, levando assim os músculos a reduzirem o tônusse alongarem. Se o alongamento é conduzido de modo excessivamente rápido, perde-se essa possibilidade de transmitir informação em cadeiaatingir o relaxamento muscular. Com a inclusão de micromovimentos, pode-se alcançar outros receptores de Golgicadeias, ampliando-se as possibilidades de relaxamento.

O reflexo Golgi leva dois segundos para acontecer. Contudo, mudanças ainda maiores na forma do tecido são provocadas por processos mais longos.

NÍVEL DOIS

Os reflexos Golgi têm uma ação local, alongandorelaxando segmentos do tecido conjuntivodos músculos.

Se o alongamento for feito de modo suficientemente lento,depois associado a uma sensação de bem-estar (a inspiração direcionada, o relaxamento?), os estímulos não serão interpretados como sinal de perigo, mas sim como prazer, o que levará a um relaxamento global. O sistema nervoso autônomo é então estimulado, mudando da atividade simpática para a parassimpática.

Ao realizar as séries propostas, a pessoa é, portanto, convidada a vivenciar esses dois estados do sistema nervoso, passando de um para o outro ? em um primeiro momento segurando a postura,depois permitindo o relaxamento. Essa forma de alongar-se ajuda a impedir uma adaptação ao estímulo.

A inclusão de micromovimentosda estimulação das atividades parassimpáticas gera consciência, mantendo o cérebro alternando entre sistemasatitudes de estímulorelaxamento.

Em termos neurológicos, mudamos das atividades da medula espinhal para as atividades do tronco cerebral. O ritmo das atividades do tronco cerebral sendo mais lento.

NÍVEL 3

Repetindo a experiência sem fazer as séries de maneira mecânica,sim ativando a percepção das sensações, pode-se obter um efeito na imagem corporal. Onde no corpo há reconhecimentopercepçãoonde não há? Novas sensações são sempre percebidasregistradas.

Esse processo de percepçãoreconhecimento desempenhará importante papel na interação entre a imagem existentea nova imagem que a pessoa formará de seu ser psicobiológico. Nosso novo esquema corporal serve, portanto, a um propósito de identificação.

Os “pontos cegos”as relações anteriormente não-percebidas são agora reconhecidosintegrados ao nosso esquema corporal. Essa percepção transforma o “mapa” que possuímos de nós mesmos como um todo.

Esse nível é também cortical. Lida com relações, conexões, associaçõesdireções no interioralém da estrutura, assim como conexõesdireções no contexto em que estamos. Muda a paisagem internaa “zona de conforto” na qual operamos com nossa imagem corporal. Se a experiência for agradável, permitirá uma resposta corporal mais plena, sendo assim mais eficiente para o processo de mudança.

Mais uma vez, é importante uma incorporação gradual dessas experiências, de modo que a pessoa não venha a “encolher-se” depois. Se a pessoa sentir-se contraída, certamente foi além de seus limites.

Portanto, descansar entre as seqüências é também muito importante. A consolidação de novas imagens corporais requer um período de tempo durante o qual não se apresentam novos desafios. Pode-se explorar o espaço entre não tentartentar excessivamente.

A partir do desenvolvimento dessa perspectiva, poder-se-ia investigarcorrelacionar os efeitos que os sistemas neurológicossuas funções integradas têm sobre a auto-imagem, a auto-estima,sobre o desenvolvimentoa evolução da personalidade. Mas, por enquanto, isso é o bastante.

INSTRUÇÕES GERAIS

Os alongamentos estruturais são, na realidade, uma combinação de estruturafunção, formamovimento.

Para obter melhores resultados, mantenha-se atentopresente ao praticar essas posturas. Faça-as até encontrar a restrição no alongamento que traz a sensação física de limite.

Ao desafiar os limites da forma com micromovimentos, ou com respiração direcionada, pode-se entrar em contato com a natureza da restrição. Deixando acontecer o alongamento, as mudanças que dele resultam acomodam-se por toda a estrutura. A pessoa, então, pode mover-se lentamente para o próximo limite, dando assim continuidade à exploração.

A natureza dos padrões de retenção em nosso corpo apresenta conexões que ultrapassam o físico, tocando freqüentemente dimensões emocionais, cognitivas ou espirituais. Como sistema holográfico, essas dimensões encontram-se ligadas, ressoando umas nas outras. Tocar nesses padrões,permitir que as restrições se transformem, pode afetar toda a estrutura/pessoa. Novos níveis de ordemfunção podem ser alcançados.

Portanto, os alongamentos precisam ser entendidospraticados como posturas de corpo inteiro. A preocupação com o resto da estrutura/pessoasua integração é imperativa. Quando se quer alongar (aumentar a distância entre dois pontos) um segmento do corpo, faz-se necessária a integração com o todo.

Acima de tudo, a prática dos Alongamentos Estruturais requer da pessoa que não se trate como um objeto a ser alongado, mas que aprenda a vivenciar sua formaa abrir-se para a nova, que quer emergir como conseqüência da exploração consciente das suas limitações.

Em primeiro lugar, é preciso tornar-se ativo, entrandomantendo a postura, vivenciando plenamente as limitações no nível sensorial. Pode-se, então, de modo gradual, aliviando ou intensificando essas sensações, contatar aquilo que quer emergir. É importante respirar com consciência, deixar acontecer os movimentos internos que começam a emergir,tornar-se um com eles, à medida que os velhos padrões se liberam. É igualmente importante dar espaço para as descargas de Sistema Nervoso Autônomo (como bocejos, arrepios, mudanças na temperatura, ligeiros tremores, descargas pelo corpo)para a estabilização das mudanças fisiológicas resultantes, de modo a poder aceitar a forma que era, abraçar a forma que é,tornar-se a forma que quer emergir.

Contatar as limitações através desses alongamentos, com uma atitude de consentimento, permitirá encontrar graciosamente níveis de integraçãofunção superiores. Não se trata de impor-se uma forma preconcebida, ou de superar limites pessoais de alongamento pela força, mas de uma investigação pessoal sobre como ativar a natureza ortotrópica inerente ao corpo.

É necessário combinar o fazero relaxar; manter o alongamento, enquanto a motilidadeo movimento interno vêm a tona; e, finalmente, combinar a sustentação da postura com a execução de micromovimentos. Essa é a chave de toda a prática. As posturas precisam ser simétricas; portanto, os segmentos mais encurtados ditarão sempre sua forma. São esses os espaços que primeiro pedem para ser liberados. Uma vez resolvidos, pode-se prosseguiralcançar camadas mais profundas.

Os princípios de intervenção do Rolfing devem ser respeitados:

. Adaptabilidade. Uma vez que a preparação é uma condição para a exploração mais profunda, é importante cuidar sempre do posicionamento inicialrevisitar áreas que foram trabalhadas anteriormente antes de aprofundar o alongamento.

. Suporte para a realização das posições. Cada parte trabalhada precisa encontrar suporte nas outras partes da estrutura. Isso ajudará na estabilização das mudanças.

. A continuidade é também uma condição para a ordem. É preciso encontrar o fluxo que inclua o corpo todo, conectando as partes, os sistemas, as camadas, sensorialenergeticamente.

. A palintonicidade (o conceito deriva da palavra grega Palintonos, que se refere à tensão existente entre os opostos ou, de maneira geral, à relação existente entre opostos) é sempre abordada como aquela realidade espacialtridimensional que reflete os resultados da liberação de um padrão. Portanto, é necessário o cuidado com a respiraçãoa dimensionalidade das estruturas que forem abordadas.

. Fechamento. Todas as práticas incluem a integraçãoo fechamento na estrutura física. É necessário atentar para a conclusão do trabalho, sem forçar-se ou exceder-se. É necessário contatar o ambiente gradualmente ao terminar a prática.

Os objetivos de cada sessão estão descritos principalmente em terminologia estrutural, no entanto todas as sessões visam explorar sensações ligadas a esses objetivos.

Trata-se, portanto, de um roteiro para vivências no processo de Rolfing. Pode-se usar uma seqüência específica, ou uma parte dela; mas é sempre preciso estar consciente que a pessoa é um todo. Este é um ponto essencial a ser considerado.

Se o paciente sofre de dores na coluna, no joelho ou pescoço, ou, ainda, se tem um histórico de desorganizações estruturais com episódios de dor, posições de torção podem levar a um desequilíbrio temporário. Além disso, se essas posições não forem executadas de maneira cuidadosaapropriada, podem desorganizar a estrutura. Não recomendo a prática desses alongamentos nesses casos.

As fotos são indicadores. A descrição pode fornecer imagensângulos que não estão retratados. Acrescentam também o componente do movimento, que as fotos estáticas não podem mostrar.

Algumas abreviações usadas no Rolfing foram utilizadasmantidas:

LDH [lumbo dorssal hinge]: articulação lombo-dorsal

AOJ [atlanto occipital joint]: articulação atlanto-ocipital

ANS [autonomic nervous system]: sistema nervoso autônomo

EOF [eye of the foot]: olho do pé

Emprego também os termos “sleeve””core” para representar respectivamente os envoltórios mais superficiais da fáscia (sleeve)os tecidos mais profundos, relacionados ao espaço visceral (core).

DUAS PREOCUPAÇÕES SÃO SEMPRE MUITO IMPORTANTES: CUIDADO E TEMPO.

Por favor não se excedam no alongamento, nem comecem a alongar-se abruptamente. É sempre melhor ir devagar, fazendo progressos graduais, passo a passo, do que ir depressacorrer o risco de se machucar. Leve o corpo inteiro em consideração, prepare-se para a postura, encontre o apoio,só então realize a postura. Dê tempo ao sistema nervoso autônomo para descarregar. Dê tempo para que o efeito ortotrópico possa acontecer. E, mais uma vez, dê tempo a si mesmo para integrar as mudanças…

Trata-se de uma experiência a ser vivenciada.

Para ler a sequência de exercícios, ver o texto em PDF.

REFERÊNCIAS

1- Gaiarsa J. A. Reich 1980. São Paulo, Brasil:Agora; 1982.

2- Prado P. Considerações sobre o pensamentoobra de Ida P. Rolf para o trabalho com postura em psicologia. Dissertação de mestrado apresentada no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Brasil; 1982.

3- Lederman E. Fundamentals of Manual Therapy ? Physiology, Neurology and Psychology [Fundamentos da Terapia Manual ? Fisiologia, NeurologiaPsicologia]. Nova Iorque: Churchill Livingstone; 1997.7.

4- Maitland J. Anotações de palestrasconversas particulares. São Paulo, Brasil; 2000.

5- Harrrington J, Jaye V. Anotações de palestrasconversas particulares. São Paulo,Brasil and Boulder,CO; from 1994 to 2000.

6- Maitland J, Sultan J.?Definition and Principles of Rolfing?.[DefiniçãoPrincípios deRolfing]Rolf Lines.1992;20(2)16-18.Rolf Institute.205 Canyon Blvd,Boulder,CO.80302.

7- Cottingham J.T., Maitland J. Integrating manual and movement therapy with philosophical counseling for treatment of a patient with amyotrophic lateral sclerosis: a case study that explores the principles of holistic intervention [Integração da terapia manualdo movimento com aconselhamento filosófico no tratamento de um paciente com esclerose lateral amiotrófica: um estudo de caso que explora os princípios da intervenção holística] . Alternative Therapies. Março 2000; v. 6 (2) 119-127.

8- Sultan J. Towards a structural logic [Rumo a uma lógica estrutural]. Notes on Structural Integration. 1986; (1) 1216. Hans Flury, Badenerstr, 21CH-8004, Zurique, Suiça.

9- Schleip R. Primary reflexes and structural typology [Reflexos primáriostipologia estrutural]. Rolf Lines. 1993; 21 (40) 37-47. Rolf Institute. 205 Canyon Blvd, Boulder, Colorado. 80302..

10- Flury H. Notes on Structural Integration. De 1986 até o presente. Hans Flury, Badenerstr, 21 CH-8004, Zurique, Suiça.

11- Levine P. A. Waking the Tiger-Healing Trauma [O Despertar do Tigre]. Berkley, Califórnia: North Atlantic Books; 1997.

12- Souchard P. Auto-postures. St. Mont, França: Université de Therapie Manuelle; 1988.

13- Rolf I. P. Rolfing: The Integration of Human Structures. [A Integração das Estruturas Humanas] Santa Monica, Califórnia: Dennis Landman Publications; 1977.

14 – Roth H. D. Original Tao: inward training (nei-yeh) and foundations of Taoist mysticism [Tao Original: treinamento interno (nei-yeh)fundamentos do misticismo Taoista]. New York: Columbia University Press; 1999.

AGRADECIMENTOS

Este manual foi concebido ao longo dos anos, com a ajuda de tantos amigosem tantas partes do mundo, que grande parte dele resulta de fato da colaboração de muitos coraçõesmentes espalhados pelo globo.

Em primeiro lugar, devo reconhecer o trabalho pioneiro extremamente importante da Dra. Ida P. Rolfde outros que seguiram sua trilha, entre eles Vivian Jaye, Jane Harrington, Emmet Hutchins, Peter Melchior, Jan SultanJeffrey Maitland. Sou igualmente grato à orientação profundasignificativa que recebi de Peter Levinede José Ângelo Gaiarsa. Ambos contribuiram para a formação de uma base pessoalintelectual que possibilitou o desenvolvimento desta trabalho até sua forma atual. Obrigado a todos vocês.

Obrigado também a todos os alunosclientes que, vivendo comigo a experiência, ajudaram-me a aprender, a construirreconstruir as seqüências, a encontrar as palavras apropriadas, a corrigir as instruções e, acima de tudo, a descobrir o que estava tentando emergir. Meu agradecimento a todos vocês por participarem desse processo de amadurecimento gradual.

Agradeço ainda a José Augusto MenegattiAida Cordeiro, que posaram para as fotos; a Ana Figueiredo, Vera SenePaulo Marcelo Costa, pelo encorajamento inicial na documentação fotográfica dessas seqüências;a José Roberto Sadek, pelos “cliques” propriamente ditos ? obrigado pelo “empurrão”.

Um agradecimento especial para Robert Schleip, pela entrevista que ajudou na formulação do capítulo sobre neuropsicofisiologia0.

Liz Gaggini, Giovanni FeliccioniVivian Jaye colaboraram na edição do texto em inglês. Obrigado pelas sugestõespalavras. E a Regina de Barros Carvalho, a Gô, pela tradução para o português.

Sybille Cavalcanti, da Associação Brasileira de Rolfing,Klaus Nagel, da Associação Européia de Rolfing? E.v., deram-me, de maneira cooperativagenerosa, o apoio técnico nos escritórios, necessário nas diversas etapas de trabalho que precederam essa edição.

Agradeço a Alex Cerveny, por suas inspiradas ilustrações;a Fernanda Sarmento, Letícia MouraLú Vilela de Araújo que criaram o formato gráfico em diferentes estágios dessa edição.

Minha mais profunda gratidão para Paula Mattoli, por seu trabalho devotado, pela participaçãoapoio afetivo, e, especialmente, por me fazer acreditar que tudo isso era possívelnecessário.

Sim,
Obrigado a todos.

PEDRO PRADO

<img src=’https://novo.pedroprado.com.br/imgs/2001/1079-180.jpg’>
Quando o corpo não está alinhado,
O poder interior não emerge.
Quando não há tranqüilidade interna,
A mente não se organiza.
Alinhe seu corpo, auxilie o poder interior,
E ele, então, gradualmente, surgirá por si mesmo(14)

Nei-yeh
Antigo poema taoista

Para ver os exercícios, acesse a cópia em PDF[:ja]INTRODUÇÃO

Logo após minha graduação em Psicologia Clínica, em 1973, participei de um grupo de estudos com o Dr. Gaiarsa, em São Paulo, Brasil. Pela primeira vez, então, meus olhos se abriram para a importância da propriocepção na senso-percepção, na auto-imagemna auto-estima, assim como em sua aplicação no trabalho com a transformação(1).

Em 1981, conclui a formação de Rolfingpassei a me interessar pela conexão entre a estrutura físicaas emoções; entre W. Reichseus seguidores,Ida P. Rolf (2).

Como estudante de Rolfing, comecei a praticar alongamentos para vivenciar, a partir da minha própria experiência corporal, alguns dos conceitos que me estavam sendo ensinados. As referências teóricasas definições pareciam-me, inúmeras vezes, demasiado abstratas. Isso aconteceu por volta de 1984, durante meu treinamento avançado de Rolfing, em Boulder, Colorado, com Emmett HutchinsPeter Melchior.

Em Nova Iorque, reencontrei Dorothy Hunter, uma grande amiga,descobrimos que trabalhávamos com alongamentos de forma semelhante. Costumávamos nos encontrar no Central Park, pelas manhãs,mostrar um ao outro nossas descobertas.

De volta ao Brasil, continuei a pesquisa, reunindo os alongamentos de modo a reproduzirem os efeitos das sessões do protocolo de Rolfing, ou, como a Dra. Rolf costumava chamar, “a receita”. Portanto, para cada sessão desenvolvi uma série de alongamentos.

Logo percebi que a série poderia ser uma ferramenta poderosa para os clientes levarem para casa, e, como eu, explorarem seus corpossuas conexões internas. Percebi também que os alongamentos poderiam ajudá-los a conservar os resultados da sessão. Os clientes poderiam ativamente fazer algo por si próprios.

Contudo, ainda mais importante, ao confrontar suas restrições físicas,explorá-las, os clientes poderiam liberar a força auto-reguladoraauto-organizadora de seus próprios corpos. Tendo a oportunidade de aliviar suas restrições, o corpo encontra naturalmente seu caminho rumo a um nível de funcionamentointegração superiores. Para ser mais preciso, quando esses alongamentos são praticados conscientemente, acessamativam a natureza ortotrópica inerente ao nosso soma(4), ou seja, a tendência inata do nosso corpo de corrigir-seprocurar a verticalidade. Em conseqüência, a integração que desejamos não nos é imposta, mas descoberta internamente.

Nesse momento, em 1986, tornei-me professor-assistente nos cursos de Rolfing. Utilizei então os exercícios para fornecer uma experiência proprioceptiva das sessões aos meus alunos. E então, nos anos seguintes, nas inúmeras classes em que fui assistente,depois, nas inúmeras classes em que ensinei como professor titular, utilizei-me desse sistema como ferramenta pedagógica.

Logo percebi que a série organizada poderia ser usada de modo clínico para preparar ou encerrar uma sessão. Executá-la de antemão, possibilitaria ao cliente maior elasticidadeabertura. Executá-la após a sessão, poderia constituir uma lição de casa que muitos clientes solicitam, e, de fato, precisam. E, finalmente, aplicá-la durante a sessão, poderia levar a um estilo mais participativo no trabalho, ajudando o terapeuta a perceber onde se encontram as limitações no comprimentonas conexões do tecido, de modo a ativar o efeito ortotrópico. Na verdade, esse trabalho se completara há muitos anos atrás. Apresentei-o em reuniões profissionais ? em Boulder, em 1990; na Alemanha, em 1992;no Brasil, em 1998 ? mas, de algum modo, parecia nunca encontrar tempo, ou estímulo, para transformá-lo em um livro ou para expô-lo de modo mais assertivo.

Assim são as coisas…

O Rolfing estava também evoluindo. O trabalho de Rolfing pelo movimento ganhava forma através das contribuições de Vivian JayeJane Harrington(5). Com o aparecimento das reflexões sobre DefiniçãoPrincípios de Rolling (6,7)as novas formas de abordagem das estruturas(8,9,10) esses alongamentos ganharam outra dimensão. A experiência interna não inclui somente a dimensão sensorial, mas também qualquer aspecto da experiência humana vivenciado ao se fazer um alongamento que o mobilize. Desenvolvemos no Rolfing uma ordem de eventos que, se respeitada, permite uma abordagem mais econômicasegura. O uso dos princípios de intervençãodas novas formas de avaliação estrutural desenvolvidos por Jeffrey MaitlandJan Sultan trouxe esses alongamentos à sua forma presente. Também o trabalho de Peter Levine(11) sobre choquetrauma,a abordagem neo-reichiana do Dr. Gaiarsa quanto às atitudes psicológicas nas couraças musculares do caráter constituíram inspiração importante. A elucidação feita por Maitland sobre a natureza ortotrópica do corpo permitiu-me igualmente conceitualizar o que meus Alongamentos Estruturais haviam revelado.

A experiência com o método Mezièredepois com RPG, uma dissidência do método Mezière, que apareceu no Brasil trazida por Phillipe Souchard(12), levou-me a alongamentos que incluem todo o corpo. Suas posturas globais foram concebidas para que o cliente alongue por suas próprias limitações, produzindo mudanças posturaisefeitos em toda a rede miofascial. Quando comecei a aplicar esses alongamentos no contexto da profunda compreensão de estrutura da Dra. Rolf (13), eles ganharam em forçaefeito.

Portanto, temos aqui uma metodologia que se utiliza de práticas tradicionais (ioga, meditação)outras (Rolfing, Mezière?), de maneira sistemática,que pode lidar com a estrutura alcançando mudanças duradouras.

UM POUCO DE PSICOFISIOLOGIA

NÍVEL UM

A estimulação do tecido miofascial aciona os órgãos do tendão de Golgi, os quais enviam uma mensagem à medula espinhal, que, por sua vez, informa às fibras musculares, diminuindo seu tônus.

Trata-se de um arco de reflexo simples de duas sinapses.

Há órgãos Golgi por todo o tecido conjuntivocamadas fasciais. Concentram-se sobretudo nos tendões, mas estão presentes em todo o tecido. Organizam-se em séries, cadeiaslinhas.

Quando inicialmente estimulados, os tendões de Golgi enviam um sinal para parar o alongamento, que é, por sua vez, interpretado como um alerta de perigo, rompimento ou dano ao tecido. Esta é, provavelmente, uma das razões de sua existência.

Mas, se a pessoa movimentar-se lentamente ? muito lentamente ?sustentar o alongamento por um período maior de tempo, estimulará os órgãos do tendão de Golgi, os quais estimularão em cadeia os receptores subseqüentes, levando assim os músculos a reduzirem o tônusse alongarem. Se o alongamento é conduzido de modo excessivamente rápido, perde-se essa possibilidade de transmitir informação em cadeiaatingir o relaxamento muscular. Com a inclusão de micromovimentos, pode-se alcançar outros receptores de Golgicadeias, ampliando-se as possibilidades de relaxamento.

O reflexo Golgi leva dois segundos para acontecer. Contudo, mudanças ainda maiores na forma do tecido são provocadas por processos mais longos.

NÍVEL DOIS

Os reflexos Golgi têm uma ação local, alongandorelaxando segmentos do tecido conjuntivodos músculos.

Se o alongamento for feito de modo suficientemente lento,depois associado a uma sensação de bem-estar (a inspiração direcionada, o relaxamento?), os estímulos não serão interpretados como sinal de perigo, mas sim como prazer, o que levará a um relaxamento global. O sistema nervoso autônomo é então estimulado, mudando da atividade simpática para a parassimpática.

Ao realizar as séries propostas, a pessoa é, portanto, convidada a vivenciar esses dois estados do sistema nervoso, passando de um para o outro ? em um primeiro momento segurando a postura,depois permitindo o relaxamento. Essa forma de alongar-se ajuda a impedir uma adaptação ao estímulo.

A inclusão de micromovimentosda estimulação das atividades parassimpáticas gera consciência, mantendo o cérebro alternando entre sistemasatitudes de estímulorelaxamento.

Em termos neurológicos, mudamos das atividades da medula espinhal para as atividades do tronco cerebral. O ritmo das atividades do tronco cerebral sendo mais lento.

NÍVEL 3

Repetindo a experiência sem fazer as séries de maneira mecânica,sim ativando a percepção das sensações, pode-se obter um efeito na imagem corporal. Onde no corpo há reconhecimentopercepçãoonde não há? Novas sensações são sempre percebidasregistradas.

Esse processo de percepçãoreconhecimento desempenhará importante papel na interação entre a imagem existentea nova imagem que a pessoa formará de seu ser psicobiológico. Nosso novo esquema corporal serve, portanto, a um propósito de identificação.

Os “pontos cegos”as relações anteriormente não-percebidas são agora reconhecidosintegrados ao nosso esquema corporal. Essa percepção transforma o “mapa” que possuímos de nós mesmos como um todo.

Esse nível é também cortical. Lida com relações, conexões, associaçõesdireções no interioralém da estrutura, assim como conexõesdireções no contexto em que estamos. Muda a paisagem internaa “zona de conforto” na qual operamos com nossa imagem corporal. Se a experiência for agradável, permitirá uma resposta corporal mais plena, sendo assim mais eficiente para o processo de mudança.

Mais uma vez, é importante uma incorporação gradual dessas experiências, de modo que a pessoa não venha a “encolher-se” depois. Se a pessoa sentir-se contraída, certamente foi além de seus limites.

Portanto, descansar entre as seqüências é também muito importante. A consolidação de novas imagens corporais requer um período de tempo durante o qual não se apresentam novos desafios. Pode-se explorar o espaço entre não tentartentar excessivamente.

A partir do desenvolvimento dessa perspectiva, poder-se-ia investigarcorrelacionar os efeitos que os sistemas neurológicossuas funções integradas têm sobre a auto-imagem, a auto-estima,sobre o desenvolvimentoa evolução da personalidade. Mas, por enquanto, isso é o bastante.

INSTRUÇÕES GERAIS

Os alongamentos estruturais são, na realidade, uma combinação de estruturafunção, formamovimento.

Para obter melhores resultados, mantenha-se atentopresente ao praticar essas posturas. Faça-as até encontrar a restrição no alongamento que traz a sensação física de limite.

Ao desafiar os limites da forma com micromovimentos, ou com respiração direcionada, pode-se entrar em contato com a natureza da restrição. Deixando acontecer o alongamento, as mudanças que dele resultam acomodam-se por toda a estrutura. A pessoa, então, pode mover-se lentamente para o próximo limite, dando assim continuidade à exploração.

A natureza dos padrões de retenção em nosso corpo apresenta conexões que ultrapassam o físico, tocando freqüentemente dimensões emocionais, cognitivas ou espirituais. Como sistema holográfico, essas dimensões encontram-se ligadas, ressoando umas nas outras. Tocar nesses padrões,permitir que as restrições se transformem, pode afetar toda a estrutura/pessoa. Novos níveis de ordemfunção podem ser alcançados.

Portanto, os alongamentos precisam ser entendidospraticados como posturas de corpo inteiro. A preocupação com o resto da estrutura/pessoasua integração é imperativa. Quando se quer alongar (aumentar a distância entre dois pontos) um segmento do corpo, faz-se necessária a integração com o todo.

Acima de tudo, a prática dos Alongamentos Estruturais requer da pessoa que não se trate como um objeto a ser alongado, mas que aprenda a vivenciar sua formaa abrir-se para a nova, que quer emergir como conseqüência da exploração consciente das suas limitações.

Em primeiro lugar, é preciso tornar-se ativo, entrandomantendo a postura, vivenciando plenamente as limitações no nível sensorial. Pode-se, então, de modo gradual, aliviando ou intensificando essas sensações, contatar aquilo que quer emergir. É importante respirar com consciência, deixar acontecer os movimentos internos que começam a emergir,tornar-se um com eles, à medida que os velhos padrões se liberam. É igualmente importante dar espaço para as descargas de Sistema Nervoso Autônomo (como bocejos, arrepios, mudanças na temperatura, ligeiros tremores, descargas pelo corpo)para a estabilização das mudanças fisiológicas resultantes, de modo a poder aceitar a forma que era, abraçar a forma que é,tornar-se a forma que quer emergir.

Contatar as limitações através desses alongamentos, com uma atitude de consentimento, permitirá encontrar graciosamente níveis de integraçãofunção superiores. Não se trata de impor-se uma forma preconcebida, ou de superar limites pessoais de alongamento pela força, mas de uma investigação pessoal sobre como ativar a natureza ortotrópica inerente ao corpo.

É necessário combinar o fazero relaxar; manter o alongamento, enquanto a motilidadeo movimento interno vêm a tona; e, finalmente, combinar a sustentação da postura com a execução de micromovimentos. Essa é a chave de toda a prática. As posturas precisam ser simétricas; portanto, os segmentos mais encurtados ditarão sempre sua forma. São esses os espaços que primeiro pedem para ser liberados. Uma vez resolvidos, pode-se prosseguiralcançar camadas mais profundas.

Os princípios de intervenção do Rolfing devem ser respeitados:

. Adaptabilidade. Uma vez que a preparação é uma condição para a exploração mais profunda, é importante cuidar sempre do posicionamento inicialrevisitar áreas que foram trabalhadas anteriormente antes de aprofundar o alongamento.

. Suporte para a realização das posições. Cada parte trabalhada precisa encontrar suporte nas outras partes da estrutura. Isso ajudará na estabilização das mudanças.

. A continuidade é também uma condição para a ordem. É preciso encontrar o fluxo que inclua o corpo todo, conectando as partes, os sistemas, as camadas, sensorialenergeticamente.

. A palintonicidade (o conceito deriva da palavra grega Palintonos, que se refere à tensão existente entre os opostos ou, de maneira geral, à relação existente entre opostos) é sempre abordada como aquela realidade espacialtridimensional que reflete os resultados da liberação de um padrão. Portanto, é necessário o cuidado com a respiraçãoa dimensionalidade das estruturas que forem abordadas.

. Fechamento. Todas as práticas incluem a integraçãoo fechamento na estrutura física. É necessário atentar para a conclusão do trabalho, sem forçar-se ou exceder-se. É necessário contatar o ambiente gradualmente ao terminar a prática.

Os objetivos de cada sessão estão descritos principalmente em terminologia estrutural, no entanto todas as sessões visam explorar sensações ligadas a esses objetivos.

Trata-se, portanto, de um roteiro para vivências no processo de Rolfing. Pode-se usar uma seqüência específica, ou uma parte dela; mas é sempre preciso estar consciente que a pessoa é um todo. Este é um ponto essencial a ser considerado.

Se o paciente sofre de dores na coluna, no joelho ou pescoço, ou, ainda, se tem um histórico de desorganizações estruturais com episódios de dor, posições de torção podem levar a um desequilíbrio temporário. Além disso, se essas posições não forem executadas de maneira cuidadosaapropriada, podem desorganizar a estrutura. Não recomendo a prática desses alongamentos nesses casos.

As fotos são indicadores. A descrição pode fornecer imagensângulos que não estão retratados. Acrescentam também o componente do movimento, que as fotos estáticas não podem mostrar.

Algumas abreviações usadas no Rolfing foram utilizadasmantidas:

LDH [lumbo dorssal hinge]: articulação lombo-dorsal

AOJ [atlanto occipital joint]: articulação atlanto-ocipital

ANS [autonomic nervous system]: sistema nervoso autônomo

EOF [eye of the foot]: olho do pé

Emprego também os termos “sleeve””core” para representar respectivamente os envoltórios mais superficiais da fáscia (sleeve)os tecidos mais profundos, relacionados ao espaço visceral (core).

DUAS PREOCUPAÇÕES SÃO SEMPRE MUITO IMPORTANTES: CUIDADO E TEMPO.

Por favor não se excedam no alongamento, nem comecem a alongar-se abruptamente. É sempre melhor ir devagar, fazendo progressos graduais, passo a passo, do que ir depressacorrer o risco de se machucar. Leve o corpo inteiro em consideração, prepare-se para a postura, encontre o apoio,só então realize a postura. Dê tempo ao sistema nervoso autônomo para descarregar. Dê tempo para que o efeito ortotrópico possa acontecer. E, mais uma vez, dê tempo a si mesmo para integrar as mudanças…

Trata-se de uma experiência a ser vivenciada.

Para ler a sequência de exercícios, ver o texto em PDF.

REFERÊNCIAS

1- Gaiarsa J. A. Reich 1980. São Paulo, Brasil:Agora; 1982.

2- Prado P. Considerações sobre o pensamentoobra de Ida P. Rolf para o trabalho com postura em psicologia. Dissertação de mestrado apresentada no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Brasil; 1982.

3- Lederman E. Fundamentals of Manual Therapy ? Physiology, Neurology and Psychology [Fundamentos da Terapia Manual ? Fisiologia, NeurologiaPsicologia]. Nova Iorque: Churchill Livingstone; 1997.7.

4- Maitland J. Anotações de palestrasconversas particulares. São Paulo, Brasil; 2000.

5- Harrrington J, Jaye V. Anotações de palestrasconversas particulares. São Paulo,Brasil and Boulder,CO; from 1994 to 2000.

6- Maitland J, Sultan J.?Definition and Principles of Rolfing?.[DefiniçãoPrincípios deRolfing]Rolf Lines.1992;20(2)16-18.Rolf Institute.205 Canyon Blvd,Boulder,CO.80302.

7- Cottingham J.T., Maitland J. Integrating manual and movement therapy with philosophical counseling for treatment of a patient with amyotrophic lateral sclerosis: a case study that explores the principles of holistic intervention [Integração da terapia manualdo movimento com aconselhamento filosófico no tratamento de um paciente com esclerose lateral amiotrófica: um estudo de caso que explora os princípios da intervenção holística] . Alternative Therapies. Março 2000; v. 6 (2) 119-127.

8- Sultan J. Towards a structural logic [Rumo a uma lógica estrutural]. Notes on Structural Integration. 1986; (1) 1216. Hans Flury, Badenerstr, 21CH-8004, Zurique, Suiça.

9- Schleip R. Primary reflexes and structural typology [Reflexos primáriostipologia estrutural]. Rolf Lines. 1993; 21 (40) 37-47. Rolf Institute. 205 Canyon Blvd, Boulder, Colorado. 80302..

10- Flury H. Notes on Structural Integration. De 1986 até o presente. Hans Flury, Badenerstr, 21 CH-8004, Zurique, Suiça.

11- Levine P. A. Waking the Tiger-Healing Trauma [O Despertar do Tigre]. Berkley, Califórnia: North Atlantic Books; 1997.

12- Souchard P. Auto-postures. St. Mont, França: Université de Therapie Manuelle; 1988.

13- Rolf I. P. Rolfing: The Integration of Human Structures. [A Integração das Estruturas Humanas] Santa Monica, Califórnia: Dennis Landman Publications; 1977.

14 – Roth H. D. Original Tao: inward training (nei-yeh) and foundations of Taoist mysticism [Tao Original: treinamento interno (nei-yeh)fundamentos do misticismo Taoista]. New York: Columbia University Press; 1999.

AGRADECIMENTOS

Este manual foi concebido ao longo dos anos, com a ajuda de tantos amigosem tantas partes do mundo, que grande parte dele resulta de fato da colaboração de muitos coraçõesmentes espalhados pelo globo.

Em primeiro lugar, devo reconhecer o trabalho pioneiro extremamente importante da Dra. Ida P. Rolfde outros que seguiram sua trilha, entre eles Vivian Jaye, Jane Harrington, Emmet Hutchins, Peter Melchior, Jan SultanJeffrey Maitland. Sou igualmente grato à orientação profundasignificativa que recebi de Peter Levinede José Ângelo Gaiarsa. Ambos contribuiram para a formação de uma base pessoalintelectual que possibilitou o desenvolvimento desta trabalho até sua forma atual. Obrigado a todos vocês.

Obrigado também a todos os alunosclientes que, vivendo comigo a experiência, ajudaram-me a aprender, a construirreconstruir as seqüências, a encontrar as palavras apropriadas, a corrigir as instruções e, acima de tudo, a descobrir o que estava tentando emergir. Meu agradecimento a todos vocês por participarem desse processo de amadurecimento gradual.

Agradeço ainda a José Augusto MenegattiAida Cordeiro, que posaram para as fotos; a Ana Figueiredo, Vera SenePaulo Marcelo Costa, pelo encorajamento inicial na documentação fotográfica dessas seqüências;a José Roberto Sadek, pelos “cliques” propriamente ditos ? obrigado pelo “empurrão”.

Um agradecimento especial para Robert Schleip, pela entrevista que ajudou na formulação do capítulo sobre neuropsicofisiologia0.

Liz Gaggini, Giovanni FeliccioniVivian Jaye colaboraram na edição do texto em inglês. Obrigado pelas sugestõespalavras. E a Regina de Barros Carvalho, a Gô, pela tradução para o português.

Sybille Cavalcanti, da Associação Brasileira de Rolfing,Klaus Nagel, da Associação Européia de Rolfing? E.v., deram-me, de maneira cooperativagenerosa, o apoio técnico nos escritórios, necessário nas diversas etapas de trabalho que precederam essa edição.

Agradeço a Alex Cerveny, por suas inspiradas ilustrações;a Fernanda Sarmento, Letícia MouraLú Vilela de Araújo que criaram o formato gráfico em diferentes estágios dessa edição.

Minha mais profunda gratidão para Paula Mattoli, por seu trabalho devotado, pela participaçãoapoio afetivo, e, especialmente, por me fazer acreditar que tudo isso era possívelnecessário.

Sim,
Obrigado a todos.

PEDRO PRADO

<img src=’https://novo.pedroprado.com.br/imgs/2001/1079-180.jpg’>
Quando o corpo não está alinhado,
O poder interior não emerge.
Quando não há tranqüilidade interna,
A mente não se organiza.
Alinhe seu corpo, auxilie o poder interior,
E ele, então, gradualmente, surgirá por si mesmo(14)

Nei-yeh
Antigo poema taoista

Para ver os exercícios, acesse a cópia em PDF[:it]INTRODUÇÃO

Logo após minha graduação em Psicologia Clínica, em 1973, participei de um grupo de estudos com o Dr. Gaiarsa, em São Paulo, Brasil. Pela primeira vez, então, meus olhos se abriram para a importância da propriocepção na senso-percepção, na auto-imagemna auto-estima, assim como em sua aplicação no trabalho com a transformação(1).

Em 1981, conclui a formação de Rolfingpassei a me interessar pela conexão entre a estrutura físicaas emoções; entre W. Reichseus seguidores,Ida P. Rolf (2).

Como estudante de Rolfing, comecei a praticar alongamentos para vivenciar, a partir da minha própria experiência corporal, alguns dos conceitos que me estavam sendo ensinados. As referências teóricasas definições pareciam-me, inúmeras vezes, demasiado abstratas. Isso aconteceu por volta de 1984, durante meu treinamento avançado de Rolfing, em Boulder, Colorado, com Emmett HutchinsPeter Melchior.

Em Nova Iorque, reencontrei Dorothy Hunter, uma grande amiga,descobrimos que trabalhávamos com alongamentos de forma semelhante. Costumávamos nos encontrar no Central Park, pelas manhãs,mostrar um ao outro nossas descobertas.

De volta ao Brasil, continuei a pesquisa, reunindo os alongamentos de modo a reproduzirem os efeitos das sessões do protocolo de Rolfing, ou, como a Dra. Rolf costumava chamar, “a receita”. Portanto, para cada sessão desenvolvi uma série de alongamentos.

Logo percebi que a série poderia ser uma ferramenta poderosa para os clientes levarem para casa, e, como eu, explorarem seus corpossuas conexões internas. Percebi também que os alongamentos poderiam ajudá-los a conservar os resultados da sessão. Os clientes poderiam ativamente fazer algo por si próprios.

Contudo, ainda mais importante, ao confrontar suas restrições físicas,explorá-las, os clientes poderiam liberar a força auto-reguladoraauto-organizadora de seus próprios corpos. Tendo a oportunidade de aliviar suas restrições, o corpo encontra naturalmente seu caminho rumo a um nível de funcionamentointegração superiores. Para ser mais preciso, quando esses alongamentos são praticados conscientemente, acessamativam a natureza ortotrópica inerente ao nosso soma(4), ou seja, a tendência inata do nosso corpo de corrigir-seprocurar a verticalidade. Em conseqüência, a integração que desejamos não nos é imposta, mas descoberta internamente.

Nesse momento, em 1986, tornei-me professor-assistente nos cursos de Rolfing. Utilizei então os exercícios para fornecer uma experiência proprioceptiva das sessões aos meus alunos. E então, nos anos seguintes, nas inúmeras classes em que fui assistente,depois, nas inúmeras classes em que ensinei como professor titular, utilizei-me desse sistema como ferramenta pedagógica.

Logo percebi que a série organizada poderia ser usada de modo clínico para preparar ou encerrar uma sessão. Executá-la de antemão, possibilitaria ao cliente maior elasticidadeabertura. Executá-la após a sessão, poderia constituir uma lição de casa que muitos clientes solicitam, e, de fato, precisam. E, finalmente, aplicá-la durante a sessão, poderia levar a um estilo mais participativo no trabalho, ajudando o terapeuta a perceber onde se encontram as limitações no comprimentonas conexões do tecido, de modo a ativar o efeito ortotrópico. Na verdade, esse trabalho se completara há muitos anos atrás. Apresentei-o em reuniões profissionais ? em Boulder, em 1990; na Alemanha, em 1992;no Brasil, em 1998 ? mas, de algum modo, parecia nunca encontrar tempo, ou estímulo, para transformá-lo em um livro ou para expô-lo de modo mais assertivo.

Assim são as coisas…

O Rolfing estava também evoluindo. O trabalho de Rolfing pelo movimento ganhava forma através das contribuições de Vivian JayeJane Harrington(5). Com o aparecimento das reflexões sobre DefiniçãoPrincípios de Rolling (6,7)as novas formas de abordagem das estruturas(8,9,10) esses alongamentos ganharam outra dimensão. A experiência interna não inclui somente a dimensão sensorial, mas também qualquer aspecto da experiência humana vivenciado ao se fazer um alongamento que o mobilize. Desenvolvemos no Rolfing uma ordem de eventos que, se respeitada, permite uma abordagem mais econômicasegura. O uso dos princípios de intervençãodas novas formas de avaliação estrutural desenvolvidos por Jeffrey MaitlandJan Sultan trouxe esses alongamentos à sua forma presente. Também o trabalho de Peter Levine(11) sobre choquetrauma,a abordagem neo-reichiana do Dr. Gaiarsa quanto às atitudes psicológicas nas couraças musculares do caráter constituíram inspiração importante. A elucidação feita por Maitland sobre a natureza ortotrópica do corpo permitiu-me igualmente conceitualizar o que meus Alongamentos Estruturais haviam revelado.

A experiência com o método Mezièredepois com RPG, uma dissidência do método Mezière, que apareceu no Brasil trazida por Phillipe Souchard(12), levou-me a alongamentos que incluem todo o corpo. Suas posturas globais foram concebidas para que o cliente alongue por suas próprias limitações, produzindo mudanças posturaisefeitos em toda a rede miofascial. Quando comecei a aplicar esses alongamentos no contexto da profunda compreensão de estrutura da Dra. Rolf (13), eles ganharam em forçaefeito.

Portanto, temos aqui uma metodologia que se utiliza de práticas tradicionais (ioga, meditação)outras (Rolfing, Mezière?), de maneira sistemática,que pode lidar com a estrutura alcançando mudanças duradouras.

UM POUCO DE PSICOFISIOLOGIA

NÍVEL UM

A estimulação do tecido miofascial aciona os órgãos do tendão de Golgi, os quais enviam uma mensagem à medula espinhal, que, por sua vez, informa às fibras musculares, diminuindo seu tônus.

Trata-se de um arco de reflexo simples de duas sinapses.

Há órgãos Golgi por todo o tecido conjuntivocamadas fasciais. Concentram-se sobretudo nos tendões, mas estão presentes em todo o tecido. Organizam-se em séries, cadeiaslinhas.

Quando inicialmente estimulados, os tendões de Golgi enviam um sinal para parar o alongamento, que é, por sua vez, interpretado como um alerta de perigo, rompimento ou dano ao tecido. Esta é, provavelmente, uma das razões de sua existência.

Mas, se a pessoa movimentar-se lentamente ? muito lentamente ?sustentar o alongamento por um período maior de tempo, estimulará os órgãos do tendão de Golgi, os quais estimularão em cadeia os receptores subseqüentes, levando assim os músculos a reduzirem o tônusse alongarem. Se o alongamento é conduzido de modo excessivamente rápido, perde-se essa possibilidade de transmitir informação em cadeiaatingir o relaxamento muscular. Com a inclusão de micromovimentos, pode-se alcançar outros receptores de Golgicadeias, ampliando-se as possibilidades de relaxamento.

O reflexo Golgi leva dois segundos para acontecer. Contudo, mudanças ainda maiores na forma do tecido são provocadas por processos mais longos.

NÍVEL DOIS

Os reflexos Golgi têm uma ação local, alongandorelaxando segmentos do tecido conjuntivodos músculos.

Se o alongamento for feito de modo suficientemente lento,depois associado a uma sensação de bem-estar (a inspiração direcionada, o relaxamento?), os estímulos não serão interpretados como sinal de perigo, mas sim como prazer, o que levará a um relaxamento global. O sistema nervoso autônomo é então estimulado, mudando da atividade simpática para a parassimpática.

Ao realizar as séries propostas, a pessoa é, portanto, convidada a vivenciar esses dois estados do sistema nervoso, passando de um para o outro ? em um primeiro momento segurando a postura,depois permitindo o relaxamento. Essa forma de alongar-se ajuda a impedir uma adaptação ao estímulo.

A inclusão de micromovimentosda estimulação das atividades parassimpáticas gera consciência, mantendo o cérebro alternando entre sistemasatitudes de estímulorelaxamento.

Em termos neurológicos, mudamos das atividades da medula espinhal para as atividades do tronco cerebral. O ritmo das atividades do tronco cerebral sendo mais lento.

NÍVEL 3

Repetindo a experiência sem fazer as séries de maneira mecânica,sim ativando a percepção das sensações, pode-se obter um efeito na imagem corporal. Onde no corpo há reconhecimentopercepçãoonde não há? Novas sensações são sempre percebidasregistradas.

Esse processo de percepçãoreconhecimento desempenhará importante papel na interação entre a imagem existentea nova imagem que a pessoa formará de seu ser psicobiológico. Nosso novo esquema corporal serve, portanto, a um propósito de identificação.

Os “pontos cegos”as relações anteriormente não-percebidas são agora reconhecidosintegrados ao nosso esquema corporal. Essa percepção transforma o “mapa” que possuímos de nós mesmos como um todo.

Esse nível é também cortical. Lida com relações, conexões, associaçõesdireções no interioralém da estrutura, assim como conexõesdireções no contexto em que estamos. Muda a paisagem internaa “zona de conforto” na qual operamos com nossa imagem corporal. Se a experiência for agradável, permitirá uma resposta corporal mais plena, sendo assim mais eficiente para o processo de mudança.

Mais uma vez, é importante uma incorporação gradual dessas experiências, de modo que a pessoa não venha a “encolher-se” depois. Se a pessoa sentir-se contraída, certamente foi além de seus limites.

Portanto, descansar entre as seqüências é também muito importante. A consolidação de novas imagens corporais requer um período de tempo durante o qual não se apresentam novos desafios. Pode-se explorar o espaço entre não tentartentar excessivamente.

A partir do desenvolvimento dessa perspectiva, poder-se-ia investigarcorrelacionar os efeitos que os sistemas neurológicossuas funções integradas têm sobre a auto-imagem, a auto-estima,sobre o desenvolvimentoa evolução da personalidade. Mas, por enquanto, isso é o bastante.

INSTRUÇÕES GERAIS

Os alongamentos estruturais são, na realidade, uma combinação de estruturafunção, formamovimento.

Para obter melhores resultados, mantenha-se atentopresente ao praticar essas posturas. Faça-as até encontrar a restrição no alongamento que traz a sensação física de limite.

Ao desafiar os limites da forma com micromovimentos, ou com respiração direcionada, pode-se entrar em contato com a natureza da restrição. Deixando acontecer o alongamento, as mudanças que dele resultam acomodam-se por toda a estrutura. A pessoa, então, pode mover-se lentamente para o próximo limite, dando assim continuidade à exploração.

A natureza dos padrões de retenção em nosso corpo apresenta conexões que ultrapassam o físico, tocando freqüentemente dimensões emocionais, cognitivas ou espirituais. Como sistema holográfico, essas dimensões encontram-se ligadas, ressoando umas nas outras. Tocar nesses padrões,permitir que as restrições se transformem, pode afetar toda a estrutura/pessoa. Novos níveis de ordemfunção podem ser alcançados.

Portanto, os alongamentos precisam ser entendidospraticados como posturas de corpo inteiro. A preocupação com o resto da estrutura/pessoasua integração é imperativa. Quando se quer alongar (aumentar a distância entre dois pontos) um segmento do corpo, faz-se necessária a integração com o todo.

Acima de tudo, a prática dos Alongamentos Estruturais requer da pessoa que não se trate como um objeto a ser alongado, mas que aprenda a vivenciar sua formaa abrir-se para a nova, que quer emergir como conseqüência da exploração consciente das suas limitações.

Em primeiro lugar, é preciso tornar-se ativo, entrandomantendo a postura, vivenciando plenamente as limitações no nível sensorial. Pode-se, então, de modo gradual, aliviando ou intensificando essas sensações, contatar aquilo que quer emergir. É importante respirar com consciência, deixar acontecer os movimentos internos que começam a emergir,tornar-se um com eles, à medida que os velhos padrões se liberam. É igualmente importante dar espaço para as descargas de Sistema Nervoso Autônomo (como bocejos, arrepios, mudanças na temperatura, ligeiros tremores, descargas pelo corpo)para a estabilização das mudanças fisiológicas resultantes, de modo a poder aceitar a forma que era, abraçar a forma que é,tornar-se a forma que quer emergir.

Contatar as limitações através desses alongamentos, com uma atitude de consentimento, permitirá encontrar graciosamente níveis de integraçãofunção superiores. Não se trata de impor-se uma forma preconcebida, ou de superar limites pessoais de alongamento pela força, mas de uma investigação pessoal sobre como ativar a natureza ortotrópica inerente ao corpo.

É necessário combinar o fazero relaxar; manter o alongamento, enquanto a motilidadeo movimento interno vêm a tona; e, finalmente, combinar a sustentação da postura com a execução de micromovimentos. Essa é a chave de toda a prática. As posturas precisam ser simétricas; portanto, os segmentos mais encurtados ditarão sempre sua forma. São esses os espaços que primeiro pedem para ser liberados. Uma vez resolvidos, pode-se prosseguiralcançar camadas mais profundas.

Os princípios de intervenção do Rolfing devem ser respeitados:

. Adaptabilidade. Uma vez que a preparação é uma condição para a exploração mais profunda, é importante cuidar sempre do posicionamento inicialrevisitar áreas que foram trabalhadas anteriormente antes de aprofundar o alongamento.

. Suporte para a realização das posições. Cada parte trabalhada precisa encontrar suporte nas outras partes da estrutura. Isso ajudará na estabilização das mudanças.

. A continuidade é também uma condição para a ordem. É preciso encontrar o fluxo que inclua o corpo todo, conectando as partes, os sistemas, as camadas, sensorialenergeticamente.

. A palintonicidade (o conceito deriva da palavra grega Palintonos, que se refere à tensão existente entre os opostos ou, de maneira geral, à relação existente entre opostos) é sempre abordada como aquela realidade espacialtridimensional que reflete os resultados da liberação de um padrão. Portanto, é necessário o cuidado com a respiraçãoa dimensionalidade das estruturas que forem abordadas.

. Fechamento. Todas as práticas incluem a integraçãoo fechamento na estrutura física. É necessário atentar para a conclusão do trabalho, sem forçar-se ou exceder-se. É necessário contatar o ambiente gradualmente ao terminar a prática.

Os objetivos de cada sessão estão descritos principalmente em terminologia estrutural, no entanto todas as sessões visam explorar sensações ligadas a esses objetivos.

Trata-se, portanto, de um roteiro para vivências no processo de Rolfing. Pode-se usar uma seqüência específica, ou uma parte dela; mas é sempre preciso estar consciente que a pessoa é um todo. Este é um ponto essencial a ser considerado.

Se o paciente sofre de dores na coluna, no joelho ou pescoço, ou, ainda, se tem um histórico de desorganizações estruturais com episódios de dor, posições de torção podem levar a um desequilíbrio temporário. Além disso, se essas posições não forem executadas de maneira cuidadosaapropriada, podem desorganizar a estrutura. Não recomendo a prática desses alongamentos nesses casos.

As fotos são indicadores. A descrição pode fornecer imagensângulos que não estão retratados. Acrescentam também o componente do movimento, que as fotos estáticas não podem mostrar.

Algumas abreviações usadas no Rolfing foram utilizadasmantidas:

LDH [lumbo dorssal hinge]: articulação lombo-dorsal

AOJ [atlanto occipital joint]: articulação atlanto-ocipital

ANS [autonomic nervous system]: sistema nervoso autônomo

EOF [eye of the foot]: olho do pé

Emprego também os termos “sleeve””core” para representar respectivamente os envoltórios mais superficiais da fáscia (sleeve)os tecidos mais profundos, relacionados ao espaço visceral (core).

DUAS PREOCUPAÇÕES SÃO SEMPRE MUITO IMPORTANTES: CUIDADO E TEMPO.

Por favor não se excedam no alongamento, nem comecem a alongar-se abruptamente. É sempre melhor ir devagar, fazendo progressos graduais, passo a passo, do que ir depressacorrer o risco de se machucar. Leve o corpo inteiro em consideração, prepare-se para a postura, encontre o apoio,só então realize a postura. Dê tempo ao sistema nervoso autônomo para descarregar. Dê tempo para que o efeito ortotrópico possa acontecer. E, mais uma vez, dê tempo a si mesmo para integrar as mudanças…

Trata-se de uma experiência a ser vivenciada.

Para ler a sequência de exercícios, ver o texto em PDF.

REFERÊNCIAS

1- Gaiarsa J. A. Reich 1980. São Paulo, Brasil:Agora; 1982.

2- Prado P. Considerações sobre o pensamentoobra de Ida P. Rolf para o trabalho com postura em psicologia. Dissertação de mestrado apresentada no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Brasil; 1982.

3- Lederman E. Fundamentals of Manual Therapy ? Physiology, Neurology and Psychology [Fundamentos da Terapia Manual ? Fisiologia, NeurologiaPsicologia]. Nova Iorque: Churchill Livingstone; 1997.7.

4- Maitland J. Anotações de palestrasconversas particulares. São Paulo, Brasil; 2000.

5- Harrrington J, Jaye V. Anotações de palestrasconversas particulares. São Paulo,Brasil and Boulder,CO; from 1994 to 2000.

6- Maitland J, Sultan J.?Definition and Principles of Rolfing?.[DefiniçãoPrincípios deRolfing]Rolf Lines.1992;20(2)16-18.Rolf Institute.205 Canyon Blvd,Boulder,CO.80302.

7- Cottingham J.T., Maitland J. Integrating manual and movement therapy with philosophical counseling for treatment of a patient with amyotrophic lateral sclerosis: a case study that explores the principles of holistic intervention [Integração da terapia manualdo movimento com aconselhamento filosófico no tratamento de um paciente com esclerose lateral amiotrófica: um estudo de caso que explora os princípios da intervenção holística] . Alternative Therapies. Março 2000; v. 6 (2) 119-127.

8- Sultan J. Towards a structural logic [Rumo a uma lógica estrutural]. Notes on Structural Integration. 1986; (1) 1216. Hans Flury, Badenerstr, 21CH-8004, Zurique, Suiça.

9- Schleip R. Primary reflexes and structural typology [Reflexos primáriostipologia estrutural]. Rolf Lines. 1993; 21 (40) 37-47. Rolf Institute. 205 Canyon Blvd, Boulder, Colorado. 80302..

10- Flury H. Notes on Structural Integration. De 1986 até o presente. Hans Flury, Badenerstr, 21 CH-8004, Zurique, Suiça.

11- Levine P. A. Waking the Tiger-Healing Trauma [O Despertar do Tigre]. Berkley, Califórnia: North Atlantic Books; 1997.

12- Souchard P. Auto-postures. St. Mont, França: Université de Therapie Manuelle; 1988.

13- Rolf I. P. Rolfing: The Integration of Human Structures. [A Integração das Estruturas Humanas] Santa Monica, Califórnia: Dennis Landman Publications; 1977.

14 – Roth H. D. Original Tao: inward training (nei-yeh) and foundations of Taoist mysticism [Tao Original: treinamento interno (nei-yeh)fundamentos do misticismo Taoista]. New York: Columbia University Press; 1999.

AGRADECIMENTOS

Este manual foi concebido ao longo dos anos, com a ajuda de tantos amigosem tantas partes do mundo, que grande parte dele resulta de fato da colaboração de muitos coraçõesmentes espalhados pelo globo.

Em primeiro lugar, devo reconhecer o trabalho pioneiro extremamente importante da Dra. Ida P. Rolfde outros que seguiram sua trilha, entre eles Vivian Jaye, Jane Harrington, Emmet Hutchins, Peter Melchior, Jan SultanJeffrey Maitland. Sou igualmente grato à orientação profundasignificativa que recebi de Peter Levinede José Ângelo Gaiarsa. Ambos contribuiram para a formação de uma base pessoalintelectual que possibilitou o desenvolvimento desta trabalho até sua forma atual. Obrigado a todos vocês.

Obrigado também a todos os alunosclientes que, vivendo comigo a experiência, ajudaram-me a aprender, a construirreconstruir as seqüências, a encontrar as palavras apropriadas, a corrigir as instruções e, acima de tudo, a descobrir o que estava tentando emergir. Meu agradecimento a todos vocês por participarem desse processo de amadurecimento gradual.

Agradeço ainda a José Augusto MenegattiAida Cordeiro, que posaram para as fotos; a Ana Figueiredo, Vera SenePaulo Marcelo Costa, pelo encorajamento inicial na documentação fotográfica dessas seqüências;a José Roberto Sadek, pelos “cliques” propriamente ditos ? obrigado pelo “empurrão”.

Um agradecimento especial para Robert Schleip, pela entrevista que ajudou na formulação do capítulo sobre neuropsicofisiologia0.

Liz Gaggini, Giovanni FeliccioniVivian Jaye colaboraram na edição do texto em inglês. Obrigado pelas sugestõespalavras. E a Regina de Barros Carvalho, a Gô, pela tradução para o português.

Sybille Cavalcanti, da Associação Brasileira de Rolfing,Klaus Nagel, da Associação Européia de Rolfing? E.v., deram-me, de maneira cooperativagenerosa, o apoio técnico nos escritórios, necessário nas diversas etapas de trabalho que precederam essa edição.

Agradeço a Alex Cerveny, por suas inspiradas ilustrações;a Fernanda Sarmento, Letícia MouraLú Vilela de Araújo que criaram o formato gráfico em diferentes estágios dessa edição.

Minha mais profunda gratidão para Paula Mattoli, por seu trabalho devotado, pela participaçãoapoio afetivo, e, especialmente, por me fazer acreditar que tudo isso era possívelnecessário.

Sim,
Obrigado a todos.

PEDRO PRADO

<img src=’https://novo.pedroprado.com.br/imgs/2001/1079-180.jpg’>
Quando o corpo não está alinhado,
O poder interior não emerge.
Quando não há tranqüilidade interna,
A mente não se organiza.
Alinhe seu corpo, auxilie o poder interior,
E ele, então, gradualmente, surgirá por si mesmo(14)

Nei-yeh
Antigo poema taoista

Para ver os exercícios, acesse a cópia em PDF[:pb]INTRODUÇÃO

Logo após minha graduação em Psicologia Clínica, em 1973, participei de um grupo de estudos com o Dr. Gaiarsa, em São Paulo, Brasil. Pela primeira vez, então, meus olhos se abriram para a importância da propriocepção na senso-percepção, na auto-imagemna auto-estima, assim como em sua aplicação no trabalho com a transformação(1).

Em 1981, conclui a formação de Rolfingpassei a me interessar pela conexão entre a estrutura físicaas emoções; entre W. Reichseus seguidores,Ida P. Rolf (2).

Como estudante de Rolfing, comecei a praticar alongamentos para vivenciar, a partir da minha própria experiência corporal, alguns dos conceitos que me estavam sendo ensinados. As referências teóricasas definições pareciam-me, inúmeras vezes, demasiado abstratas. Isso aconteceu por volta de 1984, durante meu treinamento avançado de Rolfing, em Boulder, Colorado, com Emmett HutchinsPeter Melchior.

Em Nova Iorque, reencontrei Dorothy Hunter, uma grande amiga,descobrimos que trabalhávamos com alongamentos de forma semelhante. Costumávamos nos encontrar no Central Park, pelas manhãs,mostrar um ao outro nossas descobertas.

De volta ao Brasil, continuei a pesquisa, reunindo os alongamentos de modo a reproduzirem os efeitos das sessões do protocolo de Rolfing, ou, como a Dra. Rolf costumava chamar, “a receita”. Portanto, para cada sessão desenvolvi uma série de alongamentos.

Logo percebi que a série poderia ser uma ferramenta poderosa para os clientes levarem para casa, e, como eu, explorarem seus corpossuas conexões internas. Percebi também que os alongamentos poderiam ajudá-los a conservar os resultados da sessão. Os clientes poderiam ativamente fazer algo por si próprios.

Contudo, ainda mais importante, ao confrontar suas restrições físicas,explorá-las, os clientes poderiam liberar a força auto-reguladoraauto-organizadora de seus próprios corpos. Tendo a oportunidade de aliviar suas restrições, o corpo encontra naturalmente seu caminho rumo a um nível de funcionamentointegração superiores. Para ser mais preciso, quando esses alongamentos são praticados conscientemente, acessamativam a natureza ortotrópica inerente ao nosso soma(4), ou seja, a tendência inata do nosso corpo de corrigir-seprocurar a verticalidade. Em conseqüência, a integração que desejamos não nos é imposta, mas descoberta internamente.

Nesse momento, em 1986, tornei-me professor-assistente nos cursos de Rolfing. Utilizei então os exercícios para fornecer uma experiência proprioceptiva das sessões aos meus alunos. E então, nos anos seguintes, nas inúmeras classes em que fui assistente,depois, nas inúmeras classes em que ensinei como professor titular, utilizei-me desse sistema como ferramenta pedagógica.

Logo percebi que a série organizada poderia ser usada de modo clínico para preparar ou encerrar uma sessão. Executá-la de antemão, possibilitaria ao cliente maior elasticidadeabertura. Executá-la após a sessão, poderia constituir uma lição de casa que muitos clientes solicitam, e, de fato, precisam. E, finalmente, aplicá-la durante a sessão, poderia levar a um estilo mais participativo no trabalho, ajudando o terapeuta a perceber onde se encontram as limitações no comprimentonas conexões do tecido, de modo a ativar o efeito ortotrópico. Na verdade, esse trabalho se completara há muitos anos atrás. Apresentei-o em reuniões profissionais ? em Boulder, em 1990; na Alemanha, em 1992;no Brasil, em 1998 ? mas, de algum modo, parecia nunca encontrar tempo, ou estímulo, para transformá-lo em um livro ou para expô-lo de modo mais assertivo.

Assim são as coisas…

O Rolfing estava também evoluindo. O trabalho de Rolfing pelo movimento ganhava forma através das contribuições de Vivian JayeJane Harrington(5). Com o aparecimento das reflexões sobre DefiniçãoPrincípios de Rolling (6,7)as novas formas de abordagem das estruturas(8,9,10) esses alongamentos ganharam outra dimensão. A experiência interna não inclui somente a dimensão sensorial, mas também qualquer aspecto da experiência humana vivenciado ao se fazer um alongamento que o mobilize. Desenvolvemos no Rolfing uma ordem de eventos que, se respeitada, permite uma abordagem mais econômicasegura. O uso dos princípios de intervençãodas novas formas de avaliação estrutural desenvolvidos por Jeffrey MaitlandJan Sultan trouxe esses alongamentos à sua forma presente. Também o trabalho de Peter Levine(11) sobre choquetrauma,a abordagem neo-reichiana do Dr. Gaiarsa quanto às atitudes psicológicas nas couraças musculares do caráter constituíram inspiração importante. A elucidação feita por Maitland sobre a natureza ortotrópica do corpo permitiu-me igualmente conceitualizar o que meus Alongamentos Estruturais haviam revelado.

A experiência com o método Mezièredepois com RPG, uma dissidência do método Mezière, que apareceu no Brasil trazida por Phillipe Souchard(12), levou-me a alongamentos que incluem todo o corpo. Suas posturas globais foram concebidas para que o cliente alongue por suas próprias limitações, produzindo mudanças posturaisefeitos em toda a rede miofascial. Quando comecei a aplicar esses alongamentos no contexto da profunda compreensão de estrutura da Dra. Rolf (13), eles ganharam em forçaefeito.

Portanto, temos aqui uma metodologia que se utiliza de práticas tradicionais (ioga, meditação)outras (Rolfing, Mezière?), de maneira sistemática,que pode lidar com a estrutura alcançando mudanças duradouras.

UM POUCO DE PSICOFISIOLOGIA

NÍVEL UM

A estimulação do tecido miofascial aciona os órgãos do tendão de Golgi, os quais enviam uma mensagem à medula espinhal, que, por sua vez, informa às fibras musculares, diminuindo seu tônus.

Trata-se de um arco de reflexo simples de duas sinapses.

Há órgãos Golgi por todo o tecido conjuntivocamadas fasciais. Concentram-se sobretudo nos tendões, mas estão presentes em todo o tecido. Organizam-se em séries, cadeiaslinhas.

Quando inicialmente estimulados, os tendões de Golgi enviam um sinal para parar o alongamento, que é, por sua vez, interpretado como um alerta de perigo, rompimento ou dano ao tecido. Esta é, provavelmente, uma das razões de sua existência.

Mas, se a pessoa movimentar-se lentamente ? muito lentamente ?sustentar o alongamento por um período maior de tempo, estimulará os órgãos do tendão de Golgi, os quais estimularão em cadeia os receptores subseqüentes, levando assim os músculos a reduzirem o tônusse alongarem. Se o alongamento é conduzido de modo excessivamente rápido, perde-se essa possibilidade de transmitir informação em cadeiaatingir o relaxamento muscular. Com a inclusão de micromovimentos, pode-se alcançar outros receptores de Golgicadeias, ampliando-se as possibilidades de relaxamento.

O reflexo Golgi leva dois segundos para acontecer. Contudo, mudanças ainda maiores na forma do tecido são provocadas por processos mais longos.

NÍVEL DOIS

Os reflexos Golgi têm uma ação local, alongandorelaxando segmentos do tecido conjuntivodos músculos.

Se o alongamento for feito de modo suficientemente lento,depois associado a uma sensação de bem-estar (a inspiração direcionada, o relaxamento?), os estímulos não serão interpretados como sinal de perigo, mas sim como prazer, o que levará a um relaxamento global. O sistema nervoso autônomo é então estimulado, mudando da atividade simpática para a parassimpática.

Ao realizar as séries propostas, a pessoa é, portanto, convidada a vivenciar esses dois estados do sistema nervoso, passando de um para o outro ? em um primeiro momento segurando a postura,depois permitindo o relaxamento. Essa forma de alongar-se ajuda a impedir uma adaptação ao estímulo.

A inclusão de micromovimentosda estimulação das atividades parassimpáticas gera consciência, mantendo o cérebro alternando entre sistemasatitudes de estímulorelaxamento.

Em termos neurológicos, mudamos das atividades da medula espinhal para as atividades do tronco cerebral. O ritmo das atividades do tronco cerebral sendo mais lento.

NÍVEL 3

Repetindo a experiência sem fazer as séries de maneira mecânica,sim ativando a percepção das sensações, pode-se obter um efeito na imagem corporal. Onde no corpo há reconhecimentopercepçãoonde não há? Novas sensações são sempre percebidasregistradas.

Esse processo de percepçãoreconhecimento desempenhará importante papel na interação entre a imagem existentea nova imagem que a pessoa formará de seu ser psicobiológico. Nosso novo esquema corporal serve, portanto, a um propósito de identificação.

Os “pontos cegos”as relações anteriormente não-percebidas são agora reconhecidosintegrados ao nosso esquema corporal. Essa percepção transforma o “mapa” que possuímos de nós mesmos como um todo.

Esse nível é também cortical. Lida com relações, conexões, associaçõesdireções no interioralém da estrutura, assim como conexõesdireções no contexto em que estamos. Muda a paisagem internaa “zona de conforto” na qual operamos com nossa imagem corporal. Se a experiência for agradável, permitirá uma resposta corporal mais plena, sendo assim mais eficiente para o processo de mudança.

Mais uma vez, é importante uma incorporação gradual dessas experiências, de modo que a pessoa não venha a “encolher-se” depois. Se a pessoa sentir-se contraída, certamente foi além de seus limites.

Portanto, descansar entre as seqüências é também muito importante. A consolidação de novas imagens corporais requer um período de tempo durante o qual não se apresentam novos desafios. Pode-se explorar o espaço entre não tentartentar excessivamente.

A partir do desenvolvimento dessa perspectiva, poder-se-ia investigarcorrelacionar os efeitos que os sistemas neurológicossuas funções integradas têm sobre a auto-imagem, a auto-estima,sobre o desenvolvimentoa evolução da personalidade. Mas, por enquanto, isso é o bastante.

INSTRUÇÕES GERAIS

Os alongamentos estruturais são, na realidade, uma combinação de estruturafunção, formamovimento.

Para obter melhores resultados, mantenha-se atentopresente ao praticar essas posturas. Faça-as até encontrar a restrição no alongamento que traz a sensação física de limite.

Ao desafiar os limites da forma com micromovimentos, ou com respiração direcionada, pode-se entrar em contato com a natureza da restrição. Deixando acontecer o alongamento, as mudanças que dele resultam acomodam-se por toda a estrutura. A pessoa, então, pode mover-se lentamente para o próximo limite, dando assim continuidade à exploração.

A natureza dos padrões de retenção em nosso corpo apresenta conexões que ultrapassam o físico, tocando freqüentemente dimensões emocionais, cognitivas ou espirituais. Como sistema holográfico, essas dimensões encontram-se ligadas, ressoando umas nas outras. Tocar nesses padrões,permitir que as restrições se transformem, pode afetar toda a estrutura/pessoa. Novos níveis de ordemfunção podem ser alcançados.

Portanto, os alongamentos precisam ser entendidospraticados como posturas de corpo inteiro. A preocupação com o resto da estrutura/pessoasua integração é imperativa. Quando se quer alongar (aumentar a distância entre dois pontos) um segmento do corpo, faz-se necessária a integração com o todo.

Acima de tudo, a prática dos Alongamentos Estruturais requer da pessoa que não se trate como um objeto a ser alongado, mas que aprenda a vivenciar sua formaa abrir-se para a nova, que quer emergir como conseqüência da exploração consciente das suas limitações.

Em primeiro lugar, é preciso tornar-se ativo, entrandomantendo a postura, vivenciando plenamente as limitações no nível sensorial. Pode-se, então, de modo gradual, aliviando ou intensificando essas sensações, contatar aquilo que quer emergir. É importante respirar com consciência, deixar acontecer os movimentos internos que começam a emergir,tornar-se um com eles, à medida que os velhos padrões se liberam. É igualmente importante dar espaço para as descargas de Sistema Nervoso Autônomo (como bocejos, arrepios, mudanças na temperatura, ligeiros tremores, descargas pelo corpo)para a estabilização das mudanças fisiológicas resultantes, de modo a poder aceitar a forma que era, abraçar a forma que é,tornar-se a forma que quer emergir.

Contatar as limitações através desses alongamentos, com uma atitude de consentimento, permitirá encontrar graciosamente níveis de integraçãofunção superiores. Não se trata de impor-se uma forma preconcebida, ou de superar limites pessoais de alongamento pela força, mas de uma investigação pessoal sobre como ativar a natureza ortotrópica inerente ao corpo.

É necessário combinar o fazero relaxar; manter o alongamento, enquanto a motilidadeo movimento interno vêm a tona; e, finalmente, combinar a sustentação da postura com a execução de micromovimentos. Essa é a chave de toda a prática. As posturas precisam ser simétricas; portanto, os segmentos mais encurtados ditarão sempre sua forma. São esses os espaços que primeiro pedem para ser liberados. Uma vez resolvidos, pode-se prosseguiralcançar camadas mais profundas.

Os princípios de intervenção do Rolfing devem ser respeitados:

. Adaptabilidade. Uma vez que a preparação é uma condição para a exploração mais profunda, é importante cuidar sempre do posicionamento inicialrevisitar áreas que foram trabalhadas anteriormente antes de aprofundar o alongamento.

. Suporte para a realização das posições. Cada parte trabalhada precisa encontrar suporte nas outras partes da estrutura. Isso ajudará na estabilização das mudanças.

. A continuidade é também uma condição para a ordem. É preciso encontrar o fluxo que inclua o corpo todo, conectando as partes, os sistemas, as camadas, sensorialenergeticamente.

. A palintonicidade (o conceito deriva da palavra grega Palintonos, que se refere à tensão existente entre os opostos ou, de maneira geral, à relação existente entre opostos) é sempre abordada como aquela realidade espacialtridimensional que reflete os resultados da liberação de um padrão. Portanto, é necessário o cuidado com a respiraçãoa dimensionalidade das estruturas que forem abordadas.

. Fechamento. Todas as práticas incluem a integraçãoo fechamento na estrutura física. É necessário atentar para a conclusão do trabalho, sem forçar-se ou exceder-se. É necessário contatar o ambiente gradualmente ao terminar a prática.

Os objetivos de cada sessão estão descritos principalmente em terminologia estrutural, no entanto todas as sessões visam explorar sensações ligadas a esses objetivos.

Trata-se, portanto, de um roteiro para vivências no processo de Rolfing. Pode-se usar uma seqüência específica, ou uma parte dela; mas é sempre preciso estar consciente que a pessoa é um todo. Este é um ponto essencial a ser considerado.

Se o paciente sofre de dores na coluna, no joelho ou pescoço, ou, ainda, se tem um histórico de desorganizações estruturais com episódios de dor, posições de torção podem levar a um desequilíbrio temporário. Além disso, se essas posições não forem executadas de maneira cuidadosaapropriada, podem desorganizar a estrutura. Não recomendo a prática desses alongamentos nesses casos.

As fotos são indicadores. A descrição pode fornecer imagensângulos que não estão retratados. Acrescentam também o componente do movimento, que as fotos estáticas não podem mostrar.

Algumas abreviações usadas no Rolfing foram utilizadasmantidas:

LDH [lumbo dorssal hinge]: articulação lombo-dorsal

AOJ [atlanto occipital joint]: articulação atlanto-ocipital

ANS [autonomic nervous system]: sistema nervoso autônomo

EOF [eye of the foot]: olho do pé

Emprego também os termos “sleeve””core” para representar respectivamente os envoltórios mais superficiais da fáscia (sleeve)os tecidos mais profundos, relacionados ao espaço visceral (core).

DUAS PREOCUPAÇÕES SÃO SEMPRE MUITO IMPORTANTES: CUIDADO E TEMPO.

Por favor não se excedam no alongamento, nem comecem a alongar-se abruptamente. É sempre melhor ir devagar, fazendo progressos graduais, passo a passo, do que ir depressacorrer o risco de se machucar. Leve o corpo inteiro em consideração, prepare-se para a postura, encontre o apoio,só então realize a postura. Dê tempo ao sistema nervoso autônomo para descarregar. Dê tempo para que o efeito ortotrópico possa acontecer. E, mais uma vez, dê tempo a si mesmo para integrar as mudanças…

Trata-se de uma experiência a ser vivenciada.

Para ler a sequência de exercícios, ver o texto em PDF.

REFERÊNCIAS

1- Gaiarsa J. A. Reich 1980. São Paulo, Brasil:Agora; 1982.

2- Prado P. Considerações sobre o pensamentoobra de Ida P. Rolf para o trabalho com postura em psicologia. Dissertação de mestrado apresentada no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Brasil; 1982.

3- Lederman E. Fundamentals of Manual Therapy ? Physiology, Neurology and Psychology [Fundamentos da Terapia Manual ? Fisiologia, NeurologiaPsicologia]. Nova Iorque: Churchill Livingstone; 1997.7.

4- Maitland J. Anotações de palestrasconversas particulares. São Paulo, Brasil; 2000.

5- Harrrington J, Jaye V. Anotações de palestrasconversas particulares. São Paulo,Brasil and Boulder,CO; from 1994 to 2000.

6- Maitland J, Sultan J.?Definition and Principles of Rolfing?.[DefiniçãoPrincípios deRolfing]Rolf Lines.1992;20(2)16-18.Rolf Institute.205 Canyon Blvd,Boulder,CO.80302.

7- Cottingham J.T., Maitland J. Integrating manual and movement therapy with philosophical counseling for treatment of a patient with amyotrophic lateral sclerosis: a case study that explores the principles of holistic intervention [Integração da terapia manualdo movimento com aconselhamento filosófico no tratamento de um paciente com esclerose lateral amiotrófica: um estudo de caso que explora os princípios da intervenção holística] . Alternative Therapies. Março 2000; v. 6 (2) 119-127.

8- Sultan J. Towards a structural logic [Rumo a uma lógica estrutural]. Notes on Structural Integration. 1986; (1) 1216. Hans Flury, Badenerstr, 21CH-8004, Zurique, Suiça.

9- Schleip R. Primary reflexes and structural typology [Reflexos primáriostipologia estrutural]. Rolf Lines. 1993; 21 (40) 37-47. Rolf Institute. 205 Canyon Blvd, Boulder, Colorado. 80302..

10- Flury H. Notes on Structural Integration. De 1986 até o presente. Hans Flury, Badenerstr, 21 CH-8004, Zurique, Suiça.

11- Levine P. A. Waking the Tiger-Healing Trauma [O Despertar do Tigre]. Berkley, Califórnia: North Atlantic Books; 1997.

12- Souchard P. Auto-postures. St. Mont, França: Université de Therapie Manuelle; 1988.

13- Rolf I. P. Rolfing: The Integration of Human Structures. [A Integração das Estruturas Humanas] Santa Monica, Califórnia: Dennis Landman Publications; 1977.

14 – Roth H. D. Original Tao: inward training (nei-yeh) and foundations of Taoist mysticism [Tao Original: treinamento interno (nei-yeh)fundamentos do misticismo Taoista]. New York: Columbia University Press; 1999.

AGRADECIMENTOS

Este manual foi concebido ao longo dos anos, com a ajuda de tantos amigosem tantas partes do mundo, que grande parte dele resulta de fato da colaboração de muitos coraçõesmentes espalhados pelo globo.

Em primeiro lugar, devo reconhecer o trabalho pioneiro extremamente importante da Dra. Ida P. Rolfde outros que seguiram sua trilha, entre eles Vivian Jaye, Jane Harrington, Emmet Hutchins, Peter Melchior, Jan SultanJeffrey Maitland. Sou igualmente grato à orientação profundasignificativa que recebi de Peter Levinede José Ângelo Gaiarsa. Ambos contribuiram para a formação de uma base pessoalintelectual que possibilitou o desenvolvimento desta trabalho até sua forma atual. Obrigado a todos vocês.

Obrigado também a todos os alunosclientes que, vivendo comigo a experiência, ajudaram-me a aprender, a construirreconstruir as seqüências, a encontrar as palavras apropriadas, a corrigir as instruções e, acima de tudo, a descobrir o que estava tentando emergir. Meu agradecimento a todos vocês por participarem desse processo de amadurecimento gradual.

Agradeço ainda a José Augusto MenegattiAida Cordeiro, que posaram para as fotos; a Ana Figueiredo, Vera SenePaulo Marcelo Costa, pelo encorajamento inicial na documentação fotográfica dessas seqüências;a José Roberto Sadek, pelos “cliques” propriamente ditos ? obrigado pelo “empurrão”.

Um agradecimento especial para Robert Schleip, pela entrevista que ajudou na formulação do capítulo sobre neuropsicofisiologia0.

Liz Gaggini, Giovanni FeliccioniVivian Jaye colaboraram na edição do texto em inglês. Obrigado pelas sugestõespalavras. E a Regina de Barros Carvalho, a Gô, pela tradução para o português.

Sybille Cavalcanti, da Associação Brasileira de Rolfing,Klaus Nagel, da Associação Européia de Rolfing? E.v., deram-me, de maneira cooperativagenerosa, o apoio técnico nos escritórios, necessário nas diversas etapas de trabalho que precederam essa edição.

Agradeço a Alex Cerveny, por suas inspiradas ilustrações;a Fernanda Sarmento, Letícia MouraLú Vilela de Araújo que criaram o formato gráfico em diferentes estágios dessa edição.

Minha mais profunda gratidão para Paula Mattoli, por seu trabalho devotado, pela participaçãoapoio afetivo, e, especialmente, por me fazer acreditar que tudo isso era possívelnecessário.

Sim,
Obrigado a todos.

PEDRO PRADO

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Quando o corpo não está alinhado,
O poder interior não emerge.
Quando não há tranqüilidade interna,
A mente não se organiza.
Alinhe seu corpo, auxilie o poder interior,
E ele, então, gradualmente, surgirá por si mesmo(14)

Nei-yeh
Antigo poema taoista

Para ver os exercícios, acesse a cópia em PDF[:]Alongamentos Estruturais

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